Marte perde sinal: NASA fica sem contacto com a sonda MAVEN
A NASA confirmou a perda de contacto com a sonda MAVEN, que orbita Marte desde 2014, após uma passagem rotineira por detrás do planeta vermelho. No dia 6 de dezembro de 2025, a nave deveria ter reaparecido do lado iluminado e retomado a ligação com a Deep Space Network (DSN). Não aconteceu. A sonda ficou muda precisamente no momento em que a comunicação costuma ser restabelecida. Desde então, as tentativas de recuperar o sinal não surtiram efeito, reporta a NASA.
A poucos passos da conjunção solar, quando o Sol se coloca entre a Terra e Marte e torna as comunicações radio vulneráveis a interferências, cada dia sem resposta reduz a margem de manobra. Se não houver sucesso antes deste “apagão” natural, a janela para novas tentativas pode fechar durante semanas.
Apesar de ter nascido com uma missão científica clara: estudar a atmosfera superior de Marte e o modo como o planeta perdeu grande parte do seu ar e água – a sonda MAVEN tornou-se entretanto numa componente essencial da rede de comunicações marciana. Os rovers Perseverance e Curiosity, com antenas e potência limitadas, dependem de orbitadores para fazer o “salto” de dados até à Terra com maior eficiência. A MAVEN tem sido um desses repetidores, garantindo taxas mais estáveis e sessões mais regulares, o que permite enviar imagens, telemetria e resultados científicos sem sacrificar tempo de operação à superfície.

Sem a MAVEN, a malha de retransmissão fica mais curta e mais frágil. Existem outros orbitadores capazes de ajudar, como o Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), o Mars Odyssey e o Trace Gas Orbiter (TGO) da ESA, mas a geometria orbital, a agenda de cada missão e as capacidades de antena nem sempre se alinham com as necessidades de ambos os rovers. O resultado provável? Menos largura de banda disponível, maior latência e períodos mais longos entre sessões de envio, forçando os equipos a gerir com pinças aquilo que se recolhe e quando se transmite.
Quando uma sonda deixa de falar, a causa raramente é óbvia. Há, no entanto, dois cenários plausíveis em cima da mesa:
– Efeitos de radiação: períodos de maior atividade solar podem induzir bits errados em memórias, afetar computadores de bordo e colocar o sistema em modos de proteção. O MAVEN tem redundâncias e rotinas de recuperação, mas um “upset” num ponto crítico pode deixar a nave a procurar orientação ou com a antena fora de alinhamento.
– Arrasto atmosférico e atitude: o MAVEN opera em órbitas relativamente baixas para melhorar a sua ciência e o desempenho como repetidor. Se uma tempestade solar “inchar” as camadas superiores da atmosfera marciana, a fricção extra pode perturbar a orientação da sonda. Um desvio na atitude é suficiente para tirar a antena da Terra do campo de visão ou para desencadear um modo de segurança que silencia transmissões até que o problema seja resolvido.
Ambos os cenários são recuperáveis, em teoria. Na prática, exigem que a sonda responda a comandos cegos, aceite reconfigurações e volte a apontar as antenas e painéis de forma nominal.
A conjunção solar superior, prevista para janeiro de 2026, complica ainda mais. Quando o Sol fica “pelo meio”, o ruído eletromagnético aumenta e a probabilidade de comandos corrompidos também. As agências espaciais tendem a reduzir as atividades críticas durante este período, limitando-se a mensagens mínimas e, muitas vezes, congelando operações. Para o MAVEN, isto significa que, se a recuperação não acontecer antes da conjunção, o relógio pára para quase toda a gente: nem a nave pode ser “guiada” com confiança, nem a DSN pode insistir sem risco de agravar a situação.
O curto prazo será um equilíbrio entre insistir no restabelecimento e preparar operações seguras para o período de conjunção. Se surgir um sinal, mesmo fraco, a prioridade passará por reconfigurar a atitude do MAVEN e restabelecer telemetria básica. Sem sinal, a estratégia deverá congelar comandos arriscados até a janela solar fechar. Entretanto, a coordenação com MRO, Odyssey e TGO pode mitigar o impacto nos rovers, garantindo que os dados críticos continuem a chegar – ainda que a conta-gotas.
Seja qual for o desfecho, o episódio sublinha um ponto maior: à medida que nos tornamos dependentes de uma “internet” além-Terra, precisamos de redundâncias robustas em órbita de Marte. É tecnologia de suporte vital para a ciência de superfície, mas também para o futuro da exploração humana.
Fonte: NASA



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