Huawei prevê enviar até 60 milhões de smartphones a menos devido ao bloqueio dos EUA

A Huawei já está a rever as previsões da marca para 2019, sendo que, como seria de esperar, as notícias não são animadoras. Segund a Bloomberg, a Huawei prevê perder em vendas cerca de US $ 30 mil milhões nos próximos dois anos por causa da campanha dos EUA contra os seus negócios, afirmou o fundador e CEO da empresa de tecnologia chinesa.

“Nos próximos dois anos, eu acho que vamos reduzir a nossa capacidade, nossa receita será inferior em cerca de US $ 30 mil milhões, em comparação com a previsão, por isso a nossa receita de vendas este ano e no próximo ano será cerca de 100 mil milhões de dólares”, disse Ren Zhengfei durante uma painel de discussão na sede da Huawei em Shenzhen.

A empresa de tecnologia chinesa viu-se colocada no meio de uma guerra comercial entre os EUA e a China. A administração Trump deu um grande golpe à empresa quando acrescentou a Huawei a uma lista negra que proíbe as empresas norte-americanas de fazer negócio com a empresa sem obterem uma licença do governo dos EUA. Desta forma, empresas como a Google são obrigadas a não fornecer atualizações para o Android, nem a utilização dos seus serviços, como a loja de aplicações Play Store.

Segundo o divulgado, Washington teme que Pequim possa usar os equipamentos da Huawei para espionar outras nações e tem pressionado os seus aliados a bloquear o 5G à empresa norte-americana. A Huawei negou repetidamente que qualquer um de seus produtos represente um risco para a segurança nacional.

Apesar de ter ficado fora do mercado dos Estados Unidos por quase uma década por causa dessas preocupações, a Huawei se tornou a maior fabricante de equipamentos de telecomunicações do mundo e a segunda maior marca de smartphones. Mas apenas quatro semanas na lista negra comercial dos EUA está a atingir duramente a empresa, prejudicando o seu negócio de smartphones e colocando em causa o seu domínio em equipamentos 5G.

As vendas de unidades de smartphones no exterior “caíram 40%”, disse Ren. Um porta-voz da empresa disse que Ren estava se referindo a uma queda nas vendas entre 17 de maio e 16 de junho, em comparação com o mês até 16 de maio. Mas, independentemente do período, dá para perceber qual é o impacto que esta medida dos EUA está a causa à Huawei.

A Huawei pode cair para o terceiro lugar, atrás da Apple

Os comentários o CEO da Huawei acontecem menos de uma semana depois de a Huawei ter admitido que não conseguirá cumprir um dos objetivos a que se proponha: atingir o primeiro lugar do mercado dos smartphones até ao final do ano, ultrapassando a Samsung.

Alguns analistas têm dio um pouco mais longe e com o lançamento dos novos iPhones no final do ano, até poderá perder o terceiro lugar no mercado dos smartphones. Se houver “desenvolvimentos positivos” para a Huawei nos próximos dois meses, pode “possivelmente” manter a sua segunda posição neste ano, de acordo com Kiranjeet Kaur, analista da empresa de pesquisa IDC. “Caso contrário, será uma situação difícil para a Huawei”.

A proibição das exportações dos EUA forçou empresas como Google (GOOGL) e Facebook (FB) a cortar a Huawei de aplicativos e serviços populares, sem os quais os telefones da Huawei se tornam muito menos atraentes para os consumidores.

As principais operadoras do Reino Unido e do Japão estão a atrasar o lançamento dos smartphones Huawei, e fornecedores fora dos Estados Unidos estão a reportar um declínio nos pedidos de equipamentos da empresa chinesa por parte dos consumidores. O presidente da fabricante de chips taiwanesa TSMC, Mark Liu, disse no início do mês que “os pedidos da Huawei também cairam este ano”.

Domínio no 5G em risco?

Além dos smartphones, a posição da Huawei como líder em tecnologia 5G parece vulnerável. O CEO da Huawei afirmou que a empresa esperava uma concorrência acirrada e até conflitos, uma vez que alcançou uma posição de liderança de mercado nesta nova área.

“No entanto, o que nós não prevíamos era que a determinação estratégica dos EUA para nos atacar seria tão grande, e poderia ser tão inabalável”, disse Ren Zhengfei. “Nós também não previmos que os EUA nos atacariam estrategicamente em tantas frentes”, acrescentou.

A empresa investiu fortemente no desenvolvimento da próxima geração do 5G. A Huawei e as suas afiliadas fizeram mais contribuições para o esforço de estabelecer um padrão internacional para o 5G do que as concorrentes Nokia (Nokia) e Ericsson (ERIC) juntas, segundo a IPlytics, uma empresa de inteligência de mercado que monitoriza as tendências tecnológicas.

Agora, a Nokia está a diminuir  a diferença com a Huawei ao conquistar novos contratos 5G, e algumas empresas estão supostamente a evitar a Huawei em reuniões internacionais. No entanto, O CEO da Huawei continua confiante de que sua empresa pode sobreviver, e ele previu que a empresa poderia voltar a crescer em breve. “Nós não seremos complacentes, nós ainda queremos colaborar abertamente com o mundo”, disse ele.

A Huawei até estabeleceu contratos com a Rússia para construir o 5G no país, abrindo os seus horizontes para manter-se no segmento e, pelo menos, mante ro domínio na área.

Fonte: Bloomberg

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