Violência doméstica – Aumento do número de vítimas, diminuição das queixas

A União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) contabilizou o assassinato de 33 mulheres por violência doméstica até Setembro de 2012, mais seis do que em todo o ano de 2011. Contudo, o número de queixas diminuiu 10,9% em relação a 2010. A violência doméstica tem vindo a aumentar, porém as vítimas estão mais vulneráveis pelo medo de represálias e sobretudo devido à crise económica e aos cortes nos apoios.Segundo Elisabete Brasil da UMAR “Existe uma conjuntura favorável à não denúncia do crime”, referindo no entanto estão a aumentar os pedidos de apoio. João Lázaro da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) disse que há muitas mulheres que se “resignam” devido à falta de autonomia financeira. Os cortes nos apoios sociais vão aumentar a vulnerabilidade das mulheres, e ainda dificultar a sua autonomia para enfrentar o agressor.

Maria José Magalhães, presidente da UMAR, disse à TSF que foram contabilizadas até Setembro de 2012, 31 mulheres vitimas mortais da violência doméstica, e ainda e 31 casos de tentativa de homicídio relacionados com casos de violência doméstica. Contudo, face a 2010 e 2011 o número total de queixas diminuiu.

Segundo Maria José Magalhães, “essa diminuição significa aumento da violência doméstica…já estamos no maior número. Vai ser um ano trágico”, salientou a diretora da UMAR à Antena 1. “A crise apresenta dois fatores de agravamento do fenómeno da violência doméstica: por um lado, o agravamento da severidade dos atos, das agressões, e o aumento da frequência. Por outro, a falta de esperança das vítimas nesta situação. As vítimas não acreditam que possam reconstruir as suas vidas”.

“Nós podemos ver que a diminuição das denúncias significa o aumento destes casos mais graves e letais de tentativas”, diz ainda Maria José Magalhães, sublinhando que a “crise não aumenta a violência doméstica. Quem não era agressor não é com a crise que vai ficar. Há muitas pessoas desempregadas, muitos homens desempregados que não se tornam agressores por causa da crise. Agora o que é fundamental, até pelas condições económicas do país, é uma mudança das políticas sociais”.

Este fim-de-semana serão levadas a cabo várias iniciativas de denúncia e combate à violência doméstica. A UMAR irá apresentar dados referentes a 2012 do Observatório de Mulheres Assassinadas em Lisboa, em frente à MAC as 11;00h.

A Rede 8 de Março promove “Fim de semana pelo fim da violência contra as mulheres” no espaço associativo MOB (Travessa da Queimada, 33, Bairro Alto), que inclui um Workshop de Defesa pessoal para mulheres com Sakura Mónica, às 18h e Rita Red Shoes e DJ Miss Sara, às 22.30h. O fim-de-semana termina com uma marcha pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, às 15 h do Largo Camões ao Martim Moniz em Lisboa. A partir das 17h, Mercado Fusão Martim Moniz, com Orchidaceae Urban Tribal, Teatro O Bando e Dj SoulFlow.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here