Shokz OpenSwim Pro: uns auriculares que funcionam tão bem na piscina como no ginásio
Durante muito tempo, os auriculares de condução óssea foram vistos como um compromisso: ganhava-se segurança e consciência do ambiente, mas sacrificava-se qualidade sonora e versatilidade.
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A Shokz foi uma das marcas que mais contribuiu para mudar essa percepção, sobretudo entre corredores e atletas outdoor. No entanto, quando lançou os primeiros OpenSwim, havia uma limitação difícil de ignorar: funcionavam apenas com ficheiros MP3, sem qualquer ligação Bluetooth.
Com os Shokz OpenSwim Pro, essa lacuna desaparece. Pela primeira vez, a marca junta armazenamento interno para música e Bluetooth, mantendo resistência total à água e um formato pensado para treinos exigentes. O resultado é um dos produtos mais interessantes alguma vez feitos para quem alterna entre piscina, estrada e ginásio.
Mas será que esta evolução faz dos OpenSwim Pro os auriculares ideais para todos os atletas? Depois de várias semanas de testes em ambientes muito diferentes, a resposta é mais equilibrada — e mais interessante — do que parece.
Um design familiar, mas pensado para durar
À primeira vista, os OpenSwim Pro não fogem muito ao ADN da Shokz. O formato open-ear com ganchos auriculares e banda traseira mantém-se, recorrendo a uma liga de níquel-titânio que garante flexibilidade e resistência. O revestimento em silicone é macio, agradável ao toque e confortável mesmo em utilizações prolongadas.
Com apenas 27 gramas, são extremamente leves. Durante corridas longas ou sessões de ginásio com mais de duas horas, é fácil esquecermo-nos de que estão colocados. Na piscina, a estabilidade é exemplar: não se mexem, não criam arrasto e mantêm a posição mesmo em viragens mais agressivas.
Há, no entanto, pequenos compromissos. A banda traseira pode incomodar em exercícios realizados deitado, como supino, e não se dá particularmente bem com combinações de óculos de sol e boné. Não é um problema grave, mas convém saber ao que se vai.
A certificação IP68 permite submersão total e prolongada, e a sensação geral é de um produto feito para sobreviver a ambientes hostis. Mesmo exposições extremas ao calor — como sessões de sauna — não causaram qualquer problema durante os testes, o que diz muito sobre a robustez do conjunto.
MP3 e Bluetooth: finalmente juntos no mesmo produto
A grande novidade dos OpenSwim Pro é a coexistência de dois modos de reprodução. Por um lado, continuam a oferecer 32 GB de armazenamento interno, suficientes para milhares de músicas em MP3. Por outro, passam finalmente a permitir ligação Bluetooth, abrindo a porta ao streaming, podcasts e chamadas.
Esta combinação transforma por completo o posicionamento do produto. Na piscina, onde o Bluetooth simplesmente não funciona, o modo MP3 continua a ser essencial. Em corrida, ginásio ou ciclismo, o Bluetooth traz uma liberdade que os OpenSwim originais nunca tiveram.
A transferência de ficheiros é simples, feita por ligação directa a um computador. No entanto, aqui surgem algumas limitações difíceis de ignorar. Não existe uma forma prática de gerir playlists diretamente nos auriculares ou numa aplicação. A ordem das músicas depende da numeração dos ficheiros, o que exige algum trabalho manual prévio. Para quem gosta de organização detalhada, isto pode tornar-se frustrante.
Além disso, a dependência de um cabo de carregamento proprietário não ajuda. Se o perderes, não há alternativa imediata como acontece com USB-C.
Qualidade sonora: realista para condução óssea
É importante alinhar expectativas. Os OpenSwim Pro não foram feitos para competir com auriculares in-ear premium em termos de qualidade sonora. A condução óssea tem limitações físicas claras, sobretudo nos graves.
