Início Diversos Receitas recorde da Samsung, lucros triplicam com chips de IA

Receitas recorde da Samsung, lucros triplicam com chips de IA

Depois de dois anos de travessia no deserto, a Samsung volta a subir ao palco com números que fazem levantar sobrancelhas em Wall Street e no Vale do Silício. Para o quarto trimestre de 2025, a tecnológica sul-coreana antecipa receitas na ordem dos 93 biliões de won (cerca de 64,16 mil milhões de dólares) e um lucro que deverá aproximar-se dos 20 biliões de won (cerca de 13,8 mil milhões de dólares).

Em termos simples: a faturação cresce cerca de 23% face ao ano anterior e o resultado operacional praticamente triplica. Se se confirmar, será um novo máximo histórico, superando o pico atingido em 2018, então impulsionado pelo “superciclo” da memória.

O que mudou? A resposta cabe numa palavra que dominou 2025: IA. A explosão de infraestrutura para inteligência artificial generativa reativou um mercado de memória que, há pouco mais de um ano, sofria com excesso de stock e preços deprimidos.

IA como motor: memória HBM, DRAM e NAND voam das prateleiras

Os alicerces desta recuperação estão nas vendas de chips de memória DRAM, HBM e NAND que alimentam servidores de IA à escala global. Fabricantes de processadores e operadores de cloud de primeira linha, como AMD, Google, Meta, Microsoft, Nvidia e OpenAI, estão a encomendar hardware como nunca. Para treinar e servir modelos de linguagem, visão e multimodalidade são necessários terabytes de memória de elevada largura de banda (HBM) por servidor, latências apertadas e um pipeline de dados constante. Resultado: cada nova placa aceleradora carrega mais camadas de HBM e mais capacidade DRAM, e os centros de dados multiplicam-se.

Receitas recorde da Samsung; lucros triplicam com chips de IA

Neste contexto, a Samsung, maior fabricante mundial de memória, aproveita a boleia. A empresa coloca no mercado volumes significativos de HBM de última geração, DRAM de alto desempenho e NAND para armazenamento de dados quentes e frios, endereçando tanto a computação acelerada como a expansão de capacidade nos data centers. Não é por acaso que a divisão Device Solutions, responsável pelos semicondutores, deverá concentrar o grosso do lucro trimestral  estimado em pelo menos 15 biliões de won.

Entre rivais e certificações: o percurso até à aprovação da Nvidia

A corrida à HBM é feroz. SK Hynix e Micron disputam milímetro a milímetro aprovações com os grandes compradores. A Samsung passou por meses complicados entre 2023 e 2024, sobretudo na qualificação de HBM3 e HBM3E para as plataformas da Nvidia. Esse capítulo virou a página no último ano, com a validação da HBM3E e, mais recentemente, com relatos de luz verde também para HBM4. Estas certificações contam: cada aprovação abre portas a contratos de alto valor e a uma presença mais sólida na lista de fornecedores dos aceleradores mais procurados do mercado.

A progressão técnica (pilhas mais altas, interposers mais densos, maior eficiência térmica) e a capacidade de escalar produção de forma fiável e com bons yields são o bilhete de entrada neste club restrito. É isso que está a puxar a curva de preços e a margem para cima.

O retrato por divisões: semicondutores dominam, mobile segura, foundry aproxima-se do equilíbrio

  • Device Solutions (semicondutores): o motor do trimestre, com a memória a liderar lucros e volume. A procura por HBM, DRAM e NAND para IA e cloud sustenta margens e mistura de produto mais premium.
  • Samsung MX (smartphones): estima-se um lucro operacional entre 2 e 3 biliões de won. É um contributo sólido, reforçado por segmentos topo de gama e por um calendário de lançamentos disciplinado, embora longe do impacto da memória.
  • Samsung Foundry (fabricação por contrato): as perdas terão encolhido. O foco está em tecnologias avançadas e no reforço do pipeline de clientes, elemento crítico para diluir custos fixos e aproximar o negócio do ponto de equilíbrio.
  • Samsung DX (eletrodomésticos e consumer electronics): enfrenta pressão competitiva intensa, um lembrete de que a batalha nos bens de consumo continua apertada em preço e diferenciação.
  • Samsung Display: permanece rentável, beneficiando de painéis premium e de relações fortes com OEMs móveis.

Este mix mostra uma Samsung menos dependente do ciclo frágil de gadgets e mais exposta a um investimento estrutural: a infraestrutura de computação para IA.

Riscos e variáveis a vigiar em 2026

Nem tudo é linha reta. Alguns fatores a acompanhar:

  • Preços da memória: ciclos de subida atraem oferta; demasiada capacidade pode pressionar margens no final do ano.
  • Ritmo de adoção de IA: atrasos em projetos de data center ou cortes de capex podem abrandar encomendas.
  • Execução em HBM4 e rendimento fabril: a escalar novas pilhas e nós avançados, pequenos desvios podem ter grande impacto financeiro.
  • Competição: SK Hynix e Micron não vão abrandar; qualquer vantagem técnica ou logística pode redistribuir quotas nos grandes contratos.
  • Macroeconomia e câmbio: o won e a procura global de eletrónica continuam a ser variáveis a ter em conta.

Fonte: Sammobile

Leave A Reply

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui