O futuro do diesel e do turbo em discussão — 1ª Convenção Diesel-Turbo

30 de Outubro de 2018
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Foi no passado dia 20 de outubro que decorreu a 1ª Convenção Diesel-Turbo em Portugal. O Grupo Bombóleo, organizador do evento, encheu o Centro de Congressos do Estoril com vista a esclarecer os seus parceiros de negócios.

Fotografado por Jornal das Oficinas

Estiveram presentes diversos oradores como, Nicolas Vilnet, da Honeywell Garret (fabricante de turbos diesel), David Iglesias, da Delphi (fabricante de bombas injetoras diesel), Walid ben Abdessamiaa, da BorgWarner e Marco Compasso, da Bosch (fabricantes mundiais de peças diesel).

Para além disso, o público contou com a presença de mais três oradores do ramo automóvel (não fabricantes), Zoran Nikolic da Wolk Consulting, Ricardo Oliveira da World Shopper e Ricardo Silva da LeasePlan.

“Teremos negócio por quanto mais tempo?”, foi a pergunta que motivou o Grupo Bombóleo a criar e dinamizar esta convenção. Para além disso, a discussão de temas como “Tendências futuras do setor automóvel em debate” e “O futuro do diesel e do turbo em discussão”.

Em geral, a opinião foi consensual. O mercado automóvel está a mudar e, efetivamente, existe um decréscimo de veículos Diesel no parque automóvel.

Honeywell Garrett — exposição de ideias por Nicolas Vilnet

Nicolas Vilnet fez uma grande exposição sobre os turbo-compressores componente de negócio da empresa, ficando evidente a posição neutra em relação ao diesel. Segundo o mesmo, a prioridade da empresa é, tendencialmente, o investimento tecnológico nos turbos numa perspetiva de futuro, ou seja, numa realidade em que os veículos eletrificados (híbrido e elétricos) ganham posição em relação aos automóveis de combustão interna, como é o caso do Diesel.

A Honeywell Garret vê o futuro do turbo como uma necessidade para o mundo elétrico, com mais e melhores turbos elétricos, contudo com menos opção para o Diesel, o que revela ser uma opinião mais realista em relação ao paradigma vivido.

“Estamos a realizar projetos em conjunto com os nossos engenheiros no sentido de proceder a uma “hibridização” do nosso setor, o que nos permitirá aumentar a quantidade de peças para híbridos, híbridos esses a Gasolina”, afirma Nicolas Vilnet. O Diesel poderia continuar a ser a ótica de mercado da Honeywell Garret, mas desta vez, numa perspetiva híbrida. Segundo a Garret, “seria positivo poder-mos chamar, no futuro, à Bombóleo, ‘Híbridos e Turbos’ (invês de ‘Diesel e Turbos’)”, como é conhecida atualmente.

Delphi — exposição de ideias por David Iglesias

Com a apresentação de David Iglesias, ficamos a compreender a posição da empresa em relação do futuro dos motores de combustão interna, em particular, ao futuro do Diesel. Tecnologicamente menos avançados que a Garret, mas com operações diferentes. A Delphi fabrica peças de injeção Diesel, enquanto a Garret, fica-se pelos turbos.

O que conseguimos perceber é que a empresa está confiante em relação ao futuro do Diesel, reconhecendo que ocorre uma diminuição do seu protagonismo no setor automóvel e que de 2030 a 2040, a maioria dos automóveis serão de combustão interna, pois o crescimento de veículos elétricos ainda se revela residual. Fica a hipótese de uma aposta da Delphi no Diesel e de uma possível introdução ao híbrido-diesel/gasolina como uma perspetiva de futuro próxima.

BorgWarner — exposição de ideias por BorgWarner

A BorgWarner defende que o seu foco empresarial será o investimento em tecnologia híbrida, bem como, em motores de combustão interna, nomeadamente, os motores diesel, estando algo confiantes que o Diesel permaneça no mercado por mais alguns anos.

Segundo, Walid ben Abdessamiaa, até 2028, os motores de combustão interna representarão cerca de 90% do mercado e, grande parte deles, híbridos (veículos eletrificados). Isto revela uma posição mais moderada em relação ao Diesel numa ótica de médio-prazo de 10 a 15 anos. Para além disso, este admite que o parque automóvel irá estar sujeitos à eletrificação e a uma “hibridização” dos seus automóveis.

“Queremos ser os primeiros do mercado a ter a independência e ter a capacidade de liderança do mercado e da indústria do turbo-compressor”. Para a BorgWarner, 2030 é uma data em que pretendem criar e apresentar mais turbos eturbos, ou seja, turbo-compressores elétricos, entre outros geradores elétricos.

