Projeto ibérico vai dar uma “segunda vida” ao lixo elétrico e eletrónico

Entidades espanholas e portuguesas juntaram-se para dar a uma “segunda vida e oportunidade” aos equipamentos que passam a lixo elétrico e eletrónico.

Maria do Céu Silva, técnica superior de ambiente e uma das responsáveis portuguesas pelo projeto, disse, em declarações à Lusa, que já era absolutamente necessário reinventar todo o processo. É isso que o projeto “Estratégia sustentável transfronteiriça para a gestão de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos” vai fazer, enquadrado no Programa INTERREG V-A Espanha-Portugal (POCTEP), através da implementação de “novas caixas” que vão permitir preservar o material que ainda tem potencial, segregando-o daquele material que está muito desmantelado e não oferece condições de reparabilidade e, portanto, já é um resíduo, explica Maria do Céu Silva.

Além de assegurar que durante o transporte até à plataforma os materiais se mantêm tal e qual como chegam aos ecocentros, estas “novas caixas” vão também ao encontro dos “requisitos impostos” pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), nomeadamente no que à proteção ambiental e salvaguarda de dispersão de matérias perigosas diz respeito.

Uma vez na plataforma, o projeto prevê que, futuramente, estes equipamentos sejam pesados, etiquetados e, depois, encaminhados para um centro de recuperação para serem restaurados.

Depois de recuperados e, conforme adianta à Lusa Maria do Céu Silva, o objetivo é que estes equipamentos possam ser acomodados num espaço próprio em cada ecocentro e, posteriormente, “devolvidos à comunidade” através de uma “bolsa de materiais”.

O projeto, que é coordenado pela Deputación de Pontevedra e conta com um financiamento de 2,14 milhões de euros, tem ainda como parceiros a empresa Revertia Reusing and Recycling, o Centro tecnologia de eficiência y sostenibilidad energética (ENERGY LAB) e o European Recycling Platform (português e espanhol).

A Lipor – a empresa portuguesa – define como “monstros” domésticos aqueles resíduos que não podem ser colocados nos ecopontos nem nos contentores para o lixo indiferenciado, mas que “podem e devem” ser encaminhados para a reciclagem, como eletrodomésticos e equipamentos eletrónicos.

São inúmeros os frigoríficos, máquinas de lavar loiça ou roupa, micro-ondas, televisores, computadores, ferros de engomar e outros equipamentos que, quase todos os dias, chegam às instalações da Lipor – Serviço Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos do Grande Porto.

Aqui, estes equipamentos, que às vezes são entregues em mãos pelos consumidores e outras tantas abandonados na berma da estrada ou junto de contentores de lixo, pernoitam numa “pequena caixa”. E é nesta caixa, semelhante a um contentor de mercadorias e que agora vai ter novo rosto, que aguardam pelo seu fim.

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