A liderança no maior mercado de smartphones do mundo mudou novamente de mãos. Em 2025, a Huawei fechou o ano no topo na China, algo que não acontecia desde 2020, num cenário marcado por competição feroz, orçamentos mais apertados e ciclos de substituição cada vez mais longos. A diferença para a Apple foi mínima, o mercado encolheu ligeiramente e os custos subiram — um cocktail que promete tornar 2026 ainda mais desafiante para todos.
Como a Huawei reconstruiu a vantagem
Depois de anos a navegar restrições e sanções, a Huawei reconfigurou a sua estratégia com pragmatismo. O regresso em força à conectividade 5G, o reforço de chips próprios da família Kirin e um portefólio premium com apelo claro — assente nas linhas Mate e Pura — criaram o impulso que faltava. Mais do que um retorno simbólico, foi um regresso sustentado por execução industrial: capacidade doméstica melhorada, maior controlo sobre a cadeia de fornecedores e um afinamento da proposta de valor no segmento alto.
A aposta nas gamas topo de gama compensou. Em vez de dispersar recursos numa avalanche de modelos, a marca apostou em diferenciação tangível: fotografia computacional amadurecida, autonomia acima da média e integração apertada entre hardware e software.
A noção de “desempenho suficiente” em média gama empurrou muitos compradores com poder de compra para o premium — exatamente onde a Huawei se posicionou para capturar margem e atenção. O resultado prático traduziu-se em quota à frente de todos, com expedições que passaram os 46 milhões de unidades e um avanço estatístico curto mas decisivo sobre a Apple.
Apple não cede terreno — e ganha o último trimestre
O topo não pertenceu à Huawei durante todo o ano sem resposta. A Apple manteve-se colada, muito graças ao fôlego do iPhone 17, que galvanizou o quarto trimestre e colocou a marca no número um nesse período isolado. A fidelização do ecossistema, os programas de retoma e a consistência do software continuam a fazer a diferença, sobretudo em mercados urbanos onde o poder de compra suporta ciclos de substituição menores.
Ainda assim, o ano fechou com a Apple ligeiramente atrás na soma total. O embate entre as duas gigantes ganhou um novo capítulo: a diferença anual de quotas foi de meros décimos de ponto percentual, sinal de um duelo em que a execução de curto prazo, a disponibilidade de stock e a assertividade promocional podem decidir quem sobe ao pódio a cada trimestre.
Os restantes protagonistas e a dança no top 5
Vivo, Xiaomi e Oppo mantiveram-se na perseguição, com um jogo de equilíbrios entre inovação incremental e preço. Estas marcas plantaram terreno em média e alta gama com propostas muito competentes, mas a pressão nos custos de componentes obrigou a escolhas difíceis: ou subir preços, ou adiar lançamentos para proteger margens.
Fora do top cinco, a Honor perdeu tração, prova de que a batalha se joga ao milímetro e de que a visibilidade, rede de retalho e timing de lançamento podem arruinar um ano que, no papel, parecia sólido.
Um mercado que encolhe e fica mais caro
Embora a luta no topo esteja vibrante, o pano de fundo é menos risonho. Os envios totais de smartphones na China recuaram cerca de 0,6% em 2025, para aproximadamente 285 milhões de unidades. O mercado está maduro, o 5G já não é fator de substituição por si só e muitas famílias adiam a troca porque os telemóveis de há dois ou três anos continuam a “dar conta do recado”. A somar a isto, os preços da memória e outros componentes subiram, pressionando a estrutura de custos e levando várias marcas a rever calendários e posicionamentos de preço.
Quando o bolo não cresce, ganha quem consegue tirar fatia a outrem — e fazer isso sem destruir margens é o verdadeiro truque. A Huawei e a Apple resistiram melhor graças ao prémio do segmento alto. As restantes tiveram de calibrar agressivamente a relação qualidade/preço, o que se reflete em menor capacidade de investimento em marketing e I&D ao longo do ano.
2026 no horizonte: o que pode mudar (ou não)
A leitura para 2026 é de prudência. As atualizações de ciclo devem manter-se lentas, os custos não mostram sinais de recuo significativo e a competição tenderá a radicalizar-se, com mais campanhas de retoma, bundles de serviços e uma aposta redobrada em diferenciação de câmara, bateria e software inteligente no dispositivo.
Para a Huawei, defender a liderança implicará ritmo de lançamento disciplinado, disponibilidade sólida e continuidade na integração vertical dos seus componentes. Para a Apple, a chave passará por manter o apelo do iPhone em prazos mais longos, reforçando propostas de valor como segurança, privacidade e serviços.
Do lado de vivo, Xiaomi e Oppo, a margem de manobra estará em oferecer “quase topo de gama” a preços que façam esquecer o premium, sem canibalizar linhas hero e sem sacrificar rentabilidade. A execução logística e a leitura fina do retalho serão tão importantes quanto qualquer especificação técnica.
O que isto significa para os consumidores
Para quem compra, este duelo traduz-se em melhores câmaras, mais autonomia e software mais refinado, mesmo nos segmentos abaixo do topo. Espera-se também mais políticas de atualização alargadas e programas de retoma agressivos para acelerar a substituição.
O efeito colateral é que o preço médio de venda continuará elevado no premium e pode haver menos fogo de artifício em descontos imediatos, com as marcas a preferirem valor diferido (serviços, garantia, acessórios).
Conclusão: uma vitória curta, uma batalha longa
A Huawei recuperou a coroa em 2025, mas a margem mínima para a Apple deixa claro que nada está garantido. Num mercado que encolhe ligeiramente e encarece por dentro, a diferença entre ganhar e perder resume-se a execução, foco e timing. 2026 promete outra temporada intensa, onde cada anúncio, cada parceria e cada melhoria concreta no produto poderá valer pontos decisivos.
Fonte: Gizmochina





























