GTA VI: Primeiras Impressões do Extended Look
Grand Theft Auto VI chega a 19 de novembro de 2026 e no passado dia 6 de agosto, a Rockstar Games em parceria com a Netflix anunciaram – o trailer 3 – ou como ficou conhecido, Extended Look que iria chegar em exclusivo a 27 de agosto às 20 horas de Portugal Continental (16 horas de Brasília) e às 2 da manhã de dia 28 ao Youtube. O grande dia chegou e já tivemos oportunidade de acompanhar de perto aquilo que será o mais perto do produto final antes do lançamento – ignorando, claro está, as fugas de informação que se têm espalhado pela internet.
Falamos de uma gameplay de, aproximadamente, 27 minutos repleta de muita informação para assimilar. Se pudesse resumir em poucas palavras a minha reação: a Rockstar Games não desilude. Não pretendemos entrar em spoilers pois nem todos tivemos acesso ao mesmo tempo ao conteúdo, no entanto, não poderíamos deixar de dizer que a expetativa é justificada. Recorde-se anteriores lançamentos em que o trailer mostrava um aspeto extremamente definido e a realidade (o produto final) superou quase sempre essas primeiras impressões.
GTA VI chega-nos com Jason e Lucia na cidade fictícia de Leonida (baseada na Flórida) trazendo consigo a incrível Miami que já faz parte do universo Grand Theft Auto que tantos jogadores emocionou e divertiu por diferentes gerações. Introduz uma dinâmica ao estilo de Bonnie e Clyde a estes personagens da série. Um assalto que corre mal arrasta a dupla para o submundo de uma conspiração criminosa que abrange todo o estado de Leonida. E como não poderia deixar de ser, a sátira foca-se na cultura contemporânea das redes sociais, livestreams, culto da imagem e excentricidade da vida na Flórida. Esta apresentação alargada capturada diretamente numa PlayStation 5 Standard, aprofundou vários aspetos práticos de gameplay e tecnologia.
Se olharmos para a interação e cooperação tática, é evidente a demonstração de fluidez na alternância e apoio mútuo entre Lucia e Jason durante os tiroteios, invasões e perseguições – algo que já era visível em GTA V e RDR2 mas que melhora agora por força da experiência do estúdio. A densidade e IA de NPCs: o motor RAGE apresenta uma densidade de transeuntes sem precedentes: praias completamente cheias, clubes noturnos com comportamentos individuais dinâmicos e reações da polícia com maior responsividade. A fidelidade visual e física é irrepreensível: a iluminação global foi claramente melhorada, os fluídos e a deformação dos veículos são mais realistas, além de interiores altamente detalhados e exploráveis.
Neste novo flagship, é possível alternar entre a Lucia e o Jason quase instantaneamente durante missões e em mundo aberto, sem os longos zooms aéreos do título anterior – que, verdade seja dita eram fantásticos para um título com 13 anos. Agora, quando um dos protagonistas não está sob controlo direto, a IA assume o comando com base no papel tático atribuído (cobertura, infiltração ou condução de fuga), adaptando o posicionamento às linhas de tiro do jogador. É evidente uma mistura daquilo que GTA V e RDR2 têm de bom e elevado a outro nível. A única crítica, em minha opinião, é a condução que parece seguir a mesma linha do jogo anterior e que poderia ter dado espaço para uma interpretação algo entre GTA IV e V, trazendo parte do realismo físico e mecânico.

Em GTA VI é possível verificar um novo compromisso ao nível da jogabilidade em matéria de gestão e controlo de reféns em heists. Enquanto um dos protagonistas recolhe, por exemplo, o dinheiro, os cofres ou itens de valor, o outro mantém os civis e seguranças debaixo de olho para evitar que acionem os alarmes silenciosos. As próprias mecânica de arrombamento e de invasão foram substancialmente melhoradas – nem outra coisa era de esperar olhando para a evolução que o GTA Online tem sofrido e o espaço temporal que decorreu desde GTA V até RDR2 e desde esse momento até ao desenvolvimento ativo de GTA VI. O transporte de armas e de itens partilha restrições físicas, exigindo divisão estratégica de equipamento e munições entre ambos os personagens antes de cada golpe.
Além disso, os NPCs traseundes e a polícia têm agora comportamentos mais coerentes com a realidade. Acabaram o spawns aleatórios de polícia e entra uma abordagem mais tática e organizada – talvez algo que já fora implementado em RDR2 na medida do possível. A resposta da polícia de Vice City difere da atuação dos Xerifes e guardas florestais nas zonas periféricas e pantanosas de Leonida. Os NPCs geram memórias de curto prazo e têm abordagens mais personalizadas sem desatar aos gritos em situações inusitadas. Cada cidadão segue a sua vida de forma mais lógica (trabalho, idas à praia, compras, saídas noturnas, etc) e as conversas e atitudes variam consoante o clima, a hora do dia e o ecossistema, recorrendo às gravações e lives para as redes sociais ao invés de saírem a correr e aos gritos como acontecia em GTA V.

Ao longo do trailer vê-se uma clara preocupação em mostrar um pouco de tudo aquilo que é possível de ser feito neste novo mundo de Leonida. É na sua génese um conteúdo bem conseguido, permitindo gerar enorme expetativa em relação ao lançamento do jogo já em novembro deste ano. Apesar de todo o leque de polémicas que tem enfrentado – é triste que assim aconteça, mas é algo ao qual a Rockstar Games já está habituada – mostra o seu comprometimento para com a comunidade. É inclusivamente pelo seu impacto no ecossistema gaming que a produtora sentiu-se obrigada a pronunciar-se dias antes da divulgação do trailer:
— Rockstar Games (@RockstarGames) August 26, 2026
Por agora, resta esperar ansiosamente pelo lançamento que acontece em menos de 3 meses. O hype já se instalou e basta verificar as principais redes sociais para perceber que o mundo aguarda com entusiasmo um AAA como este. O impacto é já habitual numa altura em que o universo dos videojogos já excede orçamentos e receitas do cinema. Aliás, há quem considere a indústria dos videojogos a nova Hollywood simplesmente pelo conjunto de oportunidades que acrescenta a todos os tipos de artistas.




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