Análise de F1 2020, o título que enaltece o melhor da simulação automóvel

Red Magic 6S

O título F1 2020 marca o regresso da série de simulação de corridas F1 da Codemasters. Este ano, o destaque são os setenta anos de Grand Prix que a equipa decidiu aproveitar homenageando algumas das personalidades mais icónicas da Fórmula 1 e, também para grande agrado da comunidade.

Sabemos que a série sofre poucas alterações de título para título, pelo que, um novo título justifica-se em três casos: novo na série; tem ou teve F1 2017 ou F1 2018; ou então é um fã incontestável da série. Contudo, se o novo modo “My Team” for suficientemente ilustrativo e atrativo, pode sempre esquecer estes pontos e comprar sem grandes hesitações.

O realismo de jogo de simulação de corridas representa o que de melhor se faz na indústria dos videojogos, sobretudo quando transpomos o real (por vezes, fora do nosso alcance) para o digital (à distância de umas simples teclas, um comando ou mesmo um volante e uns pedais). Acompanhe-nos em mais uma análise a um fantástico título de competição extremamente bem consolidado e ambientado.

Ambientação

F1 concentra grande parte da sua ação no foco principal — as corridas e a jogabilidade (na sensibilidade da corrida de forma virtualizada) —, no entanto, existe uma coisa que não podemos negar, se existe jogo que transpõe aquilo que de melhor ou pior se faz na competição automóvel de elevado rendimento é a série F1 da Codemasters.

A cada novo jogo, a equipa de desenvolvimento tem demonstrado uma preocupação constante em garantir novas funcionalidades que complementem o resultado e a experiência como um todo do jogador. Não nos podemos esquecer que o lançamento de novos jogos acontece todos os anos, pelo menos desde 2010. Assim, fica descartada a hipótese de grandes diferenças — daí também a nossa recomendação para não comprar versões seguidas do jogo (para que não se desiluda). Pense nisto como alguns jogos lançados anualmente em que a diferença é pouca.

F1 2020 traz algo inédito na simulação de corridos automóveis, a criação da própria equipa através do modo “My Team” que permite um vislumbre maior de grande parte da indústria automotiva e do que acontece nos bastidores nesta que é a maior e mais cara competição automóvel do mundo. O jogo integra-nos nas coisas mais absurdamente interessantes de uma equipa da fórmula 1, como, os patrocinadores, os departamentos de investigação, a gestão de toda a equipa, entre muitas outras coisas.

Somos levados por uma sensação de integração em todo o curso dos campeonatos — garantindo que somos importantes — e onde julgamos pertencer faz tempo, quase como se já tivéssemos participado realmente em qualquer um dos eventos, entre eles a Grand Prix.

“My Team”, um modo bastante promissor

O título F1 2020 marca o regresso da funcionalidade de multiplayer por ecrã dividido, no entanto, incorpora um modo único e inovador, o modo “My Team” que consiste na criação de uma equipa de F1 para correr lado a lado com marcas como: a Mercedes, a McLaren, a Ferrari e até a Renault. Ao criar a sua própria equipa, poderá personalizar o seu veículo a gosto (claro está, com os patrocinadores também), escolher o melhor patrocinador entre dezenas de ofertas, a motorização e o condutor secundário, uma vez que, continua a ser o condutor principal da sua equipa.

A notória diferença de F1 2019 para a edição de 2020 é sem dúvida, o facto de somarmos novas preocupações com este modo. Enquanto antes (e mesmo agora se quiser) apenas podia apresentar-se como piloto que provém da F2, agora você já é um piloto (com pouca experiência) que se predispõe a criar uma equipa com uma base publicitária resultante de patrocínios. A escolha da motorização pode ser elemento chave para a gestão do seu orçamento — onde a procura da qualidade & preço são importantes.

Decisões como, aumentar o departamento de força motriz ou o responsável pelo chassi são agora ainda mais importantes para o progresso no médio-longo prazo. O agendamento de eventos e as conferências de imprensa são interessantes até um certo ponto onde tudo se torna um pouco repetitivo. Contudo, isso consegue ser facilmente ultrapassado face a tantas outras personalizações associadas ao poder matriz do veículo.

F1 2020 permite uma maior e melhor gestão das habilidades como piloto e enquanto chefe ou dono da sua equipa. Estes avanços permitiram que haja uma imersividade e uma continuidade bastante maior comparativamente a outros jogos da série. Aqui, somos agora capazes de atingir várias temporadas sem que nos cansemos facilmente, como acontecia em F1 2019 (após algumas temporadas) por não mudar grande coisa. O facto de sermos responsáveis por uma equipa permite-nos dar largas à imaginação, mediante o possível e, além disso, aumentar a vida útil do jogo (para um jogador médio).

Qualidade gráfica

Ao nível da qualidade gráfica, esta série, nos últimos anos tem sido um exemplo neste aspeto, demonstrando como tirar partido da geração, tanto em consolas como em computadores.

