Huawei diz ter ultrapassado a Nvidia na China
A Huawei afirma que os seus chips de inteligência artificial já conquistaram uma quota de mercado superior à da Nvidia na China. A mudança surge depois de sucessivas restrições norte-americanas às exportações de aceleradores avançados.
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A empresa reconhece que os processadores Ascend ainda ficam atrás dos rivais em desempenho bruto. Mas, num mercado pressionado pela incerteza no fornecimento, a produção doméstica tornou-se uma vantagem decisiva.

Huawei reclama liderança nos chips de IA
Eric Xu, presidente rotativo da Huawei, afirmou que a linha Ascend ultrapassou a Nvidia no mercado chinês. O responsável admitiu, no entanto, que é difícil obter números totalmente precisos sobre a presença da Nvidia no país.
A declaração deve, por isso, ser encarada como uma estimativa da própria Huawei e não como um dado independente confirmado. Ainda assim, mostra até que ponto a disputa pelos chips de IA está a mudar na China.
Restrições dos EUA aceleraram a aposta chinesa
As limitações impostas por Washington à venda de aceleradores de inteligência artificial levaram empresas e operadores chineses a procurar alternativas locais.
Mesmo depois de algumas regras terem sido flexibilizadas, a possibilidade de novas proibições deixou uma mensagem clara para Pequim: depender de fornecedores estrangeiros pode colocar em risco o crescimento da indústria de IA.
Para a Huawei, os chips Ascend podem ser menos avançados do que os modelos da Nvidia ou da AMD, mas oferecem algo igualmente importante: maior previsibilidade no fornecimento.
Desempenho inferior, mas escala muito maior
A Huawei está a compensar parte da desvantagem técnica com grandes implementações. A empresa encontra-se a desenvolver um supercomputador Atlas 950 com 256.000 aceleradores.
A arquitetura mais recente foi também concebida para treinar e executar modelos com biliões de parâmetros, podendo escalar, no futuro, até um milhão de unidades de processamento neuronal.
Na prática, isto significa que um chip individual pode não superar um acelerador Nvidia em todos os testes. Porém, uma frota muito maior e um fornecimento mais estável podem ser suficientes para suportar serviços de IA em larga escala.
A Huawei ainda não quer competir em todo o mundo
Apesar do avanço na China, Eric Xu afastou a ideia de uma expansão internacional agressiva. Segundo o executivo, a Huawei ainda não tem capacidade para satisfazer toda a procura no mercado doméstico.
A prioridade continuará a ser dada aos clientes chineses. Fora do país, os chips Ascend deverão chegar apenas a um número limitado de organizações que não têm acesso a alternativas ou que procuram reduzir a dependência da Nvidia.
Esta posição limita, pelo menos por agora, o impacto global da Huawei no mercado de aceleradores de IA. Na China, contudo, a empresa já está a disputar diretamente um território que era dominado pelos fabricantes norte-americanos.
O software pode ser a próxima grande mudança
Durante anos, o principal obstáculo aos chips Ascend não foi apenas o hardware, mas o ecossistema de software. A Nvidia beneficiou durante muito tempo da forte adoção da plataforma CUDA, usada por investigadores e empresas para desenvolver modelos de IA.
A Huawei afirma que essa vantagem está a diminuir. A evolução das arquiteturas dos modelos e a utilização de novas técnicas de programação estarão a reduzir a dependência do CUDA face ao que acontecia há dois anos.
A empresa chinesa DeepSeek, que trabalha com aceleradores Ascend há mais de um ano, terá lançado ferramentas para facilitar a utilização destes chips por outros laboratórios de IA.
O que isto significa para a Nvidia
A Nvidia continua a ter uma liderança tecnológica importante, mas perdeu margem de segurança no mercado chinês. Durante uma apresentação de resultados, a empresa revelou que as entregas de aceleradores H200 para a região representavam menos de 1% das receitas do seu negócio de centros de dados.
O caso mostra que as sanções e restrições comerciais podem ter efeitos inesperados. Em vez de travarem a procura por computação, podem acelerar a criação de uma cadeia tecnológica nacional e reduzir a dependência de empresas estrangeiras.
Fonte: theregister




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