Implante no cérebro permite que tetraplégico escreva 16 palavras por minuto

A ciência e a tecnologia estão, cada vez mais, a converter para melhorar o dia a dia das pessoas e isso é visto com mais esta inovação. Cientistas com a colaboração da BrainGate usaram, pela primeira vez, um sensor implantado para registrar os sinais cerebrais associados à escrita à mão e usaram esses sinais para criar texto num computador em tempo real.

Em um estudo publicado na revista Nature, um participante de um ensaio clínico com uma lesão da medula espinhal cervical usou o sistema para “digitar” palavras em um computador a uma taxa de 90 caracteres por minuto, mais do que o dobro do recorde anterior. Isso foi feito pelo participante simplesmente pensando sobre os movimentos das mãos envolvidos na criação de letras escritas.

A equipe de pesquisa tem esperança de que tal sistema possa, um dia, ajudar a restaurar a capacidade das pessoas de se comunicarem após paralisia causada por lesão ou doença.

Este novo estudo faz parte do ensaio clínico BrainGate, dirigido pelo Dr. Leigh Hochberg. “Uma missão importante da pesquisa do consórcio BrainGate é restaurar a comunicação rápida e intuitiva para pessoas com falta de fala grave ou deficiência motora”, disse Hochberg, que também dirige o Centro de Neurotecnologia e Neurorrecuperação do Hospital de Massachusetts e do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Reabilitação para Neurorestabelecimento e Neurotecnologia de veteranos. “A demonstração de descodificação neural rápida e precisa da escrita à mão marca um novo capítulo emocionante no desenvolvimento de neurotecnologias clinicamente úteis.”

A colaboração BrainGate tem trabalhado por vários anos em sistemas que permitem às pessoas gerar texto por meio do controle direto do cérebro. Para este último estudo, a equipe queria descobrir se pedir a um participante para pensar sobre os movimentos envolvidos na escrita de letras e palavras à mão seria mais rápido, o que acabou por ser um sucesso.

“Queremos encontrar novas maneiras de permitir que as pessoas se comuniquem com mais rapidez”, disse Frank Willett, investigador também neste estudo.

O participante do ensaio, um homem de 65 anos (na época do estudo), estava paralisado do pescoço para baixo por uma lesão na medula espinhal. Como parte do ensaio clínico, foi colocado dois implantes minúsculos do tamanho de uma aspirina infantil em uma parte de seu cérebro associada ao movimento de seu braço direito e mão. Usando sinais que os sensores captaram de neurónios individuais quando o homem se imaginou escrevendo, um algoritmo de AI reconheceu os padrões que seu cérebro produzia com cada letra. Com esse sistema, o homem poderia copiar frases e responder perguntas em um ritmo semelhante ao de alguém da mesma idade digitando em um smartphone.

O sistema é tão rápido porque cada letra elicia um padrão de atividade altamente distinto, tornando relativamente fácil para o algoritmo distinguir um do outro, diz Willett.