F1 2020 foi analisado, no nosso caso, na plataforma PlayStation 4, onde comparativamente a F1 2019, notámos diferenças incríveis em termos gráficos — sobretudo na transição entre componente jogável e animações autónomas, em que por vezes assistíamos a pequenos congelamentos temporários da imagem ou mesmo desvanecimentos “um pouco estranhos”.

As animações sofreram pequenos melhoramentos, garantindo uma maior suavidade, onde até as texturas melhorarampouco, mas existem melhorias —, no entanto, não podemos deixar de mencionar que o jogo atingiu o seu limite para a geração atual, o motor gráfico já não consegue evoluir muito mais além do que foi desenvolvido nos últimos dois Fórmula 1.

Para os amantes de multiplayer offline, a divisão do ecrã ao meio demonstrou um desempenho exemplar neste jogo, não sofrendo muito no resultado final, mesmo que abdicando um pouco do efeito visual, em virtude de uma maior estabilidade no desempenho do mesmo.

Jogabilidade

O grande forte desta série é, sem sombra de dúvidas, a jogabilidade, pelo que não encontrará nenhum jogo que retrate tão bem as competições de F1, como esta série da Codemasters. Desde a personalização, aos incríveis cenários (oficias da Grand Prix), à sensibilidade do volante (in-game), ao realismo transmitido entre a troca de marchas, os pedais e tudo quanto são funcionalidades da Fórmula 1 estão presentes.

A título de exemplo, com quase todas as ajudas desligadas, uma simples travagem mais brusca e forte, leva a que possamos bloquear as rodas, desencadeando uma ação em cadeia de derrapagem, seguida de desbloqueio por alívio do pedal, seguida novamente de derrapagem face à necessidade de travar e estabilizar novamente o carro — o que é fantástico de se ver. É muito importante conhecermos o veículo, bem como, o terreno e as próprias limitações do jogo, para assim termos uma experiência incrível e cada vez mais previsível do carro — dando liberdade para exigir cada vez mais a cada volta.

Os níveis de dificuldade são muito importantes, ainda mais com a criação da sua própria equipa. Se antes, corria por marcas já consolidadas na F1, agora, criando a sua própria marca, corre muitos mais riscos associados à inexperiência no meio, não apenas de si, mas da equipa e dos seus equipamentos como um todo. Cada decisão que toma tem um peso sofre o resultado e influencia toda uma dinâmica muito bem orquestrada pela equipa da Codemasters.

Dado que o motor gráfico permaneceu quase inalterado, somos confrontados com o que de melhor havia em F1 2019, mas com um gosto a nova geração, mais estável e agradável de se conduzir, especialmente se for por uma equipa que é nossa e onde podemos lidar com dificuldades ao nível da performance, do chassi, da durabilidade ou mesmo da componente eletrónica do veículo.

Confira também o nosso artigo sobre as novidades do novo F1 2020

Conseguiu-se um jogo bastante equilibrado, que é resultado de uma evolução da série sempre para melhor, e onde observamos uma cada vez maior preocupação com a inclusão de novos elementos à comunidade.

Veredito

O regresso de um título pensado para o futuro — F1 2020 —, onde é notória a luta por mais e melhores funcionalidades face ao antecessor. De realçar que, nem mesmo, o novo surto de coronavírus prejudicou o resultado final do jogo, numa altura em que vimos um adiamento do lançamento face à suspensão do funcionamento de diversas empresas ao redor do mundo.

Não tivemos hipótese de experimentar o modo online (não estava disponível durante a nossa análise), no entanto, sabendo o sucesso que fora F1 2019, desta vez não será diferente, contando com novos veículos e elementos para disputar partidas com os seus rivais e amigos. A equipa da Codemasters adicionou ao modo online um “Podium Pass” que permite que adquira versões gratuitas ou compre itens cosméticos para personalizar quer o seu personagem como o veículo — acompanhando a moda de incluir “Season Pass” em jogos de competição ao estilo battle-royale, só que aqui, de uma forma diferente.

O modo carreira ficou bastante mais rico com a inclusão do modo “My Team” onde fica patente a procura de dar um novo ar à série, ainda durante esta geração. Foi talvez uma das melhores implementações dos últimos três jogos. Garante que o jogador permanece ligado ao jogo durante muito mais tempo do que acontecia com o seu antecessor.

A nossa sugestão passa pela recomendação de aquisição deste jogo, tanto a novatos, como a experientes e amantes da série. Contudo, não espere grandes diferenças ao nível da jogabilidade, se o modo que permite criar a sua própria equipa não for suficiente, então não aconselhamos a compra. Os próximos dias continuarão a ser de análise e usufruto dos novos elementos da série F1 da Codemasters. Resta-me apenas agradecer, uma vez mais, o contínuo trabalho da Ecoplay onde nos permitiu antecipadamente testar e avaliar mais um dos seus jogos disponíveis para análise.

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