Plano lunar da NASA esbarra num problema em terra
Um novo relatório de supervisão alerta que o Kennedy Space Center, na Florida, pode não estar preparado para aguentar o ritmo de lançamentos exigido pelas próximas missões Artemis. E isso pode complicar seriamente o calendário lunar da agência espacial norte-americana.
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O aviso surge numa altura em que a NASA quer voltar a colocar astronautas na superfície da Lua até 2028. Para isso, conta com parceiros comerciais como a SpaceX e a Blue Origin. O problema é que a ambição cresceu mais depressa do que a capacidade do principal porto espacial dos EUA.
O plano lunar da NASA exige um ritmo inédito
Segundo o relatório do gabinete do inspetor-geral da NASA, a SpaceX prevê lançar a Starship até 44 vezes por ano a partir do Complexo de Lançamento 39A, em Kennedy. Na prática, isso corresponde a uma cadência de um lançamento a cada oito dias.
Esse ritmo não é um detalhe técnico. É uma peça central do plano para levar astronautas à Lua na missão Artemis 4.
Antes de a versão lunar da Starship poder descer até à superfície, será necessário lançar pelo menos 15 missões. Essas viagens servirão para colocar combustível em órbita baixa da Terra, armazená-lo num depósito orbital e depois transferi-lo para o sistema de aterragem lunar.
Ou seja: sem uma sequência rápida e consistente de lançamentos, o plano simplesmente não fecha.
O Kennedy Space Center pode não estar pronto
O relatório é direto: a infraestrutura de lançamento da NASA está envelhecida e já não tem capacidade suficiente para responder às novas exigências da agência e dos seus parceiros comerciais.
O Kennedy Space Center foi pensado noutra era espacial. Muitas das suas bases remontam aos anos 60, quando o foco estava nas missões Apollo. Mais tarde, foram adaptadas para o programa dos vaivéns espaciais. Agora, enfrentam um cenário muito diferente, com foguetões superpesados e uma frequência de lançamentos muito superior.
Este é o ponto crítico: o obstáculo pode não estar apenas no desenvolvimento das naves, mas no local de onde elas descolam.
SpaceX já está a mexer no histórico LC-39A
Em fevereiro, a FAA aprovou os lançamentos da Starship a partir do LC-39A, uma das plataformas mais simbólicas da história espacial dos EUA.
A SpaceX já usa esta base para missões Falcon 9 e Falcon Heavy, mas está a transferir grande parte dessa atividade para outra plataforma em Cabo Canaveral. O objetivo é libertar espaço e adaptar o LC-39A à Starship.
As alterações previstas são enormes. A empresa quer expandir a infraestrutura com novas torres, zonas de lançamento e aterragem, sistemas de produção e armazenamento de propelente e até estruturas de gestão de águas pluviais.
Não se trata de uma simples atualização. É uma transformação profunda para suportar um veículo muito maior e operações muito mais exigentes.
Porque é que isto importa tanto?
Porque a Starship Human Landing System, a versão escolhida para ajudar a levar astronautas à Lua, depende de uma logística orbital complexa. E essa logística depende de muitos lançamentos em pouco tempo.
Se houver atrasos entre missões, limitações na plataforma ou constrangimentos operacionais, todo o cronograma da missão pode derrapar.
Em termos simples: não basta ter a nave pronta. É preciso conseguir lançá-la vezes suficientes, com rapidez e sem bloquear o resto do tráfego espacial.
A pressão não vem só da SpaceX
A situação torna-se ainda mais delicada porque a SpaceX não é a única a querer mais espaço e mais janelas de lançamento.
A Blue Origin também tem planos ambiciosos para o Kennedy Space Center e para Cabo Canaveral. De acordo com o mesmo relatório, a empresa espera lançar o foguetão New Glenn mais de 50 vezes por ano até 2030 e ultrapassar as 120 missões anuais até 2035.
Além disso, outras empresas como a United Launch Alliance, a Relativity Space e a Astra Space também estão a aumentar atividade.
O resultado é uma pressão sem precedentes sobre plataformas, equipamentos, equipas de apoio e áreas disponíveis para expansão.
Há outro problema: faltam locais para novas plataformas
Uma das conclusões mais importantes do relatório é que já não há muito espaço fácil de usar para construir novas bases de lançamento capazes de receber foguetões superpesados.
Mesmo quando existem localizações possíveis, desenvolvê-las exige tempo, investimento e processos complexos. Isso significa que a solução não passa apenas por construir mais. Passa também por modernizar o que já existe e fazê-lo depressa.
- As plataformas atuais são antigas e foram desenhadas para outro tipo de operações
- A procura por lançamentos está a crescer em várias empresas ao mesmo tempo
- Os foguetões superpesados exigem infraestruturas mais robustas
- Novas plataformas demoram anos a planear e construir
Fonte: Gizmodo





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