Robôs da Figure já trabalham 24 horas em direto
Há uma nova montra para o futuro do trabalho — e está a ser transmitida ao vivo. A Figure AI colocou vários robôs humanoides a operar num centro de logística nos Estados Unidos, num sistema contínuo que já soma dezenas de horas sem intervenção humana.
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A empresa mostra tudo no YouTube: máquinas com nomes como Gary, Bob, Rose e Jim a pegar em encomendas, a orientá-las corretamente e a colocá-las na passadeira num ritmo que a marca descreve como próximo do humano.
O que mostram os robôs da Figure em direto
A tarefa parece simples, mas é repetitiva e exige consistência: identificar o código de barras nas embalagens, rodar os volumes quando necessário e colocá-los na esteira com a orientação certa.
Segundo a Figure AI, os robôs trabalham por turnos, trocando de posto a cada poucas horas. Quando um precisa de sair de operação, outro entra quase de imediato, mantendo o fluxo sem paragens visíveis.
Esse detalhe ajuda a explicar porque é que a transmissão já ultrapassou largamente a meta inicial de demonstração. O objetivo era observar cerca de oito horas seguidas de atividade, mas o sistema continuou a funcionar muito para além disso.
Porque é que isto importa
Não se trata apenas de uma demonstração tecnológica para impressionar nas redes sociais. A grande questão aqui é o uso prático de robôs humanoides em ambientes reais, fora de laboratórios ou vídeos promocionais altamente controlados.
Na logística, tarefas repetitivas como separar, virar e mover encomendas consomem tempo e mão de obra. Se estes robôs conseguirem manter um ritmo estável durante longos períodos, podem tornar-se uma alternativa relevante em operações onde a eficiência conta ao minuto.
Para o utilizador comum, isto é mais do que uma curiosidade futurista. É um sinal claro de que a inteligência artificial física está a sair do campo das promessas e a entrar em cenários concretos de trabalho.
Como é o Figure 03
O modelo usado nesta operação é o Figure 03, sucessor do Figure 01, um robô humanoide com 1,72 metros de altura e 61 quilos. Foi pensado para tarefas do dia a dia, mas está agora a ser testado também em contexto industrial.
Tem autonomia para cerca de cinco horas, desloca-se até 1,2 metros por segundo e consegue transportar cargas até 20 quilos. A empresa diz ainda que o robô consegue lidar com escadas, curvas e pisos irregulares sem dificuldade relevante.
IA que aprende com o tempo
O Figure 03 recorre ao sistema Helix-02, um modelo de inteligência artificial criado para aprender e evoluir com a experiência. Na prática, isso significa que o robô usa informação visual e linguagem para melhorar a forma como executa tarefas físicas.
Em vez de repetir apenas movimentos pré-programados, a ideia é que ganhe eficiência com o uso contínuo. É precisamente esse ponto que torna estas demonstrações tão observadas por analistas e empresas do setor.
Troca automática e autorrecuperação
Outro aspeto relevante é a capacidade de recuperação. Se houver uma falha, o sistema pode fazer um reset ao robô afetado e, em paralelo, substituí-lo por outro para evitar interrupções prolongadas.
Na prática, a operação funciona quase como uma equipa em rotação permanente. Uns robôs trabalham, outros carregam, e outros ficam prontos para entrar caso surja algum problema.
Logística é só o começo
Embora este projeto esteja centrado num centro logístico norte-americano, a tendência vai muito além deste caso. O interesse por robôs com IA embarcada ganhou força em 2026, com várias demonstrações públicas e testes em ambientes reais.
Nos últimos meses, também surgiram experiências com humanoides em aeroportos e fábricas, sobretudo em tarefas de carga e apoio físico. A promessa é sempre a mesma: automatizar trabalho repetitivo sem depender de máquinas fixas ou demasiado especializadas.
Esse é precisamente um dos trunfos dos humanoides. Como têm forma semelhante à humana, conseguem adaptar-se mais facilmente a espaços já desenhados para pessoas.
O fascínio da transmissão ao vivo
Parte do sucesso desta iniciativa está no formato. Em vez de publicar apenas um vídeo editado, a Figure AI optou por uma live contínua, permitindo ver falhas, pausas, trocas de turno e o desempenho real dos robôs ao longo do tempo.
Isso gera curiosidade, mas também escrutínio. Quem acompanha consegue perceber melhor até que ponto a tecnologia está realmente pronta para ambientes exigentes.
É também por isso que esta transmissão está a chamar a atenção de analistas de mercado e entusiastas de robótica. Ver robôs humanoides a trabalhar 24 horas em direto já não parece uma cena de ficção científica — parece um teste ao futuro do emprego industrial.





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