LG revela ecrã de 5 polegadas com resolução Full HD

Numa altura em que os conteúdos multimédia continuam a crescer em número, qualidade e suporte, as fabricantes esforçam-se para corresponder a nível de hardware. A fabricante sul-coreana está prestes a lançar mais uma guerra nos dispositivos móveis.

Primeiro foram as câmaras fotográficas de 5 e 8 megapixéis a popularizarem-se, depois os processadores de dois e quatro núcleos. Agora chegou a vez de as marcas de dispositivos móveis virarem as atenções das empresas para a qualidade dos ecrãs. Há muito que a Apple tem o Retina Display no iPhone e iPod Touch, e ultimamente as resoluções nos ecrãs dos smartphones cresceram dos 800×480 pixéis para os 1200×720 pixéis. Mas a LG quer dar um passo a mais do que as restantes concorrentes e para isso apresentou uma tela de 5 polegadas com uma resolução de 1920×1080 pixéis.

A resolução Full HD num ecrã tão pequeno resulta numa densidade por pixel de 440 unidades. Como termos de comparação temos o Sony Xperia S com 342 ppi e o iPhone 4S com 330 ppi. A fabricante sul-coreana diz que além da grande qualidade de imagem, a tela terá ainda grande fidelidade de cores, grandes ângulos de visão e uma rápida resposta ao toque dos utilizadores. A LG chama esta tecnologia de Advanced High Performance In-Plane Switching ou simplesmente AH-IPS. É como se fosse a evolução natural dos ecrãs IPS que a marca costuma usar nos seus smartphones.

“Com o ecrã móvel com a maior resolução do mundo, a LG Display continua um passo à frente no desenvolvimento das mais inovativas tecnologias no setor dos painéis” referiu Sang-Deok Yeo, vice-presidente executivo da LG Display. A tela de 5 polegadas terá o formato de 16:9, o que vem confirmar a teoria de que é sobretudo para consumo multimédia. A LG anunciou ainda numa nota de imprensa que pretende começar a produzir em massa este tipo de ecrãs no segundo semestre de 2012. Mas a 4 de junho o AH-IPS sul-coreano estará em exibição na SID 2012 nos Estados Unidos da América.

Tamanha novidade e evolução na qualidade dos ecrãs está a criar frenezim na imprensa especializada – quem não quer ter a melhor qualidade possível nas mãos? Mas algumas questões levantam-se relativamente à verdadeira utilidade de tamanha resolução nos smartphones. O Retina Display da Apple, que tem bem menos pixéis por centímetro, tem o seu nome porque o olho humano já não consegue distinguir os pixéis no ecrã. Ou seja, tudo o que for superior aos 330ppi do iPhone 4S também tem esta propriedade de ser capaz de omitir a pixelização na tela. Em temos teóricos de qualidade a olho nú, a diferença só poderá estar mesmo nas cores e no quão afiadas as linhas dos objetos podem ser.

Existem também inconvenientes. Um ecrã tão poderoso vai precisar de uma super bateria para o alimentar, caso contrário a autonomia em número de horas do dispositivo que receba o AH-IPS será extremamente baixa. E um ecrã Full HD precisa de conteúdos à altura, conteúdos esses que têm tamanhos enormes devido à sua grande resolução. O smartphone teria que vir acompanhado de uma memória nunca inferior aos 16 ou até mesmo 32Gb, mais entrada para microSD. Alguns defendem que é para este tipo de situações que existem os serviços de armazenamento na núvem – mas estes para além de ainda serem muito limitados em espaço, estão também limitados pelos serviços de 4G. Muitos países, como o Brasil, ainda não têm suporte a redes LTE, enquanto no caso português, esses serviços são ainda caros e limitados geograficamente.

Tudo o que for qualidade extra é bem vinda, mas terá que ser uma qualidade sustentada. Em vez de começarem a guerra dos Full HD’s nos telemóveis, comecem antes a guerra das baterias que durem três e quatro dias nos níveis de utilização que um dispositivo iOS, Windows Phone e Android merecem.

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