A Nintendo acaba de reescrever o seu próprio livro de recordes. O Switch original atingiu 155,37 milhões de unidades vendidas até 31 de dezembro de 2025, ultrapassando a família DS (154,02 milhões) e tornando-se a consola mais vendida de sempre da marca. É um feito que parecia improvável quando o híbrido chegou ao mercado, mas que hoje confirma a aposta vencedora num formato portátil/de mesa com catálogo de jogos de apelo massivo e duradouro.
A corrida ainda não acabou: o Switch está agora a 5,27 milhões de unidades do trono absoluto, ocupado pela PlayStation 2. Para lá chegar, a Nintendo terá de prolongar a disponibilidade e o interesse no modelo original durante, pelo menos, mais alguns ciclos de compras — algo que, à luz dos números recentes, está longe de ser impossível.
Uma estratégia de “duas vidas”: vender o novo sem matar o antigo
O que torna este momento singular é a coexistência saudável de duas gerações. Mesmo “ofuscado” pelo lançamento do Switch 2, o modelo original não abrandou de forma dramática: no terceiro trimestre do ano fiscal de 2026, somou mais 1,36 milhões de unidades, ajudado por um preço agressivo e por uma biblioteca que continua a crescer. É a clássica jogada de alongar o ciclo de vida — uma técnica que a própria Sony explorou com a PS2 — mas aplicada a uma consola híbrida com ecossistema muito próprio.
Para os consumidores, isto traduz-se em escolhas claras:
- quem quer entrar no universo Nintendo ao menor custo encontra no Switch original um ponto de entrada sólido;
- quem procura o arranque mais rápido, melhores perspetivas a médio prazo e os grandes lançamentos, tem no Switch 2 a aposta óbvia.
Switch 2: o arranque mais veloz de sempre na casa de Kyoto
Se o Switch original dá lições de longevidade, o Switch 2 é pura aceleração. Em plena época festiva, a consola vendeu 7,01 milhões de unidades e totalizou 17,37 milhões no acumulado do ano fiscal até ao final do terceiro trimestre. Segundo a própria Nintendo, é a plataforma dedicada de videojogos de lançamento mais rápido na sua história. A meta oficial de 19 milhões até 31 de março de 2026 está ao alcance com margem, depois de o objetivo inicial (15 milhões para o primeiro ano fiscal) ter sido, na prática, ultrapassado.
Este arranque não acontece no vazio: é consequência de um pipeline afinado e de uma mensagem clara ao mercado. A Nintendo não tem de convencer ninguém do valor do formato; limita-se a amplificar uma proposta que já conquistou um público gigantesco.
Jogos que vendem consolas, resultados que validam a estratégia
No ecossistema Nintendo, software é gasolina. Mario Kart World soma 14 milhões de cópias e Donkey Kong Bananza já vai em 4,25 milhões desde o lançamento do Switch 2. São títulos que cumprem o papel clássico de “system sellers”: captam novos utilizadores e, ao mesmo tempo, fazem o público existente migrar ou duplicar hardware dentro de casa.
Os números financeiros refletem essa dinâmica. No terceiro trimestre, a empresa registou 803,32 mil milhões de ienes em vendas (mais 86% face ao ano anterior), com um lucro de 159,93 mil milhões de ienes (mais 20%). O crescimento é impressionante, ainda que ligeiramente abaixo de algumas expetativas do mercado — um lembrete de que manter o ritmo dependerá da cadência de lançamentos e da capacidade de evitar “janelas vazias”.
2026 em foco: calendário, riscos e a corrida ao recorde absoluto
Para sustentar a curva, a Nintendo prepara um início de ano consistente. Mario Tennis Fever chega a 12 de fevereiro e, semanas depois, a 5 de março, é a vez de Pokemon Pokopia. Não são apenas nomes grandes; são marcas com histórico de escala global e forte índice de retenção. A questão-chave é se a empresa conseguirá manter um fio condutor trimestral, alternando pesos-pesados com surpresas que preencham o catálogo e deem motivos regulares para comprar hardware e regressar à eShop.
Quanto ao recorde absoluto de consolas, a matemática é clara: faltam 5,27 milhões ao Switch para ultrapassar a PS2. Com o modelo original ainda a vender por preço/valor e o Switch 2 a expandir a base, a probabilidade de a Nintendo estender a vida comercial do hardware anterior é elevada. Bundles, edições especiais e campanhas sazonais poderão ser o empurrão final. Não será imediato — mas está, realisticamente, ao alcance.
FAQ
– O Switch original ainda vale a pena em 2026?
Sim, sobretudo para quem quer entrar no ecossistema Nintendo ao menor custo e aceder a uma biblioteca gigantesca. Continua a vender de forma saudável e tem um rácio preço/valor muito competitivo.
– O Switch 2 vai superar a meta de vendas deste ano fiscal?
A meta é 19 milhões até 31 de março de 2026. Com 17,37 milhões até ao final do terceiro trimestre e um Natal muito forte, tudo indica que sim.
– Quais os jogos que mais impulsionaram o arranque do Switch 2?
Mario Kart World, com 14 milhões de unidades, e Donkey Kong Bananza, com 4,25 milhões, foram determinantes para o ritmo de adoção inicial.
– O Switch pode ultrapassar a PS2 como consola mais vendida de sempre?
Está a 5,27 milhões de unidades. Se a Nintendo mantiver o modelo original no mercado, com bons bundles e preço agressivo, é plausível que aconteça nos próximos ciclos.
– Que lançamentos imediatos podem mexer com as vendas?
Mario Tennis Fever (12 de fevereiro) e Pokemon Pokopia (5 de março) são os destaques de início de ano e devem sustentar o momentum do hardware.
Fonte: Engadget






























