Sora pode custar 15 milhões de euros por dia à OpenAI
A OpenAI lançou o Sora com ambição de mudar a forma como criamos e consumimos vídeo: um modelo de geração (Sora 2) integrado numa aplicação com feed vertical ao estilo TikTok, onde é possível criar, remisturar e fazer cameos com amigos. A proposta é irresistível para criadores e curiosos.
Mas, por detrás do deslizar infinito do feed, há uma conta gigantesca a pagar: a operação custa, segundo estimativas publicadas pela Forbes, perto de 15 milhões de euros por dia. É o preço da magia da IA generativa quando esta se escala a milhões de utilizadores.
Gerar vídeo com IA não é tão “barato” como gerar texto ou imagens estáticas. Um clipe de 10 segundos exige muitos minutos de processamento de GPU. As estimativas apontam para cerca de 40 minutos de computação por vídeo curto. Mesmo com tarefas em paralelo e otimizações, a fatura soma-se depressa. A conta de referência ronda 1,30 euros por cada 10 segundos gerados, o que está alinhado com a própria grelha de preços da OpenAI: um euro por 10 segundos no Sora; e dois a três euros no Sora 2 Pro, mais avançado.

A aplicação combina essa potência com uma experiência social: um feed de rolagem vertical, exploração de tendências e ferramentas para remisturar conteúdos. É uma fórmula semelhante ao que a Meta tem testado com experiências tipo Vibes: criatividade em alta rotação, em cima de um motor de IA de última geração.
O Sora já terá cerca de 4,5 milhões de utilizadores. Se apenas um quarto publicar 10 clipes por dia, estamos a falar de, aproximadamente, 11,3 milhões de vídeos diários. Multiplicando por 1,30 euros cada, chegamos perto de 15 milhões de euros… todos os dias. Num ano, seriam mais de 5 mil milhões de euros. É uma operação sem precedentes na história recente das plataformas sociais, e ajuda a explicar por que razão a OpenAI admite que o modelo, tal como está, não é sustentável a longo prazo.
Para mitigar o consumo, a app opera com um sistema de créditos: cada utilizador recebe 30 créditos diários e pode comprar packs extra (por exemplo, 10 créditos por 4 euros). É um travão suave ao entusiasmo criativo, que dá à OpenAI margem para ajustar a economia do produto enquanto estuda o comportamento dos utilizadores.
Enquanto estes números podem chocar, a empresa compromete-se com um plano de investimento colossal: 1,3 mil milhões de euros em infra-estrutura para suportar esta nova vaga de IA multimodal. O resultado é um paradoxo: crescimento e tração extraordinários, mas lucros adiados, pressionados por custos operacionais que disparam quando a criatividade de milhões de pessoas se materializa em vídeos gerados por IA.
Para marcas, o Sora abre um leque de conteúdos sempre frescos, a custos ainda competitivos quando comparados com filmagens tradicionais. O desafio não é “se” usar; é “como” integrar, com disciplina nas métricas e um pipeline de criativo que respeite orçamento e objetivos.


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