NASA desloca Artemis II: foguetão que levará astronautas à Lua
A NASA levou o seu foguetão lunar até à plataforma de lançamento, abrindo um capítulo decisivo na preparação da Artemis II. A megaestrutura que combina o lançador Space Launch System (SLS) e a cápsula Orion completou o trajeto desde o icónico Vehicle Assembly Building até ao local de disparo no Centro Espacial Kennedy.
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Parece rotina, mas não é. Cada metro percorrido sela anos de engenharia e ensaios, e aproxima-nos da primeira viagem tripulada à órbita lunar em mais de meio século.
Um colosso em movimento: da fábrica à plataforma
O transporte do SLS e da Orion faz-se num veículo tão impressionante quanto o próprio foguetão: um crawler-transporter, um “gigante sobre lagartas” desenhado para levar toneladas de hardware a passo de caracol. A velocidade ronda 1,6 km/h, e a distância, cerca de 6,4 km. É uma marcha lenta, calculada ao milímetro para evitar vibrações que possam comprometer sistemas sensíveis.
A chegada ao cair da noite não é apenas fotogénica; simboliza o arranque de uma fase em que cada verificação conta.
Artemis II: porque este voo importa
Artemis II não vai pousar na Lua esse protagonismo está reservado para a missão seguinte. Mas o objetivo aqui é igualmente ambicioso: levar quatro astronautas a contornar o nosso satélite e regressar, validando os sistemas vitais da nave numa viagem real. É o ensaio geral tripulado do programa.
A Orion terá de manter a tripulação segura durante dez dias, gerir consumos, comunicações e navegação num ambiente hostil. Se tudo correr como planeado, a NASA ganhará a confiança operacional necessária para voltar a colocar botas no regolito.
O ritual do grande ensaio: abastecer, contar, parar
Com o foguetão já na plataforma, começa a etapa que costuma separar o “quase pronto” do “vamos a isto”: o ensaio geral com combustível. É aqui que os depósitos recebem mais de 700 mil galões de propelentes criogénicos, e as equipas percorrem toda a sequência de lançamento, até segundos antes de acionar os motores RS‑25.
Não há fogo, mas há tudo o resto: temperaturas extremas, pressurizações, purgas e sincronização de sistemas. No final, drena-se o combustível e avaliam-se dados ao pormenor. A experiência passada ensinou prudência uma fuga numa vedação de hidrogénio atrasou a Artemis I, por isso cada junta, sensor e válvula será escrutinado.
Calendário: janelas de oportunidade e margem para ajustes
A NASA trabalha com uma janela de lançamento que se abre entre 6 e 11 de fevereiro. Se for necessário mais tempo para afinações, a próxima oportunidade útil chegará em março. Isto não é capricho: alinhar dinâmica orbital, segurança e disponibilidade de infraestruturas é um puzzle complexo. O objetivo é claro, mas ninguém quer apressar o passo à custa de fiabilidade. Melhor um dia a mais no solo do que um problema em voo.
Quatro pessoas, muitos marcos históricos
A tripulação da Artemis II é liderada por Reid Wiseman, acompanhado por Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen. Para além do currículo técnico de cada um, há simbolismo: Glover será o primeiro homem negro a voar para a vizinhança lunar; Koch, a primeira mulher; Hansen, o primeiro não americano.
Juntos, serão os primeiros humanos a aventurar-se tão longe desde a Apollo 17, em 1972. Estes marcos não são apenas estatística representam um programa que quer refletir a diversidade do século XXI.
E depois? O horizonte de Artemis III e o eterno “se”
O sucesso da Artemis II deverá aliviar a pressão em torno do passo seguinte: a alunagem da Artemis III. Ainda assim, pairam interrogações sobre a prontidão do sistema de descida escolhido, o Starship da SpaceX. A integração de uma arquitetura tão nova, com reabastecimento em órbita e operações lunares, é um desafio sem precedentes.
A estratégia da NASA tem sido clara: consolidar cada fase antes de avançar para a próxima. A Artemis II é o elo que falta para ligar a demonstração não tripulada à presença humana no solo lunar.
Fonte: Futurism




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