Testámos o Pixel Watch 5: a grande novidade não está onde esperávamos
O mercado dos smartwatches chegou a uma fase em que aumentar o número de sensores ou fazer pequenas alterações no design já não é suficiente para marcar a diferença. Com o Google Pixel Watch 5, a Google decidiu concentrar grande parte da evolução num elemento diferente: a inteligência artificial.
Neste artigo encontras:
- Design familiar e dois tamanhos disponíveis
- Processador mais rápido, 3 GB de RAM e 64 GB de armazenamento
- Gemini passa para o centro da experiência
- Gestos tornam a utilização mais simples
- Wear OS e ecossistema Google
- Google Health coloca a inteligência artificial ao serviço da saúde
- Health Guardian aposta na prevenção
- Fitness: acompanhamento preciso durante o exercício
- Monitorização do sono e alarme inteligente
- Autonomia superior a dois dias no modelo de 45 mm
- Preço e versões
- Pontos positivos
- Pontos negativos
- Conclusão: o Gemini é a verdadeira evolução do Pixel Watch 5
À primeira vista, quem colocar o novo relógio ao lado do Pixel Watch 4 poderá ter dificuldade em encontrar grandes mudanças. O formato circular continua presente, o vidro curvo mantém-se como uma das características visuais mais marcantes e até o conjunto de sensores é praticamente o mesmo. Por baixo dessa aparência familiar, porém, encontramos um processador mais rápido, mais memória RAM, o dobro do armazenamento e uma integração bastante mais profunda do Gemini.
É precisamente esta combinação que define o Pixel Watch 5. A Google não tentou reinventar o smartwatch enquanto objeto, preferindo transformá-lo num assistente mais inteligente, capaz de interpretar contexto, apresentar informação proativamente e utilizar dados de saúde e atividade física para fornecer recomendações personalizadas.
Design familiar e dois tamanhos disponíveis
O Pixel Watch 5 mantém uma das identidades visuais mais distintas entre os smartwatches Android. O vidro em formato de cúpula funde-se com o ecrã curvo, criando uma aparência elegante e minimalista. A Google disponibiliza duas dimensões, 41 mm e 45 mm. O modelo mais pequeno utiliza um ecrã de 1,27 polegadas, enquanto a versão maior aumenta a área para 1,46 polegadas.
Em ambos encontramos um painel Actua 360 AMOLED LTPO com cobertura DCI-P3 e brilho máximo de 3000 nits. A luminosidade adapta-se às condições ambientais, facilitando a consulta das informações no exterior. A construção utiliza uma caixa em alumínio de qualidade aeroespacial e vidro Corning Gorilla Glass 3D. Existe certificação IP68 contra água e poeiras e resistência à água de 5 ATM, permitindo utilizar o relógio durante atividades como a natação.
Há, contudo, um compromisso associado à estética. O vidro curvo encontra-se naturalmente mais exposto do que num relógio protegido por uma moldura elevada. Durante o período de avaliação descrito na informação de referência, o equipamento resistiu a sessões de exercício físico sem apresentar riscos ou danos visíveis, embora a durabilidade a longo prazo continue a ser um aspeto a considerar.
O modelo de 45 mm pesa cerca de 36,6 gramas sem bracelete, enquanto o de 41 mm fica próximo dos 30,9 gramas. A Active Band incluída é confortável, seca rapidamente e é fornecida em dois tamanhos.
Processador mais rápido, 3 GB de RAM e 64 GB de armazenamento
É no interior que encontramos algumas das diferenças mais importantes relativamente ao Pixel Watch 4.
O Pixel Watch 5 utiliza o Qualcomm Snapdragon W5 Gen 2 Accelerated, acompanhado por um coprocessador Cortex-M55. Segundo os dados apresentados pela Google, esta combinação proporciona um aumento de 12% no desempenho do CPU e uma melhoria global de desempenho de aproximadamente 20%.
Num smartwatch, porém, os números de desempenho são menos importantes do que a rapidez com que as aplicações abrem, a fluidez da interface e o tempo necessário para executar comandos ou responder através do assistente digital. É precisamente neste último ponto que o processador ganha importância. O Pixel Watch 5 consegue responder rapidamente a pedidos complexos realizados através do Gemini, incluindo situações em que necessita de consultar informações existentes em diferentes aplicações.
A memória RAM aumentou de 2 para 3 GB, enquanto o armazenamento interno duplicou dos anteriores 32 GB para 64 GB. Esta capacidade adicional é particularmente útil para quem instala várias aplicações ou pretende guardar música no relógio para ouvir sem depender do smartphone.
Gemini passa para o centro da experiência
A principal diferença do Pixel Watch 5 não está numa especificação tradicional. Está na forma como o Gemini se integra no Wear OS. O assistente pode ser ativado através de um botão, através de “Hey Google” ou simplesmente levantando o pulso quando a respetiva opção está ativa.
Podemos pedir ao Gemini para criar um compromisso no calendário, procurar uma localização no Google Maps ou controlar equipamentos de casa inteligente. Mas a novidade mais interessante está na capacidade de apresentar informação de forma proativa. O Gemini Intelligence consegue analisar o contexto e sugerir uma ação potencialmente útil antes de o utilizador a pedir explicitamente.
