Google voltou atrás na decisão de bloquear a Huawei

A Google divulgou hoje que planeia trabalhar com a fabricante chinesa Huawei durante os próximos 90 dias, logo após os EUA ter divulgado que facilitaria temporariamente algumas restrições comerciais sobre o segundo maior fabricante de smartphones do mundo.

O movimento marca uma reviravolta repentina e dramática para o conglomerado tecnológico dos EUA. No domingo, o Google disse que iria cortar laços com a Huawei, a fim de cumprir com a decisão de Washington que colocou a gigante de telecomunicações da China na “Entity List” (uma lista negra), o que impede que qualquer empresa norte-americana estabelece qualquer relação comerciais com essas empresas.

No entanto, pouco tempo depois, o departamento de comércio dos EUA anunciou que tinha concedido uma licença de 90 dias para empresas de smartphones e fornecedores de banda larga da Internet, o que permite que as emrpesas norte-americanas trabalhem com a Huawei para manter as redes existentes online e proteger os utilizadores de riscos de segurança.

A isenção permite que o Google envie atualizações de software para telefones Huawei que usam seu sistema operacional Android até 19 de agosto. “Manter os telefones atualizados e seguros é para o melhor interesse de todos e esta licença temporária permite continuar a fornecer atualizações de software e patches de segurança para os modelos existentes durante os próximos 90 dias”, um porta-voz do Google.

Licença geral temporária

O departamento de comércio dos EUA disse que avaliaria se deve estender as isenções temporárias após estes 90 dias. Na semana passada, o departamento de comércio acrescentou Huawei e 68 outras entidades para uma lista negra de exportação, tornando-o praticamente impossível para a empresa chinesa comprar produtos ou serviços nos EUA.

As empresas colocadas nesta Lista Negra” são consideradas envolvidas em atividades que ameaçam a segurança nacional ou os interesses de política externa dos EUA.

No anúncio de segunda-feira explicou que a última autorização tinha sido criada como uma licença geral temporária. Ele permite divulgações de vulnerabilidades de segurança e para a Huawei se envolver no desenvolvimento de padrões para futuras redes 5G.

Quais as consequências deste bloqueio?

Se este bloqueio for para a frente, após os 90 dias, as consequências para a Huawei são inimagináveis. Se em termos da loja de aplicações, poder haver substitutos, como a portuguesa AppToide, mas a própria Huawei tem uma loja de aplicações integrada nos seus equipamentos, em termos de atualizações de segurança o caso é diferente.

É que apesar de o Android estar baseado em código-aberto, o desenvolvimento da mesma é realizado pela Google, logo as atualizações de segurança e do próprio sistema é feito pela Google, numa fase inicial, que depois envia para as fabricantes para efetuarem os pormenores para que fique funcional dos smartphones de cada marca. Desta forma, com o bloqueio da Huawei pelo EUA, a Google deixa de enviar estas atualizações de segurança.

Também é verdade que a Huawei tem vindo a desenvolver um sistema operativo próprio, no entanto também sabemos que o sucesso de um sistema operativo está diretamente relacionado com as lojas de aplicações e esse é um dos grandes motivos porque a Microsoft não teve qualquer sucesso com o Windows Mobile.

Por isso, mesmo que a Huawei siga com o projeto de ter um sistema operativo próprio, a experiência recente (do Windows Mobile) demonstra que é uma tarefa muito difícil e se a Microsoft não conseguiu, as expetativas para a Huawei seguem o mesmo caminho.

Fonte: Reuters

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