Há marcas que se contentam em seguir a maré; a Huawei, nesta ronda, voltou a remar contra ela. Em plena temporada de compras, a gigante chinesa anunciou um pacote de novidades que mira o topo do topo: um dobrável tipo livro que afina medidas sem sacrificar a bateria, uns auriculares “abertos” pensados para uso prolongado, uma nova tablet com ecrã mate e, como peça de conversa obrigatória, um smartwatch em ouro de 18 quilates com preço de joalharia.
Tudo com disponibilidade faseada já em janeiro.
O regresso em força ao hardware de luxo
A estratégia é clara: se os serviços Google continuam fora da equação, a Huawei quer que o hardware faça todo o barulho. Em vez de entrar em guerras de preço, a marca reforça materiais nobres, design trabalhado e funcionalidades de nicho.
O resultado é um alinhamento que foge ao “mainstream”, tanto na estética como na etiqueta de preço, e que coloca a conversa mais perto do segmento de luxo do que da eletrónica de consumo tradicional.
Mate X7: um dobrável para convencer quem ainda hesita

O Mate X7 chega como vitrine tecnológica. É um dobrável estilo livro que promete reduzir espessura face à geração anterior, mantendo uma bateria generosa de 5.300 mAh — exatamente o tipo de compromisso que tem travado muita gente neste formato. A Huawei também aponta melhorias na fotografia e no vídeo, com ganhos declarados na precisão de cor e no alcance dinâmico, para que a experiência de câmara não fique atrás de um topo de gama “tradicional”.
Mais do que números, o interessante aqui é a ambição: aproximar o dobrável daquilo que as pessoas esperam de um telemóvel normal, em vez de pedir concessões diárias. Se a ergonomia acompanhar e o software souber tirar partido do ecrã expandido, o Mate X7 pode ser o primeiro dobrável de muitos utilizadores que têm adiado a mudança.
FreeClip 2: som sem vedar o ouvido, conforto como prioridade
No áudio, a Huawei continua a fugir do molde com os FreeClip 2. Este formato aberto — que muitos descrevem como “pendente” — evita tapar o canal auditivo, deixando entrar som ambiente. É uma solução que faz muito sentido para quem corre na rua, trabalha em escritório e precisa de estar atento ao que o rodeia ou simplesmente não se dá bem com borrachas no ouvido.
A marca promete um peso pluma por unidade e autonomia total a rondar várias dezenas de horas com caixa, ao mesmo tempo que reforça a qualidade de chamadas via algoritmos de IA. A segunda geração serve, assim, para polir arestas do original: conforto prolongado, microfones mais capazes e um som que, sem isolar, ganha corpo.
Watch Ultimate Design: um smartwatch que também é joia
Não é todos os dias que vemos um relógio inteligente em ouro de 18 quilates. O Watch Ultimate Design assume-se sem rodeios como peça de luxo: metal líquido na caixa, cerâmica no aro e incrustações douradas onde o olhar cai primeiro. O preço de 3.299 € deixa claro o público-alvo: quem quer tecnologia vestível com o mesmo estatuto de um relógio de alta-relojoaria, mas com métricas de saúde, modos desportivos e funções de mergulho dignas de computador dedicado.
É um nicho? Sem dúvida. Mas também é um recado: a Huawei quer um lugar na mesa onde se discutem materiais, acabamentos e exclusividade, e não apenas sensores e autonomia.
MatePad 11.5 S 2026: escrever e desenhar sem reflexos
A nova tablet aposta numa ideia simples e eficaz: tornar a experiência de escrita e desenho mais natural. O ecrã PaperMatte reduz reflexos e dá textura ao traço do stylus, aproximando a sensação do papel. Para quem esboça, anota ou estuda, isto vale tanto quanto mais brilho ou mais hertz num painel brilhante.
Não é uma revolução em especificações, é um refinamento pensado para quem vai usar caneta horas seguidas. A estratégia é sensata: em vez de tentar bater portáteis em potência, a MatePad 11.5 S 2026 quer ser o caderno digital que apetece abrir.
Preços e calendário: luxo sem pudores
A chegada aos mercados europeus acontece de forma escalonada a partir de meados de janeiro, com referência à distribuição em Espanha e provável alinhamento semelhante noutros países:
- Mate X7: 2.099 € (28 de janeiro) – FreeClip 2: 199 € (22 de janeiro)
- MatePad 11.5 S 2026: desde 399 € (15 de janeiro)
- Watch Ultimate Design: 3.299 € (15 de janeiro)
O que isto diz sobre a Huawei em 2025
A leitura é direta: a marca prefere margens e diferenciação a volume. Em vez de competir com preços agressivos, investe onde poucos se atrevem — materiais premium, formatos ousados e experiências específicas. Para o utilizador comum, os valores podem soar a exagero; para quem quer algo diferente, há aqui propostas que não têm muitos equivalentes.
Resta o eterno “mas”: o ecossistema. Sem Google Mobile Services, a Huawei continua a depender da AppGallery e de soluções próprias como Petal. Para muitos, já chega; para outros, ainda é obstáculo. O Mate X7 e companhia mostram, contudo, que a empresa não espera que o software resolva tudo. Está a construir desejo através do objeto em si. E, no fim, é isso que faz um produto ficar na memória: quando o apetece usar antes de olhar para a folha de especificações.
Vale a pena?
Se procura um dobrável maduro e não quer compromissos em bateria ou fotografia, o Mate X7 merece atenção — sobretudo se valoriza design fino e um ecrã grande para produtividade. Se a prioridade é conforto e segurança auditiva, os FreeClip 2 são uma alternativa interessante aos in-ear clássicos. Para quem desenha, estuda ou escreve à mão, a MatePad 11.5 S 2026 pode ser a tablet “certa” pelo toque do ecrã e preço de entrada.
O relógio em ouro? É para quem quer que o gadget seja também joia: compra-se com o coração, não com a calculadora.





































