CEO Sam Altman critica teletrabalho

No horizonte tecnológico assiste-se a uma ironia peculiar: a mesma indústria que nos deu as ferramentas para trabalhar a partir de qualquer lugar do mundo está a reavaliar a necessidade do contacto humano presencial. A OpenAI, conhecida pelo seu ChatGPT, está no centro desta reviravolta, abrindo portas a novas instalações físicas enquanto o seu CEO, Sam Altman, defende o valor inestimável da presença física no local de trabalho.

Segundo a Forbes, a OpenAI expandiu a sua presença global com a abertura de uma nova filial em Tóquio, a primeira em território asiático, seguindo a tendência de expansão física que já tinha marcado território em Londres e Dublin. Esta decisão parece paradoxal para uma empresa cujo produto estrela, o ChatGPT, poderia, em teoria, ser desenvolvido e operado remotamente.

No entanto, Altman tem sido um crítico voraz do teletrabalho, argumentando que a presença física é crucial para a inovação e criatividade, especialmente em startups. Num evento da Stripe, em São Francisco, Califórnia, expressou o seu descontentamento com a tendência de teletrabalho, alegando que esta poderia ser prejudicial para o progresso tecnológico. A sua convicção é que o trabalho remoto foi uma experiência da era da pandemia que revelou limitações significativas.

Curiosamente, apesar da sua posição, a OpenAI continua a contratar programadores para trabalhar remotamente a partir de locais como a Europa de Leste e a América Latina, sugerindo uma contradição entre a filosofia de trabalho presencial e as práticas de contratação globais da empresa. Isto ilustra um certo pragmatismo, talvez impulsionado por custos mais baixos e pela disponibilidade de talento especializado nesses mercados.

A visão de Altman sobre o trabalho presencial é partilhada por outros líderes da indústria, como o CEO da IBM, Arvind Krishna, que anunciou uma pausa na contratação de posições remotas, prevendo que a inteligência artificial poderá ocupar esses papéis futuramente. Esta perspectiva sugere um futuro onde a IA e a presença humana no escritório convivem estreitamente, até que a tecnologia avance o suficiente para assumir completamente certos trabalhos.

Esta evolução no mundo do trabalho coincide com o crescente desconforto face ao teletrabalho, onde cafés e outros espaços públicos se veem obrigados a lidar com profissionais que transformam mesas em escritórios improvisados ao longo de horas, consumindo recursos mas pouco contribuindo para o negócio local.

A abertura da primeira filial asiática da OpenAI em Tóquio representa mais do que uma mera expansão geográfica; simboliza uma aposta no trabalho presencial como catalisador de inovação e progresso tecnológico.

Fonte: Forbes

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