Análise de Marvel’s Spider-Man: Miles Morales (PS5)

Spider-Man: Miles Morales é o regresso da série à glória, nomeadamente, para os jogadores de PS5. Este título desenvolvido pela Insomniac Games demonstra o poder da nova geração tanto em aspeto gráfico, como em termos de desempenho. O Homem-Aranha regressa, mas numa nova trama digna de um prémio. Miles Morales não retira Peter Parker de cena, no entanto, permite uma nova abordagem à vida caótica nova-iorquina.

Ainda me recordo dos títulos Spider-Man que jogava na PlayStation 2 — eram incríveis para mim — outros tempos, no entanto, muito mudou. O lançamento, em 2018, de Spider-Man para PlayStation 4 e PS4 Pro foi um sucesso incrível, quer pela aposta no motor gráfico, quer pelo desempenho — numa plataforma que já se aproximava do fim de vida (menos de dois anos). O sucesso foi tal que Insomniac Games retomou o afamado título em mais uma aventura — ao estilo Spider-Verse — para o vir a lançar no final do passado ano de 2020.

O título, Miles Morales, graças ao poder da nova PlayStation 5, permite ao jogador escolher a abordagem que pretende, se o modo performance — em que terá a oportunidade de desfrutar de uma experiência muito mais sólida e suave em 4K a 60 fps — ou, optar pelo modo fidelidade — em que terá acesso à tecnologia de reflexão luminosa, o ray-tracing, mas limitado a 4K a 30 fps. O critério é seu, no entanto, o modo de performance já traz tudo aquilo que se espera deste jogo do Homem-Aranha — soberbo!

Jogabilidade

O jogo vigora com airosas melhorias que complementam a experiência de jogo conseguida com o seu antecessor aquando do lançamento para PlayStation 4. Spider-Man ofereceu nessa época algo ao qual não estávamos habituados com outros títulos da série. Peter Parker teria nessa altura uma movimentação muito mais suave, o ambiente contava com mais emoção e atividades que surgiam em escala. Miles Morales, aproveita a deixa e tira partido da capacidade de processamento da PlayStation 5 para reforçar a atividade das ruas de Nova Iorque, bem como, oferecer um motor gráfico ainda mais aperfeiçoado — sem comprometer o desempenho da consola.

Bastante responsivo, Miles Morales conta com novos poderes — mais e melhores do que os de Peter Parker — para enriquecer ainda mais a experiência. O combate tornou-se agora mais orgânico dentro da temática do Homem-Aranha, contando com tudo aquilo a que nos habituámos a ver nos filmes da Marvel. Não é de todo estranho, visto que a Insomniac Games conta com o apoio da Marvel para o desenvolvimento e processo criativo das personagens da série.

O comportamento das pessoas e das multidões vislumbra novas abordagens mediante as atitudes do ambiente ou até da nossa personagem, permitindo níveis de realismo muito maiores. Por outro lado, algumas animações continuam a ser um pouco forçadas, nomeadamente, ao nível da movimentação dos veículos que ainda parece demasiado robótica — mas nada de muito grave, até porque passamos maior parte do tempo a deslocar-nos de edifícios em edifícios.

Como mencionado, Miles Morales oferece uma nova abordagem ao combate do mundo do crime. O ataque “Venon” é a grande skill de Morales, que faz uso da condutividade das suas teias sintéticas para lançar sobre os inimigos descargas elétricas capazes de os apagar instantaneamente ou de abastecer algumas carruagens de metro — incrível, não é? A partir de agora, Miles consegue recuperar a energia mais facilmente com recurso a esta barra (de energia) especial, podendo à distância de um clique no botão direcional inferior restaurar toda a sua energia.

Esta obra preenche-nos ainda com o combate corpo-a-corpo trazido do Spider-Man de 2018. Baralhar o inimigo pode ser bastante humilhante — não que a IA se importe muito — permitindo boas abordagens, mesmo a grupos de mais de 5 pessoas. O antecessor jogo mostrava ótimos “finish kills” dignas de um Mortal Kombat… Pronto, não exageremos… estes sem o mesmo grau de violência, mas igualmente espirituosos! Miles Morales incorpora melhores ângulos de câmera e o novo efeito do ataque “Venon” que agrada convenientemente o jogador ao aplicar um “finish” ao inimigo. Pode sempre usar os pseudo-hologramas de si próprio e entreter os seus inimigos — é igualmente interessante de observar.

