Projeto português que substitui microplásticos na agricultura vence distinção Born from Knowledge
A Agência Nacional de Inovação distinguiu o projeto NanoSoilHealth, desenvolvido pela Biofabics em parceria com a RESPILON, pela criação de nanomembranas biodegradáveis que prometem revolucionar a fertilização agrícola e reduzir drasticamente o uso de microplásticos nos solos. A notícia foi dada em comunicado enviado à imprensa.
A distinção Born from Knowledge (BfK Awards), atribuída no âmbito da 12.ª edição do Prémio Empreendedorismo e Inovação Crédito Agrícola, reconhece o potencial transformador de uma solução ainda em fase inicial de investigação, mas já apontada como uma das mais promissoras no campo da nanotecnologia aplicada à agricultura. O projeto integra também o consórcio europeu TOLERATE, que procura melhorar a saúde dos solos, aumentar a resiliência das plantas à seca e promover práticas agrícolas mais sustentáveis.
No centro da proposta da Biofabics está o desenvolvimento de nanomembranas biodegradáveis e bioativas produzidas através de tecnologia avançada de electrospinning. Estas membranas permitem incorporar biofertilizantes de libertação controlada sem recurso a polímeros sintéticos, substituindo assim os microplásticos tradicionalmente usados para encapsular nutrientes. Além de serem personalizáveis para diferentes culturas, estas estruturas nanotecnológicas favorecem a regeneração da microbiota do solo e otimizam o uso de água, dois fatores críticos num contexto de alterações climáticas.

Os impactos previstos são expressivos: estima‑se que a solução possa reduzir em mais de 90% o uso de plásticos aplicados no solo e aumentar em pelo menos 15% a eficiência da fertilização. Ao eliminar materiais persistentes e poluentes, o NanoSoilHealth contribui para sistemas alimentares mais seguros e para uma agricultura alinhada com o Pacto Ecológico Europeu e com as novas restrições ao uso de microplásticos.
Como reconhecimento, a equipa da Biofabics recebeu o troféu “Árvore do Conhecimento” e um prémio monetário de 2.500 euros. Para António Grilo, presidente da ANI, o projeto “materializa a missão do programa Born from Knowledge ao transformar conhecimento científico em soluções com impacto real na economia e na vida das pessoas”. A empresa pretende validar as nanomembranas em duas culturas piloto até ao final de 2026, com vista à futura escalabilidade e internacionalização.
Sediada no Porto, a Biofabics reforça assim a sua posição como deeptech nacional dedicada ao desenvolvimento de materiais avançados e soluções de nanotecnologia com aplicação nos setores agrícola, biomédico, ambiental e industrial. Com forte ligação ao meio académico, a empresa procura consolidar Portugal como referência europeia na inovação em biomateriais e tecnologias sustentáveis.




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