Se estiver a trocar mensagens com alguém sobre um jantar, por exemplo, o sistema pode apresentar automaticamente o número de telefone do restaurante. Durante uma viagem de autocarro, pode indicar quantas paragens faltam até ao destino. Numa chamada para uma empresa, pode recuperar um número de confirmação relevante e, a caminho do aeroporto, pode apresentar os detalhes do voo.
No geral, as sugestões contextuais mostraram utilidade em situações reais. Quando foi feita uma pergunta sobre a hora necessária para sair para um compromisso, por exemplo, o Gemini conseguiu consultar o calendário e posteriormente utilizar o Google Maps, considerando ainda a preferência por transportes públicos.
Esta integração entre aplicações poderá revelar-se mais importante para o futuro dos smartwatches do que simplesmente adicionar outro sensor ou aumentar a velocidade do processador.
Gestos tornam a utilização mais simples
A Google também melhorou os controlos através de gestos. É possível tocar duas vezes com o polegar e o indicador para selecionar determinadas opções, rodar rapidamente o pulso para rejeitar uma chamada ou regressar ao ecrã anterior e levantar o pulso para falar diretamente com o Gemini.
Anteriormente, estes comandos estavam limitados a determinadas aplicações ou áreas da interface. No Pixel Watch 5 passam a funcionar em praticamente qualquer ecrã. Em utilização , os gestos responderam de forma consistente, permitindo executar várias funções utilizando apenas uma mão.
Wear OS e ecossistema Google
Nas funções tradicionais de smartwatch, o Pixel Watch 5 oferece praticamente tudo aquilo que seria esperado de um relógio premium.
É possível realizar chamadas, enviar mensagens e efetuar pagamentos através de NFC sem retirar o smartphone do bolso. O Wear OS disponibiliza aplicações como Google Home, Google Keep e YouTube Music, além de aplicações de terceiros como Spotify e Strava.
A coroa permite abrir a lista de aplicações ou regressar rapidamente ao mostrador. Um duplo toque dá acesso ao Google Pay, enquanto o botão lateral apresenta as aplicações utilizadas recentemente e permite ativar o Gemini.
Existe, contudo, uma limitação importante: o Pixel Watch 5 é exclusivo de Android e necessita de um smartphone com Android 12 ou superior.
Google Health coloca a inteligência artificial ao serviço da saúde
Os dados recolhidos pelo relógio são apresentados através da aplicação Google Health, que concentra informações sobre atividade física, stress, sono e diferentes indicadores fisiológicos.
O Daily Readiness Score utiliza elementos como variabilidade da frequência cardíaca, frequência cardíaca em repouso e qualidade do sono para ajudar a perceber se é um bom dia para aumentar a intensidade do exercício ou privilegiar a recuperação.
Existe ainda o Cardio Load, que analisa o esforço acumulado ao longo de sete dias e apresenta um objetivo pensado para ajudar a equilibrar treino e recuperação. Na aplicação podem ser consultados dados como frequência respiratória, variabilidade cardíaca, frequência cardíaca em repouso, variações da temperatura da pele e SpO2.
O conjunto de sensores, porém, é essencialmente o mesmo do Pixel Watch 4. A estratégia da Google passa, portanto, por utilizar melhor os dados disponíveis em vez de simplesmente acrescentar mais hardware.
Health Guardian aposta na prevenção
Uma das novidades mais ambiciosas chama-se Health Guardian. O objetivo é utilizar os sensores e inteligência artificial para identificar alterações que possam justificar atenção por parte do utilizador.
Entre as funcionalidades anunciadas encontram-se tendências de pressão arterial, deteção de emergências respiratórias e tendências relacionadas com resistência à insulina, além da já existente deteção de perda de pulso.
Estas ferramentas devem, contudo, ser interpretadas com prudência. Segundo a informação fornecida, algumas ainda não estavam disponíveis para avaliação durante o teste original e determinadas funções não possuem aprovação regulatória para diagnóstico médico.
A funcionalidade relacionada com resistência à insulina, por exemplo, não é apresentada pela Google como ferramenta de diagnóstico ou pré-rastreio de diabetes.
Fitness: acompanhamento preciso durante o exercício
O Pixel Watch 5 consegue acompanhar automaticamente ou manualmente diferentes atividades físicas. Durante os testes, a precisão da frequência cardíaca foi comparada com a de um Apple Watch Ultra 3 durante uma corrida de 30 minutos e uma sessão HIIT de uma hora.
Os valores do Pixel Watch 5 acompanharam as oscilações registadas pelo relógio da Apple, mantendo-se geralmente dentro de uma diferença de 5 a 10 batimentos por minuto. As médias e os valores máximos registados pelos dois equipamentos coincidiram nos testes relatados.
Os corredores beneficiam ainda de métricas avançadas como tempo de contacto com o solo, cadência, comprimento da passada, oscilação vertical e relação vertical.
O GPS mantém uma configuração semelhante à geração anterior, mas a Google melhorou o software para reduzir erros provocados por edifícios altos, árvores e condições atmosféricas. Como estas melhorias dependem sobretudo do software, também deverão chegar ao Pixel Watch 4 através de atualização.
Monitorização do sono e alarme inteligente
Durante a noite, o Pixel Watch 5 acompanha a duração total do sono, o tempo passado em cada fase, variações de oxigénio e frequência cardíaca média. Estes dados são utilizados para calcular uma pontuação global.
A nova geração acrescenta monitorização da qualidade da respiração durante o sono e da forma como esta influencia os níveis de oxigénio no sangue. A Google anunciou ainda uma melhoria de 15% na precisão da monitorização através de alterações de software.
Outra novidade é o alarme inteligente, que pode despertar o utilizador quando este se encontra numa fase mais ligeira do sono, dentro de uma janela temporal previamente definida.
Autonomia superior a dois dias no modelo de 45 mm
A bateria é frequentemente um dos principais problemas dos smartwatches avançados. Neste ponto, o Pixel Watch 5 consegue apresentar resultados interessantes. A versão de 45 mm possui uma bateria de 465 mAh, enquanto o modelo de 41 mm utiliza uma unidade de 332 mAh.
A Google aponta para aproximadamente 40 horas de autonomia no modelo maior e até 30 horas no mais pequeno. Contudo, durante o teste consegui utilizar o rel´ógo durante mais de 2 dias. O resultado torna-se ainda mais relevante porque foi obtido com o Always-On Display ativado e uma sessão diária de exercício acompanhada por GPS.
Quando chega o momento de carregar, o processo também é rápido. No teste realizado, o relógio passou de 5% para 100% em cerca de 45 minutos. O carregador utiliza USB-C, mas é necessário fornecer o próprio adaptador de corrente, sendo que ter ligação proprietários de carregamento, em vez de utilizar carregamento sem fios, é um contra.
Preço e versões
Segundo a informação fornecida, o Pixel Watch 5 começa nos 419€ para a versão de 41 mm com Bluetooth e Wi-Fi. O modelo de 45 mm começa nos 449€, sendo necessário adicionar 100€ para escolher uma variante com LTE. O Pixel Watch 4 tinha sido lançado a partir de 399€.
Esta subida é especialmente relevante porque várias das novidades de software do Pixel Watch 5 também deverão chegar ao modelo anterior através de atualizações.
Pontos positivos
- Integração profunda e proativa do Gemini;
- Autonomia superior a dois dias no modelo de 45 mm;
- Carregamento rápido;
- Design elegante e reconhecível.
Pontos negativos
- Poucas alterações físicas relativamente ao Pixel Watch 4;
- Preço de entrada mais elevado;
- Carregamento por ligação proprietária
Conclusão: o Gemini é a verdadeira evolução do Pixel Watch 5
O Google Pixel Watch 5 é uma atualização peculiar. O design pouco mudou, os sensores são essencialmente os mesmos e até a autonomia oficial permanece próxima da geração anterior. Quem olhar exclusivamente para a ficha técnica poderá considerar esta evolução demasiado conservadora.
Mas essa leitura ignora aquilo que a Google está realmente a tentar fazer. O Pixel Watch 5 procura transformar o smartwatch num assistente contextual permanentemente disponível no pulso.
O Gemini é fundamental nesta estratégia. Em vez de esperar sempre por comandos, começa a utilizar contexto para apresentar informação potencialmente relevante. O mesmo princípio é aplicado à saúde, onde os dados de atividade, sono e recuperação deixam de servir apenas para alimentar gráficos e passam a contribuir para recomendações mais personalizadas.
Existem também melhorias de hardware importantes. O Snapdragon W5 Gen 2 Accelerated aumenta a rapidez da experiência, os 3 GB de RAM oferecem maior margem ao sistema e os 64 GB duplicam o armazenamento da geração anterior.
A autonomia do modelo de 45 mm também merece destaque. As 56,5 horas registadas no teste de referência, com ecrã sempre ligado e utilização diária de GPS, representam um resultado bastante competente. O carregamento de 5% a 100% em cerca de 45 minutos reduz ainda mais a inconveniência associada à bateria.
A principal dificuldade está em justificar a atualização para quem já possui um Pixel Watch 4. Muitas das novas funcionalidades dependem do software e estão previstas para chegar à geração anterior, diminuindo a diferença entre os dois modelos.
Para quem entra agora no ecossistema Pixel, a situação é diferente. O Pixel Watch 5 combina um design elegante, boa autonomia, carregamento rápido, acompanhamento competente de atividade física e uma integração de inteligência artificial bastante ambiciosa.
Mais do que uma revolução de hardware, estamos perante uma demonstração da direção que a Google acredita que os relógios inteligentes devem seguir: menos preocupados em acumular sensores e cada vez mais capazes de interpretar os dados e o contexto do utilizador.
O Pixel Watch 5 pode parecer muito semelhante ao seu antecessor, mas a Google quer que seja aquilo que está por dentro — especialmente o Gemini — a justificar a nova geração.






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