Análise: PORTAL 2

Portal 2 já saiu há alguns meses, mas não é por isso que não possamos falar dele. São sempre poucas as palavras que se possam dizer acerca deste excelente jogo da Valve.

Como o seu predecessor, Portal 2 também faz jus ao seu nome, apresentando-nos mais uma vez um mundo de ficção cientifica bastante imersivo e a mesma formula que caracterizou Portal. Esta, muito aclamada e criticada, traz-nos mais uma vez a mecânica de portais, uma jogabilidade complexa que nos vai dar algumas dores de cabeça na resolução dos variadíssimos puzzles que vamos encontrando durante toda a campanha, e algumas novidades bastante apelativas que dão um toque extra e que aprimoram toda uma experiência que já por si era excelente.

Parafraseando Gabe Newell na E3 de 2010 : “A versão de Portal 2 para a Playstation 3 vai ser a melhor versão nas consolas”. E é verdade, isto é, a versão para a a consola da Sony é sem duvida a versão mais completa, dando-nos a oportunidade de jogarmos Portal 2 não só na nossa PS3, mas também, se assim o quisermos, no nosso PC ou no nosso Mac. Na compra da nossa copia de Portal 2 temos a nossa inteira disposição outra copia do jogo inteiramente grátis, sim, grátis! É muito simples, basta terem uma conta no Steam, introduzirem o código que vem com a vossa copia de Portal 2, e já está. Associarem as vossas contas do Steam e a vossa conta Playstation Network e estão prontos para desfrutar do sistema de nuvem que a Valve nos disponibiliza, permitindo-nos começar a jogar na nossa Playstation 3, gravarmos o nosso progresso, e acabarmos de jogar no nosso PC ou Mac. Mas não é tudo, o Steam também marca presença nesta versão. No menu principal tem a oportunidade de acederem ao Steam, à vossa conta e a vossa lista de amigos, possibilitando-nos fazer um convite a qualquer um deles e jogar-mos o modo cooperação. Independentemente da plataforma, jogar entre estas é agora uma realidade, seja na vossa Playstation 3, PC ou Mac, portanto, convidarem um amigo que está a jogar Portal 2 no PC é agora possível, e vice-versa.

Campanha a solo

Mais uma vez encarnamos na pele do protagonista do primeiro jogo, e mais uma vez vamos ingressar numa atmosfera de ficção cientifica bastante imersiva e por vezes solitária, no entanto, isto não é sinónimo de uma experiência desagradável, muito pelo contrario.

Portal 2 tem uma curvatura de aprendizagem bastante ténua, acessível a todos aqueles que estão, e não estão habituados aos jogos na primeira pessoa e que estão interessados neste mundo, ou para aqueles que por alguma razão não tiveram a oportunidade de jogar o primeiro jogo da serie e estão curiosos pela sua sequela.

Como já referido, o primeiro contacto que temos com Portal 2 é feito de uma maneira muito subtil, encarregando-se logo desde muito cedo de nos inteirar perfeitamente das regras básicas deste mundo e de como ele funciona. A maneira como controlamos a personagem é muito intuitiva, solida, e rapidamente nos familiarizamos com os controlos do protagonista que, quando menos esperamos, estamos a resolver os primeiros puzzles do jogo, completamente embrenhados na narrativa e com aquele sentimento de satisfação por termos conseguido resolver mais um puzzle, com o pensamento já no próximo desafio. A utilização da Portal Gun também é feita com bastante intuitividade que, com o passar do tempo, a abertura dos portais, torna-se inconsciente e involuntariamente automatizada. O ritmo do jogo é maioritariamente controlado pelo jogador, estando este dependente da velocidade que o jogador vai resolvendo todos os obstáculos com que se vai deparando, mas nem sempre é assim. Para não frustrar o jogador, e quando o nível de repetitividade se começa a salientar, eis que somos surpreendidos com uma variação na maneira como estamos a progredir na historia, revigorando por completo a nossa experiência.

Um dos pontos fortes de Portal 2 é o relacionamento que temos com as personagens ao longo de toda a campanha. Glados, por exemplo, – para quem jogou o primeiro jogo já a conhece – é a personagem ou a inteligência artificial com que lidamos novamente, e com o mesmo objectivo, a nossa aniquilação. Esta, com uma personalidade bastante peculiar, sarcástica e desafiadora, sendo muito interessante de interagir, proporciona-nos bons momentos de revolta, com os seus constantes diálogos provocadores que nos vão dando aquela motivação extra que precisamos para irmos prosseguindo. Já Wheatly ( a nova personagem que conhecemos, semelhante a uma bola de basket com inteligência própria ), com o seu humor bastante aguçado, inteligente e cativante, oferece-nos momentos engraçados e por vezes algumas gargalhadas, motivando-nos a ficar parados só para ver o que vai dizer a seguir.

