HP: RAM já supera um terço do custo do PC
A indústria dos computadores pessoais entrou numa fase peculiar: a memória voltou a ser a estrela — e não pelos melhores motivos. Num mercado moldado pela corrida global à inteligência artificial, os chips de memória passaram a ser o recurso escasso que toda a gente quer, do centro de dados ao portátil da sala.
Neste artigo encontras:
- Porque é que a memória disparou de preço?
- Quando a RAM pesa mais do que a CPU no custo do PC
- PCs com IA: necessidade real ou etiqueta de marketing?
- Estratégias dos fabricantes: diversificar e cortar arestas
- Vai comprar um PC em 2026? Estratégia para não pagar mais do que precisa
- Quando pode aliviar a pressão?
- FAQ
O resultado sente-se na carteira: o preço da RAM nos PCs subiu tanto que, em muitas configurações, já pesa mais do que o processador no custo total.
Porque é que a memória disparou de preço?
A resposta curta tem três letras: IA. A expansão de infraestruturas para treinar e executar modelos generativos está a sugar a capacidade mundial de produção de memória, especialmente tecnologias de alto débito como HBM para GPUs de datacenter. Quando os grandes clientes absorvem o topo da oferta, o resto da cadeia — incluindo a DRAM convencional para PCs — fica comprimida.
Ao mesmo tempo, as linhas de fabrico não se escalam da noite para o dia: construir novas fábricas e amadurecer nós de produção leva anos, não meses.
Há ainda um fator técnico: DDR5 e LPDDR5/5X, hoje padrão em muitos portáteis e desktops, são mais complexos de fabricar do que gerações anteriores. O rendimento por wafer e os requisitos de validação elevam o custo base. Com procura em alta e oferta limitada, o inevitável acontece — o preço sobe.
Quando a RAM pesa mais do que a CPU no custo do PC
Vários fabricantes já o admitem internamente: a memória passou a ocupar uma fatia inédita da lista de materiais. A HP, por exemplo, projeta que a RAM e o armazenamento representem agora cerca de 35% do custo de fabrico de um PC, quando há poucos trimestres esse peso rondava 15–18%. Perante esta pressão, a empresa está a ajustar preços no canal. A Samsung, por sua vez, também alertou para subidas decorrentes da escassez.
Isto traduz-se em equipamentos com PVPs mais altos, especialmente nas versões com 32 GB ou 64 GB de RAM e SSDs de maior capacidade. Mesmo marcas que historicamente mantinham margens contidas já anunciaram revisões, enquanto procuram alternativas de abastecimento ou configurações mais “magras” para não rebentar orçamentos.
PCs com IA: necessidade real ou etiqueta de marketing?
A procura por “AI PCs” está a crescer em alguns segmentos. A HP afirma que cerca de 35% das suas vendas de computadores já vêm desses modelos com funcionalidades de IA locais. Em paralelo, há vozes na indústria a relativizar o entusiasmo, lembrando que muitos consumidores ainda não valorizam de forma clara o selo “IA” num portátil.
Ambas as coisas podem ser verdade: no empresarial, a aceleração local de tarefas de produtividade e segurança atrai investimento; no consumo, a decisão continua a ser ditada por preço, autonomia e qualidade de ecrã/teclado. Para quem só navega, estuda e faz videoconferências, 16 GB e um SSD rápido continuam a ter mais impacto no dia a dia do que um rótulo.
Estratégias dos fabricantes: diversificar e cortar arestas
Perante um mercado desequilibrado, os OEMs reforçam o leque de fornecedores de memória e procuram origens de custo mais baixo. No lado dos produtores de chips, há sinais de realocação de prioridades: empresas como a Micron redirecionaram foco para o fornecimento B2B, deixando algumas marcas de consumo em segundo plano para libertar capacidade para clientes empresariais e de datacenter.
Este efeito dominó chega a outros componentes. As GPUs, essenciais tanto para jogos como para IA, também sentem a pressão: não apenas sobem de preço por si, como “puxam” memórias de alta velocidade para o ecossistema dos centros de dados, apertando ainda mais o funil.
Vai comprar um PC em 2026? Estratégia para não pagar mais do que precisa
No curto prazo, é prudente planear. Eis uma abordagem prática:
- Se precisa de um portátil já: privilegie modelos com RAM em SO-DIMM substituível. Comprar com 16 GB e fazer o upgrade para 32 GB mais tarde pode ser mais em conta do que pagar a diferença na configuração de origem. Evite, se possível, LPDDR soldada quando antecipa ampliar memória.
- Se pode esperar: acompanhe ciclos promocionais de regresso às aulas e fim de ano fiscal das marcas. Mesmo em contexto de preços altos, existem janelas com campanhas agressivas para libertação de stock.
- Se o orçamento é fixo: troque “caprichos” onde o preço está inflacionado (por exemplo, passar de 1 TB para 512 GB no SSD) e invista naquilo que não se altera facilmente (bom ecrã, boa construção, portas suficientes). O armazenamento é simples de ampliar depois.
- Para desktops: montar por peças continua a dar mais controlo. Considere kits DDR5 de 2 módulos para manter dual-channel e deixei slots livres para expansão futura.
Quando pode aliviar a pressão?
As empresas acreditam que o mercado acabará por “racionalizar”. À medida que novas linhas de produção amadurecem e a prioridade entre HBM e DRAM estabiliza, a oferta deverá ficar menos tensa. No entanto, a normalização não é imediata: os próximos trimestres continuarão marcados por preços acima do histórico recente, sobretudo nas capacidades elevadas.
Até lá, escolhas informadas fazem diferença. Apostar na capacidade certa hoje, garantir que o equipamento permite evoluir amanhã e evitar pagar prémios por “overkill” são os antídotos mais eficazes contra a crise da memória.
FAQ
O preço da RAM vai descer este ano?
– É possível algum alívio pontual, mas o cenário base continua pressionado por procura de IA. A normalização será gradual, não instantânea.
Quantos gigabytes preciso em 2026?
– Para uso geral e estudos: 16 GB. Para multimédia pesada, programação com muitos contentores ou edição de foto/vídeo leve: 32 GB. Acima disso, somente se tem um caso de uso claro.
Devo evitar portáteis com memória soldada?
– Se prevê upgrades, sim. LPDDR soldada é eficiente e poupa bateria, mas priva de expansão e pode encarecer as configurações com muita memória.
Os “AI PCs” valem o extra?
– Para tarefas com modelos locais, transcrição, reuniões com melhoria de áudio/vídeo e algumas automações, podem valer. Se o seu uso é básico, priorize CPU eficiente, 16 GB de RAM e SSD rápido.
É melhor comprar já ou esperar?
– Se encontrou um modelo que cumpre requisitos a bom preço, compre. Se pode adiar e não está a perder produtividade, espere por campanhas sazonais ou renovações de gama.
Porque é que as GPUs também estão mais caras?
– A procura para IA e gaming, aliada à necessidade de memórias rápidas, empurra os preços. Ao mesmo tempo, parte da capacidade fabril prioriza componentes de datacenter.
Fonte: Engadget





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