O segredo da Quebramar: Como a marca faturou 6,5M€ em 60 dias sem depender de anúncios pagos
Se andas pelo mundo do marketing digital ou da tecnologia aplicada ao retalho, sabes que o cenário atual é, para dizer o mínimo, desafiante. Os custos por clique (CPC) nas plataformas de anúncios estão a subir de elevador, e a morte anunciada dos cookies de terceiros deixou muitos gestores de e-commerce a navegar à vista. No entanto, há quem esteja a usar a tempestade para ajustar as velas. O exemplo mais gritante em Portugal vem da Quebramar.
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A icónica marca de moda portuguesa acaba de abrir o jogo sobre a sua transformação digital e os números são de deixar qualquer CEO de queixo caído: 6,5 milhões de euros faturados em apenas dois meses. Mas não penses que isto foi fruto de uma “chuvada” de dinheiro em anúncios de Facebook ou Instagram. O segredo está escondido numa sigla que deves começar a decorar: CDP (Customer Data Platform).
O fim da era do “Gritar mais alto”
Durante anos, a estratégia de crescimento de muitas marcas baseava-se numa lógica simples: meter dinheiro em tráfego pago para trazer gente nova. O problema é que conquistar um cliente novo hoje em dia é cerca de sete vezes mais caro do que manter um que já lá está. É o chamado Custo de Aquisição (CAC) a devorar as margens de lucro.
A Quebramar decidiu inverter a pirâmide. Em vez de andar desesperadamente atrás de novos utilizadores, focou-se em quem já conhecia a casa. Ao implementar uma estratégia de First-party Data (dados próprios), a marca conseguiu que uns impressionantes 76,2% da sua faturação total viesse de clientes fidelizados. Isto não é apenas marketing; é eficiência financeira pura e dura.
Arquitetura de Dados: Onde a Magia da Automação acontece
Mas como é que se passa de uma base de dados estática para 6,5 milhões em vendas? A resposta está na parceria com a tecnológica nacional E-goi. A solução passou por unificar as jornadas de compra das 50 lojas físicas com a loja online. Já te aconteceu comprar uns sapatos numa loja de rua e, no dia seguinte, receberes um e-mail a sugerir as calças que combinam perfeitamente? É exatamente isso, mas elevado à décima potência.
Através de algoritmos de segmentação RFM (Recência, Frequência e Valor Monetário), a Quebramar deixou de enviar e-mails em massa (“blast”) para passar a comunicar de forma cirúrgica. O resultado? Um ROI (Retorno sobre o Investimento) de 21x no canal de e-mail marketing. Ou seja, por cada euro investido em tecnologia de comunicação direta, voltaram 21 para a caixa registadora. É um valor absurdo quando comparado com as métricas de publicidade tradicional.
Fidelização 4.0: Mais que um Cartão de Pontos
Muitas empresas ainda acham que um programa de fidelidade é dar um cartão de plástico e um carimbo de vez em quando. A Quebramar digitalizou todo este processo. Benefícios automatizados, sistemas de cashback e cartões digitais integrados no telemóvel permitiram um crescimento de 44% na base de clientes ativos.
O ticket médio (o valor médio que cada cliente gasta em cada compra) também deu um salto de 26%. Porquê? Porque quando a marca te conhece de verdade, ela não te tenta vender o que “tem em stock”, mas sim aquilo que tu realmente queres comprar. Como explica Ernesto Ferreira, da E-goi, o marketing moderno já não é sobre quem grita mais, mas sim sobre quem utiliza melhor os dados que já possui dentro de portas.
A Previsibilidade como Santo Graal do Negócio em 2026
Num ano de 2026 onde a incerteza económica e as mudanças nos algoritmos de publicidade são a norma, ter um ecossistema de dados próprio é o maior ativo que uma empresa pode ter. Enquanto a concorrência está refém de saber se o Mark Zuckerberg vai subir o preço dos anúncios amanhã, marcas como a Quebramar têm a faca e o queijo na mão. Eles sabem quem vai comprar, quando vai comprar e quanto vai gastar.
Para os profissionais de MarTech (Marketing Technology) que nos leem, a lição é clara: a prioridade estratégica tem de ser a retenção. Gastar rios de dinheiro para atrair tráfego para um “balde furado” (um site que não retém ninguém) é um erro de gestão primário que a tecnologia atual já não perdoa.
Queres calcular o teu potencial?
Se ficaste com o “bichinho” e queres perceber se a tua marca também está a deixar dinheiro em cima da mesa, a E-goi disponibilizou uma ferramenta gratuita que permite calcular o potencial ROI, simulando o potencial de lucro através de estratégias de Loyalty. Vale a pena espreitar para baixar a cabeça e fazer contas.
Conclusão
O caso da Quebramar é uma prova de vida para o retalho tradicional português. Mostra que a digitalização não é “ter um site”, mas sim saber quem são os teus clientes e como falar com eles no momento certo. Se ainda achas que os dados são apenas uma chatice do RGPD, estás a perder a oportunidade de faturar milhões. A revolução está nos dados próprios, e quem chegar primeiro ao coração (e à base de dados) do cliente, ganha a corrida.



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