Twitter é bloqueado na Nigéria após excluir um tweet do presidente

O Twitter está suspenso “indefinidamente na Nigéria, pelo uso persistente da plataforma para atividades que são capazes de por em risco a existência coletiva da Nigéria”, dizia um comunicado do ministro da informação e cultura do país.

A decisão ocorreu dias depois da plataforma ter removido um “tweet ameaçador” do presidente Muhammadu Buhari, tweet esse que o Twitter alegou ter enquadrado no seu regulamento de “comportamento abusivo”.

No sábado, o gabinete do Procurador-Geral da Nigéria e do ministério da justiça disse que “iria prender e processar qualquer pessoa que tentasse contornar a medida”, informou a CNN, e instruiu as agências governamentais a cooperarem com os procuradores no sentido de garantir um julgamento célere dos infratores. Diversas notícias divulgaram que as pessoas na Nigéria estavam a usar VPNs para tentar evitar a proibição e continuar usando o Twitter.

No tweet excluído de Buhari, ele deu indícios de que puniria os separatistas: “Muitos dos que se comportam mal, hoje, são muito jovens para estarem cientes da destruição e perda de vidas que ocorreram durante a guerra de Biafra”. “Aqueles de nós que estávamos no campo da batalha durante 30 meses, que passaram pela guerra, vão tratá-los na língua que eles entendem”. Buhari foi um major-general durante a guerra de Biafra, que fez mais de um milhão de mortos.

A equipa de políticas públicas do Twitter disse que, em comunicado, no sábado, estava profundamente preocupada e que trabalharia para restaurar o acesso na Nigéria. A Reuters informou no sábado que o site do Twitter não estava acessível em alguns operadores de telemóvel da Nigéria, mas parecia estar funcionando esporadicamente em alguns das maiores cidades como Lagos e Abuja.

“Suspender o Twitter na Nigéria é apenas mais uma forma de demonstrar que os direitos das pessoas não importam, mas apenas o que o Estado deseja”, twittou Osai Ojigho, diretor da Amnistia Internacional na Nigéria. “Este é um precedente perigoso e deve ser combatido pelo que é.” A Amnistia pediu às autoridades nigerianas que revogassem imediatamente a suspensão “e outros planos para amordaçar os media, reprimir o espaço cívico e minar os direitos humanos dos nigerianos”.

Em abril, o Twitter abriu seu primeiro escritório na África, em Gana, o que algumas individualidades da Nigéria consideraram uma afronta. Num comunicado, Twitter referiu-se ao apoio de Gana à liberdade de expressão, liberdade online e Internet aberta como as razões para sua decisão. O ministro da Informação da Nigéria, na época, tinha dito que a decisão do Twitter de não localizar os seus escritórios da África na Nigéria aconteceu devido à deturpação do país pelos media.

De acordo com um relatório da Amnistia Internacional, as autoridades nigerianas “usaram leis repressivas para assediar, intimidar, prender, deter defensores dos direitos humanos, ativistas sociais, trabalhadores da media e possíveis críticos. Atores não estatais também sujeitaram jornalistas a intimidação, assédio e espancamento.”

Fonte: The Verge

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