Análise — F1 2021 — Familiar, mas inovador!

Lights out and away we go” — foi com este espírito que começámos a jornada pelo novo título da Codemasters, o F1 2021 que mesmo regressando com a mesma receita, introduziu novos ingredientes ao cardápio. Este ano, o destaque prende-se pela introdução do modo narrativo — Braking point — que nos faz viver a vida de um piloto em ascensão com todas as adversidades que se pode esperar de um recém-chegado a F1, um rookie.

Sublinhando o facto de a franquia de jogos F1 ser uma série anual que vislumbra o campeonato de automobilismo que decorre, sabemos que nem sempre é convidativo adquirir todos os anos um novo jogo da mesma série — onde nem sempre vemos grandes alterações. Isso aconteceu com diversos F1, no entanto, a série conseguiu fazer um retorno ao sucesso como em 2019, pois mesmo tendo em 2020 contado com um novo modo completamente diferente — o MyTeam — que se mostrou bastante regozijante. F1 2021 muda substancialmente quando comparada com a mudança de 2019 para 2020.

Esta edição de 2021 pode contar com algum apoio por parte da Electronic Arts, após ter adquirido a Codemasters no início deste ano, que mantém a sua independência em matéria de força criativa por detrás deste projeto. Contudo, já se fizeram notar algumas diferenças que julgamos terem sido influência da produtora e distribuidora responsável por jogos como Need for Speed, FIFA e Battlefield. O novo sistema de tração adicionado melhora substancialmente a experiência de jogo e acrescenta toda uma imersividade que serve de reaprendizagem para grande parte dos jogadores e da comunidade em geral.

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Gráficos e ambientação

F1 2021 consolida o trabalho que tem vindo a ser feito na passada geração de consolas, no entanto, acelerando lado-a-lado com a nova geração de consolas — a PlayStation 5, a Xbox Series X e S — melhorando a imersividade da corrida através dos circuitos, das físicas dos monolugares, do áudio, mas sobretudo ao nível do aspeto gráfico. Em certo modo, o rendimento desta experiência permite aproximar-mo-nos da realidade deste desporto automóvel.

O F1 2020 já saudava os jogadores com gráficos mais consistentes, face aquilo que vimos em 2019, no entanto, ainda eram visíveis alguns problemas resultantes do downgrade que ocorria nas consolas — no nosso caso, na PlayStation 4 — mesmo que mais estável (mais tarde) em PlayStation 5. O novo (F1) 2021 oferece aquilo que costumamos chamar fase de otimização plena — claro está, em termos de maturidade gráfica, face à limitação do hardware — mas com os olhos postos na experiência da próxima geração.

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Durante os últimos dias, tivemos oportunidade de absorver as experienciais criativas da equipa tanto em PlayStation (5) como em PC, que marcam distância apenas nas falhas, pois, em matéria de performance são idênticas, pelo menos, para um PC com especificações medianas (algures no recomendado). As animações foram bastante melhoradas, eliminando alguns dos congelamos sentidos na geração passada, mas sobretudo pelo facto de as texturas terem maior qualidade, definição e não sofrerem downgrades constantes.

Excecionalmente, a PlayStation 5 tem enfrentado alguns problemas associados a bugs sonoros, mas sobretudo, falhas catastróficas que levam ao encerramento do aplicativo (do jogo). Isto não comum, mesmo em edições anteriores, pelo que, não deve ser uma preocupação dramática. Contudo, não deixa de ser frustrante ter de repetir uma corrida de 72 voltas por um simples bloqueio do jogo — algo que pode ser resolvido com um “salvar a meio da corrida”, ou “mid-race save” —, mas que por vezes, aprendemos da pior forma.

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Estes tipos de problemas, pela nossa experiência, não ocorreram na versão de PC. Ao ler-se notas oficiais da Codemasters, percebemos que estes problemas têm sido maioritariamente exclusivos de PS5 e que a equipa está empenhada em resolvê-los, tendo levado em alguns casos a diminuir até o ray-tracing enquanto não estão corrigidos alguns problemas de desempenho ocasionais (com alguns utilizadores).