Em ambiente seco, o som é limpo, equilibrado e suficientemente detalhado para treinos. Há dois modos de equalização: um padrão e outro focado na voz. As diferenças existem, mas são subtis. O volume máximo é aceitável, embora quem gosta de música muito alta possa sentir falta de impacto, especialmente em ginásios barulhentos ou zonas urbanas com trânsito intenso.
Onde os OpenSwim Pro realmente surpreendem é dentro de água. A condução óssea beneficia do isolamento natural da piscina e o som torna-se mais encorpado, mais cheio e mais agradável do que em terra. Para quem nada regularmente, é uma experiência difícil de largar depois de experimentada.
Não há cancelamento activo de ruído, nem faria grande sentido neste tipo de produto. A filosofia aqui é outra: manter-te consciente do ambiente, seja na estrada, no ginásio ou num espaço público.
Chamadas e utilização diária
Com a introdução do Bluetooth, chegam também os microfones com cancelamento de ruído para chamadas. A qualidade é competente para atender chamadas rápidas durante uma caminhada ou corrida leve. Não substitui uns auriculares dedicados a chamadas profissionais, mas cumpre bem o seu papel.
Os controlos físicos são simples e eficazes, mesmo com mãos molhadas ou em movimento. O botão principal é fácil de localizar, mas os controlos de volume são pequenos e exigem alguma habituação.
Autonomia: suficiente, mas não revolucionária
A Shokz anuncia até 9 horas em modo Bluetooth e 6 horas em modo MP3. Na prática, estes valores são realistas, embora variem bastante consoante o volume e o tipo de utilização.
Um treino longo de natação consome bateria de forma visível, enquanto corridas em Bluetooth são surpreendentemente eficientes. A ausência de um estojo de carregamento limita um pouco a flexibilidade para atividades ultra-longas, mas a função de carregamento rápido — cerca de três horas com dez minutos na tomada — ajuda a contornar essa limitação.
Para a maioria dos atletas, a autonomia é suficiente para uma semana de treinos variados sem grandes preocupações.
Um produto de nicho que faz sentido
Os Shokz OpenSwim Pro não são auriculares universais. Não são ideais para quem procura isolamento total, graves potentes ou um sistema avançado de playlists. Mas isso nunca foi o objectivo.
São, isso sim, uns dos auriculares mais versáteis alguma vez criados para atletas. Funcionam na piscina, na estrada, no ginásio e até no escritório. Permitem treinar com música sem comprometer a segurança. E fazem-no com conforto, robustez e uma fiabilidade que justifica o preço.
Para triatletas, nadadores, duatletas ou simplesmente para quem alterna entre treinos aquáticos e terrestres, os OpenSwim Pro oferecem algo verdadeiramente único no mercado.
Veredito: Shokz OpenSwim Pro
Prós
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Combinação única de Bluetooth e reprodução MP3, ideal para treino sem telefone
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Excelente conforto e leveza, mesmo em sessões longas
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Condução óssea eficaz na água, destacando-se em natação
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Resistência IP68 à água e suor, adequada a uso intensivo
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Boa autonomia e carregamento rápido sem estojo
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Qualidade de construção robusta, adequada a ambientes desportivos
Contras
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Qualidade de som limitada, com graves leves, típica de condução óssea
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Sem gestão de playlists integrada, exigindo organização prévia no computador
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Botões de controlo pequenos e algo exigentes em uso desportivo
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Ausência de estojo de carregamento reduz a mobilidade
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Não ideal para ambientes muito barulhentos sem cancelamento activo de ruído
A adição do Bluetooth transforma os Shokz OpenSwim Pro no produto mais completo da marca até à data. Mantêm tudo o que tornava os OpenSwim especiais e corrigem a sua maior falha. O som é o esperado para condução óssea, a autonomia é sólida e o conforto é exemplar.
São caros? Sim. Existem alternativas mais baratas? Também. Mas poucas — ou nenhumas — conseguem oferecer esta combinação de MP3 + Bluetooth + impermeabilidade total + conforto prolongado num único produto.
Para quem leva o treino a sério, dentro e fora de água, os Shokz OpenSwim Pro são uma aposta segura.









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