Acredite ou não, Miles Morales consegue abordar a temática da série sem aborrecer, pois não faltam atividades com que se entreter. Além disso, oferece uma personalização curiosa, nomeadamente, em termos dos fatos especiais que pode ir conquistando à medida que termina missões principais ou secundárias. Os gadgets e as habilidades já podiam ser conquistados com frequência, no título de 2018, mas agora estão presentes em maior quantidade.

Narrativa

Geralmente, em títulos single-player, por detrás de um grande jogo, está uma grande narrativa. Este spin-off não foi exceção, acrescentando ainda mais conteúdo à série do Homem-Aranha. É, sem dúvida, uma forte aposta por parte da Insomniac Games e da Marvel. O enredo conta-nos a história de Miles que nasceu em Brooklyn, em Nova Iorque no ano de 2003. Filho de Jefferson Davis — um polícia nova iorquino — e da professora e vereadora, Rio Morales. O forte de Miles foi, desde cedo, a tecnologia para a qual mostrou apetência. Este sucesso mostrou-se proveitoso a ponto de desenvolver um aplicativo que permite invadir qualquer tipo de aparelho tecnológico.

A confraternização entre Peter Parker e Miles Morales acontece dentro do universo da Marvel em Spider-Man: Into the Spider-Verse — um spin-off em filme que introduz diversas personagens ao mundo do Homem-Aranha. Peter faz amizade com Miles no seguimento da morte do pai de Morales, introduzindo-o ao abrigo sem fins lucrativos F.E.A.S.T para que ele possa servir como voluntário. Miles Morales revela que adquiriu poderes de aranha — visto que também foi alvo de uma picada de uma aranha geneticamente alterada —, a Peter, que por sua vez também revelou ser o Homem-Aranha, desconhecido à data por Miles.

Aventurámo-nos por Spider-Man: Miles Morales e o começo não podia ser mais cinemático, criando uma expetativa bastante grande. Essa expetativa é confrontada rapidamente com um momento de maior ação. Durante o transporte de Rhino — um prisioneiro de alta segurança — que estava escoltado pela polícia e transportado em helicóptero, foi acidentalmente libertado por Miles. Peter e Morales perseguem Rhino por Nova Iorque até chegarem ao complexo de produção elétrica — Roxxon — onde a luta deixa Peter praticamente inconsciente. Miles lutou contra Rhino enquanto Peter se recompõe, fazendo uso do novo poder bioelétrico — um poder recém-descoberto ao qual Rhino era vulnerável. Pouco tempo depois de resolvida a situação, os dois dividiram uma pizza no topo de um telhado e Peter deu a Miles um novo traje de homem-aranha, onde também aproveitou para dizer que iria embora por algumas semanas, viajando para Symkaria com Mary Jane. Peter deixou assim a Miles a responsabilidade de cuidar de Nova Iorque, numa experiência que não irá querer perder.

Não irão faltar atividades para que se mantenha ocupado com Miles Morales pelas ruas da cidade que nunca dorme. Felizmente, a saída de Peter Parker abriu espaço para Morales praticar o bem e ajudar os mais necessitados de Nova Iorque — colocando à disposição desta cidade toda a sua boa vontade e ingenuidade —, este que se encontra maravilhado com o regresso ao bairro de Harlem, onde foi tão feliz em miúdo.

Os traços de personalidade são tão vincados que se percebe a sua inteligência emocional (para a idade) e compromisso em colocar os outros antes de si mesmo. Apaixonado pela ciência, desde muito cedo, conseguiu mostrar os seus dotes na ciência.

Qualidade gráfica

O aspeto gráfico, como mencionado no início da análise, foi uma de duas abordagens chave para este novo jogo. É importante realçar que o poder de computação gráfica da nova geração favoreceu bastante o desenvolvimento desta obra. Fica patente o seu alcance dinâmico quando optamos por recorrer ao modo fidelidade, onde conseguimos ter acesso a ray-tracing que permite reflexão de objetos através de técnicas de luz ultrarrealistas e texturas com maior qualidade disponível — simplesmente incríveis!