Daquilo que tivemos oportunidade de jogar, o modo desempenho da consola brindou-nos com 60 fps estáveis em todo o momento da corrida, sempre com um cenário realista e que abraça o espírito da F1 num videojogo. Aliás, excetuando o som, grande parte dos nossos problemas ocorreram durante o uso dos “flashbacks” — funcionalidade que permite regressar alguns segundos no tempo para repetir determinada manobra ou trecho.

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Modo Braking Point

Braking point é o verdadeiro “ex-libris” deste novo F1 2021, uma narrativa onde assumimos o papel de Aiden Jackson na luta por um lugar na Fórmula 1, depois do sucesso alcançado na F2, em 2019. “Drive to Survive” — a icónica série da Netflix parece ter sido fonte de inspiração para a Codemasters desenvolver esta nova narrativa single-player.

O claro foco na campanha desta série não é novidade, no entanto, parece que esta edição visa reconverter a comunidade para o novo sistema de tração incluído em 2021 — que acrescenta realismo ao contacto com os diferentes pisos: alcatrão, relvado, gravilha, entre outros. Mais do que um modo, parece ser um tutorial para introduzir o jogador às novas mecânicas do jogo, entre elas, este novo sistema.

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Ainda de maneira mais imersiva, a Codemasters dá a oportunidade de começarmos num ponto semelhante aquele que começamos no modo campanha de 2020, ou seja, no final da F2 de 2019, em que depois de algumas vitórias conseguimos finalmente chegar a F1. Depois de escolhida de entre quatro opções a equipa com a qual irá fazer contrato, começa a temporada de 2020 (com tudo aquilo que vimos no título passado), no entanto, a disputa prossegue para o ano de 2021 (com todo o secretismo e novidades que surgiam no paddock relativamente aos novos pilotos e nomes de cada equipa).

Em 2021, regressamos com Devon Butler, o irritante vilão de F1 2019 que trouxe mais dinâmica ao modo campanha na época. É com estas intrigas e conflitos dissimulados que iremos enfrentar as diferentes épocas com alguns dos revezes mais inesperados que o irão certamente entreter nesta nova jornada de 2021, sobretudo, se for um fã da série da Netflix e da própria Fórmula 1.

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Desconhecemos a verdadeira dificuldade deste novo modo de jogo — dado que não é quantificável, mas sim, qualificável — mas temos a noção da qualidade e empenho que estão por detrás da realização desta história emocionante que abraçamos com agrado. É claro, uma narrativa que pretende inspirar e trazer mais emoção ao mundo da Fórmula 1, até mesmo, para aqueles não acompanham o campeonato do mundo na televisão ou nas redes sociais da organização, ou das equipas.

O modo campanha habitual — singleplayer — mantém a opção de começar na F2, neste caso, na temporada de 2020 e prosseguir para uma temporada na F1 (2021). Em alternativa, como sempre, permite que o jogador opte logo por ingressar na F1 na época de 2021. Isso não mudou, pois, como se costuma dizer, a equipa vencedora não se mexe — algo trazido de F1 2020.

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O modo “MyTeam” foi melhorado

MyTeam surge como um modo inédito, em 2020, que permitiu criar a própria equipa e juntar-se como a décima primeira equipa do ranking dos construtores, incluindo mais dois pilotos (você e o segundo piloto) aos vinte da grelha de partida. Este modo permitiu diversificar um pouco a abordagem a um jogo que se tornava cada vez mais repetitivo, mas que pela possibilidade de personalizar o seu monolugar, criar uma equipa, gerir patrocínios e patrocinadores, dando uma nova vida à série.

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Nunca antes a gestão do orçamento da equipa teve tanta importância e, dependendo da dificuldade, pode perceber isso da pior maneira. A escolha da motorização e do seu piloto fazem toda a diferença na classificação do final da temporada. Qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidência, em boa verdade, é por isto que passam grande parte das equipas do meio do pelotão.

