China Controla 76.000 Armadilhas Web para Roubar Dados

Num mundo onde a tecnologia se entrelaça cada vez mais no tecido da sociedade, a confiança no digital tornou-se um pilar fundamental. Contudo, essa confiança é frequentemente abalada por esquemas fraudulentos que se aproveitam da boa-fé dos consumidores. Recentemente, uma investigação conjunta levada a cabo por grandes publicações, como The Guardian, Die Zeit e Le Monde, trouxe à luz uma das maiores fraudes online já registradas, com origem na China e uma rede de cerca de 76.000 websites falsos.

Estes sites, que se faziam passar por lojas online de marcas renomadas como Dior, Nike e Prada, ofereciam produtos a preços atraentes. No entanto, a realidade era bem diferente: em vez de fazerem negócio, recolhiam dados pessoais e bancários dos incautos consumidores, sem nunca entregarem o que prometiam.

A trama, que se mantém ativa desde 2015, processou mais de um milhão de “pedidos” nos últimos três anos. Embora muitos pagamentos tenham sido bloqueados pelos bancos, que identificaram a atividade suspeita, estima-se que os criminosos tenham tentado arrecadar até 50 milhões de euros neste período.

O impacto deste esquema fraudulento vai além do prejuízo financeiro direto. Mais de 800.000 utilizadores na Europa e nos Estados Unidos viram a sua privacidade comprometida, com informações pessoais e números de cartões de crédito nas mãos de cibercriminosos. Estes dados não só têm valor monetário, como também podem ser usados para crimes ainda mais graves, como roubo de identidade e fraude bancária.

Matthias Marx, da consultoria alemã SR Labs, teve acesso a uma quantidade significativa de dados relacionados com o esquema e descreveu-o como um modelo de negócio “tipo franquicia”. Um núcleo central desenvolvia o software, enquanto outros grupos geriam as operações diárias das lojas fraudulentas. A capacidade de criar e lançar websites de forma semiautomática permitiu que a rede se expandisse rapidamente e com eficiência.

A astúcia dos criminosos estendeu-se ao uso de domínios expirados para hospedar os sites falsos, dificultando a detecção por parte de autoridades e proprietários de marcas. Com uma base de dados de 2,7 milhões de domínios expirados, realizavam testes para escolher os mais adequados para os seus propósitos ilícitos.

A minha opinião sobre este assunto é que, apesar dos avanços tecnológicos, a segurança online continua a ser um campo de batalha onde os defensores da lei estão sempre a correr atrás do prejuízo. Este caso sublinha a importância de uma educação digital robusta para os consumidores, assim como a necessidade de cooperação internacional para combater o cibercrime. Afinal, num mundo cada vez mais conectado, a segurança de um é a segurança de todos.

Fonte: Theguardian

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