Portal 2 não se apresenta apenas como a sequela do primeiro jogo desta serie, é muito mais que isso, contando com uma jogabilidade completamente renovada, introduzindo novas mecânicas de interacção com o ambiente que nos rodeia, novos puzzles e novas perspectivas de resolução dos mesmo, tornando-o mais rico e divertido. Para alem da mecânica de portais que marcava presença em Portal, Portal 2 acrescenta não só a abertura dos mesmos, mas também vários tipos de substancias, com diferentes tipos de características – o gel de repulsão, propulsão, conversão – e não só, o Excursion Funnel e a Hard Light Bridge. Com a conjunção de todos estes elementos não só adquirimos uma experiência completamente inovadora, mas também uma jogabilidade imersiva que nos impulsiona numa direcção onde o sentimento de realização é sempre uma constante.

Campanha Cooperativa

A campanha cooperativa toma lugar logo a seguir aos acontecimentos sucedidos na campanha a solo, e é onde os jogadores vão ter a oportunidade de desempenhar o papel de Atlas ou de P-Body. Providos também de Portal Guns, e depois de estarmos já completamente ambientados com todo este mundo, podemos dizer que será altura de partirmos para uma experiência mais estimulante e participativa.

Não deixando de nos proporcionar igualmente bons desafios a campanha em cooperação, teleporta-nos para a mesma ambiência, mas agora com um companheiro a mistura que, não só nos vai facilitar a resolução dos puzzles, mas também nos vai dificultar a vida ocasionalmente, dando origem a belos momentos de lazer e descontracção. Desenhados para uma experiência completamente cooperativa, os puzzles, requerem a entreajuda de ambos os jogadores para facilmente chegarem a resolução final. Para ajudar neste processo de interacção entre os dois jogadores a Valve, criou ( e muito bem executado ) uma serie de ferramentas de socialização bastante úteis. Através das teclas de direcção, temos ao nosso inteiro dispor varias acções que podemos transmitir ao nosso companheiro, como por exemplo, para onde olhar, em que superfície devemos abrir os portais, e até um cronometro para sincronizarmos as nossas acções com o nosso companheiro de jogo, mas não é tudo, também podemos contar com varias acções entre os nossos robôs para criarmos mais empatia com quem estamos a jogar a nossa campanha. Claro que tudo isto só poderá ser posto em pratica se estivermos a jogar com um amigo que esteja a jogar Portal 2 noutro sistema. Ainda assim, todas estas ferramentas e por muito bem executadas que estejam, não serão suficientes quando estamos a jogar com um parceiro que desconhecemos que, por qualquer motivo, ou mesmo por falta de paciência, abandona o nosso jogo a meio, por isso, será aconselhável jogarmos com um amigo que conheçamos, para que nada disto aconteça. E se quisermos uma experiência em cooperação com um ritmo muito mais elevado, sempre temos ao nosso dispor o modo splitscreen que, ao ser jogado com o nosso companheiro mesmo ao nosso lado sempre se torna uma experiência mais comunicativa e interactiva.

Um complemento bastante agradável, como se fosse a cereja no topo do bolo, esta campanha cooperativa, não só é um prolongamento de uma excelente jogabilidade que tem provas dadas, mas também, à medida que vai sendo jogada, vai-se tornando cada vez mais divertida e interessante

Veredicto

Portal 2 traz-nos uma jogabilidade bastante divertida e entusiasmante, uma jogabilidade para todos aqueles que querem um jogo desafiante e que procuram não só uma excelente historia, mas também um modo de cooperação envolvente e motivador. Com um excelente design e muito bem desenvolvido, com efeitos de luz brilhantes e graficamente muito apelativo, muito bem escrito, com um elenco excelente de vozes e uma banda sonora altamente cativante que, ao mino efeito sonoro consegue provocar uma reacção em quem está a joga-lo, Portal 2, é sem duvida uma experiência a ter em conta, não só para os fãs do primeiro jogo, mas também para aqueles que não o são.

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