F1 2021 aperfeiçoou este bem-sucedido modo com novas decisões, eventos: naturais, mecânicos e outros; redesenhou todo o layout das melhorias a aplicar nos diversos departamentos de desenvolvimento — evoluindo de uma pesquisa em árvore para algo mais gráfico (em cadeia) — que pode confundir aqueles estiveram mais ligados a 2020 ou até mesmo ao layout do campeonato single-player de outros jogos da série. As conferências de imprensa, as entrevistas e a IA sofreram alterações que até agora têm surpreendido positivamente.

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Recorda-se da funcionalidade introduzida em 2020 de poder jogar com um amigo offline com o ecrã dividido ao meio? Em F1 2021, existe a possibilidade de jogarem deste modo no MyTeam. Para quem é novo na série, isto é algo semelhante aquilo que vimos acontecer em jogos como o Gran Turismo e Forza, em que o ecrã pode ser dividido por forma a permitir que dois jogadores (com dois controlos ou inputs) joguem em conjunto. Isto pode ser até bastante divertido visto que o seu amigo pode ser o seu colega de equipa ou até ser de uma equipa rival.

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Ao contrário daquilo que aconteceu com F1 2020, o modo MyTeam não permite que possa incluir logo no início da temporada pilotos mais experientes da grelha de partida. Para isso, neste momento, necessita de, pelo menos, conseguir alcançar o patamar financeiro para contratar o seu colega de equipa. F1 2021 conta, desta vez, com um pacote exclusivo da edição Deluxe que traz conteúdo adicional de sete pilotos históricos, entre eles, Alain Prost, Nico Rosberg, Jenson Button, Michael Schumacher, Ayrton Senna, Felipe Massa e David Coulthard. Estes pilotos podem ser introduzidos na sua temporada se assim o desejar no momento em que configura a sua equipa, no entanto, não os poderá contratar de imediato. Em todo o caso, se não desejar que sejam incluídos pode optar por não os incluir, podendo futuramente fazê-lo se assim o desejar.

Algo que esperava que tivesse sido implementado nesta nova temporada, era a inclusão de uma maior personalização ao nível do design do monolugar, podendo escolher a adoção das dimensões da entrada de ar, o bico e as asas dianteiras e traseiras, entre outras opções que seriam interessantes de serem vistas — algo que respeitasse os regulamentos, mas que permitisse diferenciar-se daquele modelo que temos visto ser implementados nos últimos tempos.

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Jogabilidade

Esta edição contou com melhorias notáveis em matéria de jogabilidade, destaca-se a introdução do novo sistema de tração que melhora o contacto dos pneus com as várias superfícies do circuito; o novo sistema de destruição e dano que tornam mais realistas aquelas “batalhas” lado-a-lado por uma posição na corrida, um corretor da pista que danifica o chassi, um toque na lateral que danifica parte dos elementos aerodinâmicos, entre outras coisas que vieram consolidar o bem-sucedido trabalho da Codemasters neste campo.

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O jogo oficial da Fórmula 1 tornou-se mais realista na única coisa que era alvo de críticas — com comparações comuns a Assetto Corsa que oferecia um sistema de tração melhor que os títulos anteriores (F1) — no entanto, isso parece ter vindo a mudar com F1 2021, visto que a dinâmica, o balanceio e o sistema de direção já eram impecáveis. Aliás, com a vinda destas novas físicas para os monolugares, também a direção (sentida em volantes) mudou, incluindo o sistema “direct drive” a tal ponto que passámos a conseguir sentir o veículo com maior detalhe (dependendo da qualidade do setup) e muito mais precisão se estamos em understeering (“fugir de frente”) ou oversteering (“fugir de traseira”).

O título tem, a semelhança dos anteriores, um sistema de IA dos outros pilotos no circuito podendo ser adaptado (0 – 110%) e no qual joguei em 2020 em algumas circunstâncias a 90%, no entanto, em 2021, por falta de hábito do novo sistema, voltei aos 80% porque não me sentia confortável em todos os circuitos. Em geral, cada jogador que tenha por hábito passar algum tempo no jogo da F1 gera uma certa memória muscular que lhe permite atuar quase sem pensar quando pressiona o acelerador de uma determinada forma a saída de uma curva, uma determinada forma de apontar o carro na entrada e saída de curva, corrigir um oversteering, etc.

