Sistema de benefícios da Google abrange os empregados mesmo depois da morte

Quando um empregado da Google morre, o companheiro que ficou viúvo ganha automaticamente direito a 50 por cento do ordenado do falecido durante dez anos. Trabalhar na empresa de Mountain View consegue ser benéfico até no Além.

A Google é uma das maiores empresas do mundo e proporciona condições aos seus funcionários como tal. Alimentação, barbearia e cabeleireiro, creches, lavandaria, ginásio, centro de saúde e limpeza de carros. Todos estes serviços estão ao dispor dos Googlers dentro do próprio local de trabalho, o que transforma o Googleplex num dos melhores sítios e com melhores condições para se trabalhar em todo o mundo. A gigante dos motores de busca é conhecida pela vasta prestação de recursos in loco aos seus empregados para que nada lhes falte e nada os preocupe, de maneira a que cada um possa concentrar-se no seu trabalho e consiga desenvolver novas ideias.

Mas a publicação Forbes numa entrevista com Laszlo Bock, chefe de recursos humanos na Google, conseguiu descobrir que as ofertas da empresa para com os seus subordinados vai além do trabalho e até da própria vida. “Isto pode parecer ridículo, mas a Google oferece benefícios relacionados com a morte”, referiu Bock. Um empregado da Google que morra, garante ao seu companheiro de relação vivo metade do seu rendimento durante uma década. E as ações que o falecido tivesse, passam imediatamente para o nome do cônjuge. Esta é uma medida altruísta e que eleva ao máximo o mote da empresa do Don’t Be Evil.

Se os primeiros serviços servem para estimular os empregados na sua produtividade, com o sistema de rendimentos pós-morte nem a Google nem o falecido lucram com a situação. “Em algum momento da vida vamos ser confrontados com a morte do nosso parceiro. É uma situação horrível, são tempos difíceis independentemente de tudo (…) e nós como empresa tentamos ajudar o companheiro vivo do Googler que faleceu”, esclareceu Laszlo Bock.

Além de deixar parte do ordenado durante 10 anos, o plano de pós-morte da Google contempla ainda os filhos que ficaram sem o pai Googler. Nestes casos o jovem recebe mil dólares por mês, todos os anos, até completar os 19 anos de idade ou os 23 anos caso seja estudante a tempo inteiro.

As declarações não deixam de ser impressionantes tendo em conta que a Google não faz “nenhuma exigência de posse ou garantia” ao trabalhador falecido, como estar na empresa há X anos ou ter feito Y descontos. E olhando para os mais de 34 mil empregados a quem dá trabalho, a Google ainda gasta bastante dinheiro com os que já não vivem. O tema da morte surgiu quando o enviado da Forbes quis saber mais sobre o sistema de benefícios da empresa e o modo como este se adaptava às diferentes faixas etárias que co-habitam no Googleplex em Mountain View. O empregado mais velho da empresa tem 83 anos.

A Google não pensa nas pessoas pela idade mas pelo tipo de aglomerados em que cada indivíduo se insere. Antecipar os grandes momentos da vida das pessoas sempre foi uma das principais preocupações da Google enquanto gestora dos seus próprios recursos humanos. Laszlo Bock referiu por exemplo que quando a empresa ainda tinha menos de 100 empregados, Sergey Brin, o co-fundador da Google, queria garantir uma ama para cada trabalhador da empresa. Apesar de não se ter concretizado dessa forma, existem creches no centro de trabalhos da multinacional norte-americana que permitem aos pais estarem perto dos filhos e facilitar nas tarefas educação-trabalho.

E cada serviço benéfico que a Google oferece não tem simplesmente por base o facto de ser uma das maiores e mais lucrativas empresas do mundo. “Não se trata de dinheiro. Nós temos pesquisas que nos indicam que a aplicação de determinados benefícios irá fazer crescer o empregado nalgum aspeto também” disse Bock. O Googlegeist é um questionário que os recursos humanos fazem circular na empresa a fim de detetarem novas tendências sociais que possam precisar de ajustamentos em termos de disponibilidade de serviços. “Nós não fazemos isto por ser importante para o negócio, nós fazemos por ser a coisa certa a fazer” conclui Laszlo Bock em conversa com a Forbes.

Mesmo depois da morte, a Google reconhece o contributo que cada um deu à empresa durante a sua passagem lá.

2 COMENTÁRIOS

  1. É essa politica de valorização das pessoas que faz com a Google seja uma das maiores empresas do mundo e a melhor empresas para se trabalhar. Quando se valoriza o homem e não o lucro é qua a empresa pode considerar-se um bem social.
    Isso não significa super-roteger ninguem, pois todos sabem que tem produzir resultados. Não se compara aos funcionários públicos brasileiros que só exigem sem dar nada em troca.

  2. Fantástico!
    Dar valor aos funcionários é a melhor forma de uma empresa crescer!
    Em Setembro vou integrar uma comitiva portuguesa que viaja para conhecer a sede deste gigante 😀 Can’t wait!

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