Bosch — exposição de ideias por Marco Compasso

Marco Compasso, afirma que a Bosch atua, neste momento, em diferentes setores como, as soluções de mobilidade, a tecnologia industrial, os grandes equipamentos, entre outros. No futuro, para a Bosch, os motores Diesel irão reduzir as suas emissões gradualmente até um valor ideal. “O que podemos dizer neste momento, é que conseguimos reduzir as emissões para uma média de 13 mg/km de Óxido de Nitrogénio, o que nos faz pensar que conseguimos reduzir as emissões Diesel [no médio prazo]”. Por esta razão, a Bosch acredita que o Diesel terá um papel importante no futuro próximo.

No que diz respeito à eletrificação, a Bosch apresentou, o eAxle, um motor elétrico que apresenta três vantagens em relação à concorrência, um custo reduzido, maior eficiência e potência. O motor é excelente para veículos híbridos e para veículos elétricos.

Ainda com vista a divulgar a sua tecnologia, Marco Compasso fala sobre a injeção Common-rail, onde a Bosch dá cartas com o sistema CRS3-25 common-rail, que consegue funcionar com uma pressão de 2500 mBar. Alta presão e maior fluxo de admissão que resulta numa maior e uniformizada mistura de combustível (diesel). O resultado é, maior eficiência do combustível, dos consumos e menos emissões de CO2. Futuramente, a Bosch expecta que exista um módulo que substitua o atual modelo de injeção, mais eficiente e com menos emissões.

“Graças às características dos motores Diesel, este combustível continuará a ter um papel importante no futuro de curto-prazo”. Os veículos comerciais pesados, nomeadamente camiões, e os veículos todo-o-terreno serão modelos que utilizarão motores Diesel, onde o sistema de injeção Common-rail perdurará na maioria dos casos. “Acreditamos que invês de reparar injetores ou motores, no futuro, todos os equipamento serão substituídos”.

Wolk Consulting — exposição de dados estatísticos por Zoran Nikolic

As opiniões diferem em relação às perspetivas de futuro do parque automóvel, no entanto, um consenço geral é que o Diesel não tem um fim próximo, mas um gradual desuso com a introdução de mais veículos eletrificados e 100% elétricos, como os plug-in e os automóveis movidos a fuel cell, a célula de Hidrogénio.

Nesse sentido, a Wolk recorreu a dados estatísticos para demonstrar a sua visão do setor automóvel nos próximos anos. Alertando para que o mercado procure soluções mais “amigas” do ambiente.

Zoran Nikolic afirma que existe a necessidade de realizar alterações ao motores, alterações essas que implicam custos mais avultados. O que torna complicado realizar grandes mudanças no setor automóvel de um momento para o outro.

World Shopper — exposição de ideias por Ricardo Oliveira

A opinião de Ricardo Oliveira, CEO da World Shopper, é que o “Diesel não vair morrer ‘amanhã’ e o futuro é eletrificado”. Segundo ele, não nos devemos precipitar, não devemos pensar que a eletrificação será algo que deve ocorrer de forma imediata mas sim, um fenómeno progressivo, em que não vale a pena entrar em negação, afirmando que nada irá mudar continuando a decorrer da mesma forma.

“Temos de aproveitar o presente, prestando um serviço de qualidade, focado no cliente, dando o que ele quer hoje no pós-venda”, afirmou o CEO da World Shopper. “Devemos manter um pé no futuro” talvez uma das frases mais marcantes do evento.

Segundo a World Shopper, é fundamental olhar-mos numa perspetiva internacional, pois estamos incluídos na Europa e não temos relevância suficiente para mudar algo neste setor que se encontra em decadência. “Não tenho dúvidas que o futuro é elétrico.”, refere Ricardo Oliveira.

LeasePlan — exposição de dados estatísticos e previsões por Ricardo Silva

“As pessoas adoram e vão continuar a adorar carros”, afirma Ricardo Silva, diretor comercial da LeasePlan. A ótica fornecida pela LeasePlan revela a visão de uma empresa de leasing e gestão de frotas. Frotas essas que, na grande maioria são veículos diesel, face aos seus baixos consumos.

De acordo com Ricardo Silva, a indústria deve proceder uma subsituição dos veículos a diesel por elétricos, no entanto, que no curto prazo, a sua companhia irá manter os veículos a gasolina, mas aumentar o investimento em híbridos. “O carro continuará a ser o meio de transporte do futuro, mas será diferente! As motorizações serão diferentes, a forma como as pessoas utilizam o carro, será diferente. A forma como as pessoas procuram e utilizam esse carro, será diferente”, afirma o responsável da LeasePlan. “Apesar de achar-mos que o futuro será 100% elétrico, achamos que haverá um transição, como no caso da gasolina-diesel”.

“Procuramos fazer o ‘desmame’ do Diesel”, afirma Ricardo Silva. Apesar do Diesel-híbrido poder vingar, as marcas continuam a apostar nos híbridos a Gasolina como refere a gestora de frotas, LeasePlan. “Não existe previsão para o curto-prazo!”.

Finalização

No final da conferência, Paulo Marques, Diretor do Grupo Bombóleo, considerou que o evento, apresentado por Dário Afonso, da ACM, foi um sucesso, esclarecendo os presentes acerca do futuro dos veículos Diesel.

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