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Isto provavelmente não será uma novidade para os mais diversos aficionados e saberá do que estou a falar, e é por isso que garanto, por experiência própria, poderá sentir algumas dificuldades ao início, mas apanhando o jeito até será mais proveitoso a forma como pode tirar proveito deste novo sistema de tração, independentemente do tempo que demore a adaptar-se, pois nem toda a gente se adapta com facilidade a mudanças deste tipo (daí ter optado por voltar aos 80%) mantendo todas as ajudas desligadas (menos a setas de curva — do apex) visto que nem sempre é fácil, num monitor, ver corretamente o circuito (em primeira pessoa).

Incluídas foram também alterações a abordagem de uma semana de F1 nesta nova edição, onde deixou de ser possível fazer a típica “simulação de treino-livre” ou “simulação de corrida“, mas passou a existir a “treino livre rápido” que permite escolher por onde deve ser testado o carro numa determinada sessão de treino com um sistema de probabilidades para a conclusão dos objetivos da equipa ou fazer o típico treino com o monolugar a ser conduzido no circuito. As qualificações mantêm-se iguais, mas a corrida agora já não pode ser simulada e terá que a fazer por si mesmo.

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A revisão da corrida e os destaques sofreram algumas alterações para oferecer mais precisão na escolha das câmeras para determinado momento e, agora, durante os “Highligths” ou destaques, podemos saber a volta exata onde determinado acontecimento — como uma ultrapassagem, um ponto de travagem ou até uma escorregadela no circuito — se passou, face a um sistema de cortina/separador que informa a volta onde se desenrola a ação — semelhante aquilo que acontece com os telespectadores na F1 TV quando se mostra uma repetição — como vemos no futebol.

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Veredito

O novo F1 2021 fica, certamente, marcado por estas novas alterações que permitiram melhorar dramaticamente a qualidade e a experiência imersiva que pode ser uma disputa de F1. Não posso deixar de mencionar que este pode, muito bem, ser um dos melhores títulos no passado recente, incluindo ideias novas que permitem a série renascer de momentos menos impactantes. Na época de 2020, mencionei e apreciei favoravelmente o jogo lançado, mesmo com poucas introduções, no entanto, 2021 trouxe um pouco mais daquilo que foram os melhores momentos de F1 2020.

Este é daqueles jogos que não iremos esquecer facilmente, pois permitiu aprofundar um pouco mais de alguns dos detalhes por detrás dos bastidores da vida de um piloto de F1, mas sobretudo, por proporcionar bons momentos atrás de um volante de um veloz monolugar.

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Circuito de Portimão

Não poderíamos deixar de mencionar que a equipa de desenvolvimento garantiu que existe conteúdo gratuito a chegar ao jogo ao longo deste ano. Devido ao desenvolvimento moroso de novos circuitos para a série, no ano passado, Portimão e Ímola não foram incluídos, no entanto, estão para breve visto que entraram no calendário deste ano, em que além dos mencionados, também Gidá, na Arábia Saudita irá estar presente. As corridas (ou qualificações sprint) ainda não farão parte deste jogo de 2021.

O “Podium Pass” regressou este ano, repleto de novos elementos de personalização para veículos e personagem. O modo online trouxe os sucessos conseguidos em 2020, com uma maior estabilidade nas ligações e corridas bastante mais dinâmicas e competitivas.

O F1 2021 está disponível na Steam (PC) por 59,99€; a Deluxe por 74,99€ no PC; nas consolas Xbox e PlayStation o jogo está disponível por 69,99€ e a edição Deluxe por 84,99€. Para os interessados no modo Braking Point, saiba que poderão adquiri-lo por mais 4,99€ acrescidos aos 59,99€ (no PC) ou 69,99€ (nas consolas).

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Por agora, iremos continuar os próximos dias abordo de F1 2021, justificando os 4,99€ a mais pela inclusão do modo Braking Point. Não poderia terminar a análise sem antes agradecer a oportunidade de analisar este projeto em duas plataformas distintas possibilitado pela Codemasters e pelos distribuidores oficiais que nos permitiram usufruir desta obra com a temática da F1.

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