Gostaria de sublinhar que, apesar de o modo fidelidade oferecer mais definição isso não significa que o modo performance não ofereça uma qualidade gráfica igualmente digna. Friso que neste modo, a Insomniac Games, recorre a técnicas de alcance dinâmico de imagem: diminuindo a qualidade das texturas (praticamente impercetível) em locais de muita afluência de informação (dados gráficos) e aumenta a qualidade em locais com pouca diversidade — mantendo assim a estabilidade necessária para operar em 4K a 60 frames por segundo.

Os cenários interiores ou recônditos foram devidamente organizados para demonstrar o que de melhor existe em matéria de criatividade, enriquecendo fortemente todos os espaços por onde passamos, não obstante, os cenários exteriores conseguiram de igual modo trazer estes princípios apesar do seu tamanho mais alargado e infindável. É inegável o trabalho durante estes últimos dois anos por parte da produtora em trazer o melhor conteúdo possível — facilitado pelo trabalho já realizado com o antecessor título de mundo aberto da série.

O motor gráfico é uma grande surpresa pois consegue aguentar “sem pestanejar” todo o fluxo que lhe imputamos ao longo de diversas missões (verdadeiramente stressantes, do ponto de vista técnico). Com efeito, viríamos a conseguir em muitos casos, colocar a consola sob pressão, com a ventoinha a trabalhar com maior vigor para expulsar o calor gerado e dissipado, respetivamente, pelo processamento e pelo dissipador graças ao metal líquido.

Experiência háptica

O feedback háptico foi, sem dúvida, um dos motivos que colocou o Dual-Sense nas bocas do mundo. Além de exclusivos e muitos outros jogos, a PlayStation 5 (confira a nossa análise aqui). possibilitou toda uma nova experiência de jogo — digna de uma nova geração de consolas — assim sendo, o abandono do Dual-Shock para a nova geração Dual-Sense permite, se bem aproveitada, uma nova abordagem às sensações dentro de jogo.

O título, Spider-Man: Miles Morales, ainda não aparenta ser um jogo que demonstra o verdadeiro poder do novo comando. Existe, de facto, alguma resistência nos gatilhos, uma vibração aqui e ali, mas nada de significativo como podemos ver em Astro’s Playroom — cujo papel fundamental foi apresentar-nos o Dual-Sense. Contudo, esta experiência no universo Homem-Aranha fica mais rica graças a esta nova possibilidade, abrindo um precedente bastante agradável para futuros jogos, ainda mais, em exclusivos (onde existe um pleno conhecimento da tecnologia).

O balancear entre teias pode dar uma ideia interessante num misto de sensações criadas pelo comando, ou por exemplo, através da conjugação de alguns sons que permitem uma experiência diferente da que estamos habituados em auscultadores ou através de colunas de som. Isto são tudo features que podem receber melhorias significativas de futuro, nomeadamente, em jogos de tiro ou de corrida.

Veredito

É desta qualidade de jogo que a comunidade precisa e que a produtora de Ratchet & Clank (Insomniac Games) nos tem habituado ao longo do tempo. Marvel’s Spider-Man: Miles Morales trouxe a nostalgia de outros tempos do universo aranha, um dos heróis da BD mais aclamados e reconhecidos ao redor do mundo. O jogo é lançado em plena pandemia com todas as consequências inerentes à ausência de espaços partilhados de desenvolvimento (nos estúdios).

O exclusivo PlayStation encontra-se disponível para a anterior geração PS4 e para a mais recente geração PS5 numa edição standard a custar 59,99€ e a edição ultimate que oferece uma remasterização do título de 2018 por 79,99€. Ao comprar qualquer uma das edições tem a possibilidade de ter o jogo numa PS4 e, mais tarde, transferi-lo para uma PS5. Aproveite que há algumas lojas físicas que oferecem um preço mais competitivo para o mesmo jogo.

Finalmente, depois de redigido o nosso veredito a Miles Morales, o mais recente jogo da série Marvel’s Spider-Man, gostaria de agradecer à PlayStation Portugal por permitir que a nossa análise pudesse ser feita, disponibilizando o jogo em tempo recorde. Infelizmente, apenas hoje nos foi possível publicá-la. Continue a acompanhar-nos aqui e no nosso canal do Youtube para mais análises de produtos, veículos e videojogos.

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