O Instagram está a abrir a porta a uma personalização muito mais granular das recomendações do Reels. Em vez de dependeres apenas do histórico de visualizações e de interações, podes agora dizer à plataforma, de forma explícita, quais são os temas que te interessam e aqueles de que queres ver menos. A funcionalidade está a ser disponibilizada globalmente para quem utiliza a app em inglês e traz um painel dedicado onde encontras uma lista de tópicos sugeridos pela inteligência artificial da Meta com base na tua atividade recente.
Na prática, deixas de ser apenas um conjunto de sinais algorítmicos e passas a ter uma espécie de “lista de interesses” que condiciona o que te é apresentado. É uma mudança importante para a experiência do utilizador, mas também para a transparência: finalmente tens um botão que influencia o que o sistema prioriza e não apenas um conjunto opaco de métricas de retenção.
O novo painel funciona em três camadas:
- Tópicos sugeridos: a Meta propõe temas com base no que tens visto ultimamente. Podes remover os que não fazem sentido ou adicionar categorias que te faltam.
- Ver menos: um campo separado onde indicas áreas de interesse que queres atenuar. Não desaparecem por completo, mas passam a ter menos peso nas recomendações.
- “Constrói o teu algoritmo para 2026”: uma opção que te convida a destacar três temas-chave para o próximo ano, sinalizando ao sistema que são prioridade.
Este último ponto é curioso porque introduz uma intencionalidade temporal. Em vez de o algoritmo reagir apenas ao teu consumo recente famoso por prender o utilizador numa espiral de conteúdos, há agora um mecanismo para definir metas de interesse mais estáveis. Se este modelo pegar, pode reduzir as clássicas “toca do coelho” que transformam uma visualização acidental em semanas de recomendações irrelevantes.
- Anúncios continuam a ser anúncios: não é possível pedir ao Instagram para te mostrar menos publicidade adicionando “ads” como tema a evitar. O campo “ver menos” aceita interesses reais (por exemplo, “conteúdo patrocinado” ou áreas temáticas concretas), mas não desliga a presença de publicidade. Em suma, podes refinar o tipo de conteúdo orgânico, não eliminar o inventário publicitário.
- Etiquetagem nem sempre acerta: por muito avançados que sejam os modelos de IA, a classificação de vídeos nem sempre é precisa. Um clip de freestyle ski pode surgir etiquetado como “snowboard”, por exemplo. Isso significa que, mesmo ao apontares interesses muito específicos, poderás apanhar algumas recomendações que parecem “desalinhadas”. A boa notícia é que o ajuste às novas preferências é relativamente rápido, desde que uses as opções de remoção e “ver menos”.
Se queres um feed que pareça feito à tua medida sem perder a capacidade de descoberta que torna o Reels viciante experimenta o seguinte:
- Começa pequeno e específico: escolhe 5 a 8 temas que saibas que consomes consistentemente. Evita rótulos demasiado amplos (“desporto”) e privilegia subtemas (“trail running”, “boulder”, “fotografia móvel”).
- Usa o “ver menos” como travão, não como silenciador: quando notas uma tendência irritante ou repetitiva, adiciona-a à lista. É mais eficaz do que ignorar clipes, porque atua ao nível do tema e não de um vídeo isolado.
- Reavalia mensalmente: interesses mudam. Entra no painel e remove o que já não faz sentido; acrescenta novidades que queres explorar nas próximas semanas.
- Reserva os 3 temas de 2026 para prioridades reais: trata-os como os teus “favoritos permanentes”, não como curiosidades temporárias. Isso aumenta a coerência das recomendações ao longo do tempo.
Para criadores, esta mudança é faca de dois gumes. Por um lado, conteúdos focados em nichos claros tendem a ser mais bem classificados e encontram público mais qualificado — ótimo para fidelização. Por outro, títulos e descrições ambíguas podem penalizar a distribuição, já que o sistema tenta casar vídeos com interesses declarados. A mensagem é simples: taxonomia importa. Legendas, hashtags e sinais visuais consistentes ajudam a IA a entender o tema do vídeo.
Marcas e equipas de social também terão de repensar a estratégia. Se o público define conscientemente o que quer ver, conteúdos genéricos terão menos tração. Vale a pena apostar em séries temáticas, linguagem específica do subgénero e formatos que respondam a interesses explícitos dos utilizadores. Ao mesmo tempo, como a publicidade não é afetada por estes controlos, o posicionamento pago continua viável mas criativos mal segmentados podem gerar rejeição num ambiente cada vez mais afinado à volta de preferências.
Fonte: Engadget






























