No arranque do ano, a LG fez do palco de Las Vegas o sítio ideal para ressuscitar uma ideia que andava a fazer falta na sala de estar: uma televisão que praticamente desaparece na parede. Chama-se LG OLED evo W6 e é a nova geração da linha “wallpaper” que a marca tinha descontinuado em 2020.
A promessa volta a ser a mesma — elegância extrema — mas com um twist moderno: menos cabos à vista, mais brilho, mais velocidade e um cérebro de IA claramente mais capaz.
O regresso do design “parede” com ambição moderna
A W6 volta a assumir-se como peça de decoração. O painel tem apenas 9 mm de espessura e fixa-se por magnetismo num suporte redesenhado para que o ecrã fique verdadeiramente raso, sem folgas, de canto a canto. É o tipo de televisor que não pede um móvel para o sustentar — pede uma parede limpa e bem preparada.
Se o número não bate o recorde do antigo W7, com 2,57 mm, há um motivo técnico óbvio: agora o corpo da TV integra os recetores sem fios e um sistema de arrefecimento adequado, algo indispensável para o funcionamento estável do conjunto. Na prática, continua mais fino do que muitos smartphones e, visto de lado, quase se confunde com um quadro.
Menos cabos, mais liberdade: entra a Zero Connect Box
A grande dor de cabeça do primeiro “wallpaper” era um cabo largo a ligar a TV a uma barra de som obrigatória, onde viviam todas as portas HDMI e companhia. A W6 reescreve o guião com a Zero Connect Box, uma caixa separada que concentra entradas de vídeo, áudio e periféricos, e envia o sinal para o ecrã por via sem fios. Assim, a TV fica “limpa” na parede e a logística passa para um móvel, uma estante ou até outra divisão, até 10 metros de distância, segundo a LG.
Importa sublinhar um detalhe prosaico, mas incontornável: a alimentação elétrica continua a existir. Ainda assim, esconder um cabo de corrente é bem mais simples do que tentar disfarçar uma trança de HDMI, ethernet e afins.
Brilho que não é timidez, cores mais vivas e menos reflexos
A LG afinou a fórmula OLED com duas cartas novas no baralho: Hyper Radiant Color e Brightness Booster Ultra. Em conjunto, estas tecnologias prometem pretos profundos sem sacrificar luminância e cores vibrantes sem perda de naturalidade. A marca fala em picos de luminância até 3,9 vezes superiores aos de um OLED convencional, algo que interessa não só a quem vê filmes com muita luz ambiente, mas também a quem procura HDR convincente.
Outro ponto que costuma separar TVs boas de TVs realmente utilizáveis no dia a dia é a gestão de reflexos. A W6 estreia a certificação Reflection Free Premium da Intertek e é apresentada como o painel com menor refletância da gama LG. Para um televisor pensado para ficar colado à parede, junto a janelas ou candeeiros, este detalhe pode fazer toda a diferença entre ver cinema e ver o reflexo da sala.
IA ao comando: novo Alpha 11 AI Gen3
Por baixo da estética minimalista, a W6 recebe o processador Alpha 11 AI Gen3. A unidade de processamento neuronal evoluiu, e a LG reclama um ganho de 5,6 vezes face a gerações anteriores. Em linguagem prática, isto deve traduzir-se em melhor upscaling de conteúdos de menor resolução, gestão de ruído mais inteligente, mapeamento de tons mais preciso e, claro, uma interface webOS mais fluida. O objetivo é simples: automatizar o que antes exigia ajustes manuais, mantendo a imagem fiel e consistente.
Pronta para jogar sem compromissos
Para os jogadores, a ficha técnica é tudo menos tímida: 4K até 165 Hz, compatibilidade com NVIDIA G-Sync e AMD FreeSync Premium e um tempo de resposta de píxel anunciado de 0,1 ms. Em teoria, isto significa menos rasto, menos tearing e um input lag que não atrapalha. Combinado com o contraste nativo do OLED, resulta numa experiência de jogo com negros profundos, cores intensas e movimento suave — seja num shooter competitivo, seja num título cinematográfico em HDR.
E quando a TV não está a mostrar filmes ou jogos, pode transformar-se num mural digital. A função Gallery+ permite expor uma coleção com milhares de imagens, desde fotografias icónicas a obras geradas por IA, passando por memórias pessoais. É o tipo de pormenor que valoriza a presença permanente de um ecrã grande na parede.
Tamanhos, posicionamento e o eterno tema do preço
A LG OLED evo W6 chega em 77 e 83 polegadas, dimensões que não deixam dúvidas sobre o público a que se dirige: quem quer um painel grande, discreto e sem concessões técnicas. A marca ainda não abriu o jogo quanto a preços ou datas exatas para o mercado, mas tudo indica que se manterá no território ultra‑premium. Como referência histórica, os primeiros “wallpaper” ultrapassaram a fasquia dos 20 mil dólares, pelo que convém gerir expectativas.
Para quem faz sentido?
Para quem procura uma TV que seja, simultaneamente, peça de design e referência de imagem; para quem não quer ver cabos; para quem joga a sério e exige taxas de atualização elevadas. A W6 não pretende ser a TV de todos — pretende ser a TV que define o que será desejável nos próximos anos.
Em resumo, a LG não se limitou a desenterrar um nome icónico. Trouxe de volta o conceito certo, com a maturidade técnica que faltava na primeira encarnação. Se o preço acompanhar a ambição — e tudo indica que sim — a W6 será menos um produto de massa e mais um objeto de desejo. Mas é precisamente assim que nascem as tendências.



































