Japão acelera nos chips de 1,4 nm e pressiona Taiwan
O Japão quer recuperar terreno numa das corridas mais decisivas da tecnologia: a dos semicondutores avançados. E o sinal mais claro dessa ambição acaba de chegar com um plano para desenvolver chips de 1,4 nm destinados à inteligência artificial, numa jogada que pode aumentar a pressão sobre líderes como a TSMC.
Neste artigo encontras:
- Fujitsu prepara chips de 1,4 nm para IA
- Rapidus é a peça central da nova estratégia japonesa
- Porque é que isto importa agora
- O investimento do Japão está acima de várias economias ocidentais
- Uma fábrica automatizada para produzir chips de 2 nm
- O ecossistema japonês também está a mexer
- O verdadeiro alvo: recuperar influência na indústria dos chips
Durante anos, o país perdeu protagonismo tanto na produção de chips de ponta como no desenvolvimento de IA avançada. Agora, Tóquio está a responder com investimento, indústria local e uma estratégia muito mais agressiva do que no passado.

Fujitsu prepara chips de 1,4 nm para IA
Segundo informação avançada pela Nikkei Asia, a Fujitsu vai desenvolver semicondutores de 1,4 nm para aplicações de inteligência artificial. O projecto deverá custar cerca de 363 milhões de dólares e pretende criar tecnologia de origem totalmente japonesa.
Mais do que o número, o que torna este anúncio relevante é o momento. Os chips cada vez mais pequenos são essenciais para centros de dados, modelos de IA e sistemas que exigem mais desempenho com menor consumo energético.
Rapidus é a peça central da nova estratégia japonesa
A produção destes chips ficará a cargo da Rapidus, empresa criada para recolocar o Japão na linha da frente do fabrico de semicondutores. O objectivo é claro: competir a médio prazo com nomes como TSMC, Samsung e Intel no mercado da produção para terceiros.
A Rapidus foi fundada em 2022 com apoio do Governo japonês e participação de grandes grupos como Sony, Toyota, NEC, SoftBank, Kioxia, Denso, Nippon Telegraph e MUFG Bank.
Esta combinação mostra que o plano japonês não depende apenas de uma empresa. Há uma tentativa coordenada entre Estado, indústria tecnológica, automóvel e telecomunicações.
Porque é que isto importa agora
Os semicondutores estão no centro de quase tudo: smartphones, carros, servidores, redes móveis e inteligência artificial. Quem dominar o fabrico dos chips mais avançados ganha influência industrial, tecnológica e até geopolítica.
É por isso que o movimento do Japão está a ser seguido com atenção. Se o país conseguir acelerar a produção local de chips avançados, poderá reduzir a dependência externa e ganhar peso numa cadeia de abastecimento hoje dominada por poucos actores.
O investimento do Japão está acima de várias economias ocidentais
Em esforço relativo à dimensão da economia, o Japão está a apostar mais do que vários países ocidentais no sector dos semicondutores. Os dados citados pela Nikkei Asia indicam que o país canaliza cerca de 0,71% do PIB para esta indústria.
Para comparação:
- Estados Unidos: 0,21% do PIB
- Alemanha: 0,41%
- França: 0,2%
- Reino Unido: 0,04%
Estes números ajudam a perceber que a recuperação japonesa não é apenas discursiva. Há uma aposta financeira clara e um sentido de urgência.
Uma fábrica automatizada para produzir chips de 2 nm
A Rapidus já iniciou testes de processamento de bolachas numa linha piloto na cidade de Chitose, em Hokkaido. O plano passa por arrancar com a produção em massa de chips de 2 nm em 2027.
Um dos pontos mais ambiciosos do projecto é a automatização total da fábrica. A empresa quer recorrer a robôs e inteligência artificial para acelerar o fabrico, baixar custos e melhorar a qualidade.
Na prática, a ideia é simples: produzir chips mais depressa e com menos falhas num mercado onde cada detalhe conta.
O ecossistema japonês também está a mexer
O Japão não parte do zero. Empresas como Tokyo Electron, Canon e Nikon têm um papel relevante no desenvolvimento de equipamento para produção de semicondutores. Já a JSR destaca-se nos materiais fotorresistentes, essenciais para transferir os padrões dos circuitos para as bolachas de silício.
Isto significa que o país ainda mantém competências industriais valiosas. O que está a tentar fazer agora é ligar essas peças numa estratégia mais moderna e ambiciosa.
O verdadeiro alvo: recuperar influência na indústria dos chips
Durante muito tempo, Taiwan e Coreia do Sul consolidaram posições difíceis de desafiar no fabrico de chips avançados. O Japão sabe que não vai inverter esse equilíbrio de um dia para o outro, mas quer voltar a ser uma potência relevante nesta área.
Se a Rapidus cumprir o calendário dos 2 nm e conseguir acompanhar a evolução até aos 1,4 nm, o mapa global dos semicondutores pode ganhar um novo competidor de peso.
Para os utilizadores comuns, isso pode traduzir-se em mais capacidade de produção, menos risco de escassez e uma concorrência mais forte num sector vital para quase toda a tecnologia que usamos diariamente.
Fonte: tomshardware




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