Google testa pagar a sites pelas respostas de IA
O Google está a testar um programa que recompensa alguns sites pelo conteúdo usado nas respostas geradas por inteligência artificial. A iniciativa surge numa altura em que muitos editores dizem estar a perder visitas devido à redução dos cliques nos resultados tradicionais.
Neste artigo encontras:
- Google testa novo modelo de pagamentos aos editores
- Há sites a ganhar milhões, mas a maioria recebe pouco
- O problema está na falta de transparência
- Porque é que os sites estão a perder visitas
- Grandes editoras preferem acordos de licenciamento
- Europa e Reino Unido aumentam a pressão sobre o Google
- O que pode mudar para os utilizadores em Portugal
Segundo o The Information, o projeto-piloto é limitado e funciona por convite. O objetivo será compensar publicações cujos artigos contribuam para as AI Overviews, o AI Mode e respostas apresentadas pelo chatbot Gemini.

Google testa novo modelo de pagamentos aos editores
O programa terá envolvido cerca de 100 publicações de pequena e média dimensão. Os participantes acompanham os valores através de um widget específico integrado no Google Search Console.
A empresa calcula os pagamentos com base no contributo de cada artigo para uma resposta de IA. No entanto, o Google não revelou como determina o que é uma “contribuição material”, deixando os editores sem uma forma clara de prever receitas.
Há sites a ganhar milhões, mas a maioria recebe pouco
As diferenças entre os participantes são significativas. Um site especializado em temas como anime e videojogos terá ultrapassado o equivalente a cerca de 920 mil euros por ano neste teste, considerando a conversão aproximada de um milhão de dólares.
Outra publicação de média dimensão terá recebido entre 46 mil e 55 mil euros ao longo de alguns meses. Já a maioria dos pequenos blogs terá ficado abaixo dos 920 euros no mesmo período.
Para muitos desses sites, o valor representa menos de 0,1% das receitas publicitárias totais. Na prática, o pagamento pode não compensar a quebra de tráfego causada pelas respostas que permitem aos utilizadores obter informação sem visitar a página original.
O problema está na falta de transparência
Os editores envolvidos afirmam que não conseguem perceber quais os artigos que geram receita nem como melhorar o conteúdo para aumentar os pagamentos.
Sem métricas detalhadas, torna-se difícil criar uma estratégia sustentável. Um site pode investir tempo e dinheiro numa reportagem que aparece numa resposta de IA, mas não saber se receberá alguns euros ou uma quantia significativamente superior.
Essa incerteza também complica o planeamento financeiro, sobretudo para projetos independentes que dependem de publicidade e tráfego orgânico do Google.
Porque é que os sites estão a perder visitas
As respostas de IA aparecem cada vez mais acima dos links tradicionais. Em vez de escolherem um resultado e visitarem uma página, os utilizadores podem ler um resumo diretamente no Google.
Esta mudança afeta especialmente pesquisas informativas, como recomendações de produtos, explicações simples e comparações. O utilizador obtém uma resposta rápida, mas o site que forneceu a informação pode perder a visita, a publicidade e a possibilidade de criar uma relação direta com esse leitor.
O impacto pode crescer à medida que mais pessoas usam ferramentas de IA para pesquisar produtos. Dados da PYMNTS Intelligence indicam que 23% dos consumidores norte-americanos recorrem a ferramentas de IA para descobrir produtos e preparar compras. Entre os utilizadores frequentes de IA, a percentagem sobe para 93%.
Grandes editoras preferem acordos de licenciamento
Algumas empresas de media recusaram participar no programa por considerarem os pagamentos demasiado baixos face à perda de tráfego. Em alternativa, procuram acordos de licenciamento mais diretos, semelhantes aos estabelecidos por outras empresas de IA.
Publicações como a Penske Media, proprietária da Variety e da Rolling Stone, e o The New York Times avançaram com processos judiciais contra o Google. As ações contestam, entre outros pontos, a utilização de conteúdos protegidos por direitos de autor e os efeitos das respostas de IA no tráfego dos sites.
Europa e Reino Unido aumentam a pressão sobre o Google
A questão também está a ser analisada pelos reguladores. No Reino Unido, o governo determinou que o Google deve disponibilizar aos editores uma opção para impedir o uso dos seus conteúdos em sistemas de IA sem penalizar a posição nos resultados de pesquisa.
Na União Europeia, a Comissão Europeia abriu uma investigação antitrust para avaliar se o Google trata os criadores e os editores de forma justa quando utiliza os seus conteúdos em respostas geradas por IA.
O que pode mudar para os utilizadores em Portugal
O programa conhecido até agora não indica pagamentos específicos para sites portugueses. Ainda assim, a mudança poderá ter impacto no mercado nacional, sobretudo se as respostas de IA passarem a ocupar mais espaço nas pesquisas em português.
Para os utilizadores, isso pode significar respostas mais rápidas e completas. Para os sites, poderá representar menos visitas e maior dependência das regras definidas pelas grandes plataformas tecnológicas.
O teste mostra que o Google reconhece o valor dos conteúdos usados pela sua inteligência artificial. Resta saber se o modelo de pagamentos será alargado, se os critérios serão divulgados e se os valores serão suficientes para compensar a perda de tráfego.
Fonte: androidheadlines.com




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