Google e Apple mantêm a aplicação saudita nas suas lojas de aplicações

6 de Março de 2019
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O Google continuará a ter disponível a controversa app da Arábia Saudita, Absher, em sua Play Store, depois que uma investigação a pedido do Congresso norte-americano que não encontrou qualquer violação dos seus termos de serviço.

A Apple e o Google foram alvo de escrutínio no mês passado quando 14 membros do Congresso escreveram uma carta ao CEO da Apple, Tim Cook, e ao CEO do Google, Sundar Pichai, pedindo que as duas empresas parassem de hospedar a aplicação Absher porque reforçava as leis sauditas que permitem aos homens controlar os movimentos das mulheres. Ambas as empresas lançaram investigações internas à aplicação.

Na conclusão da investigação do Google, a empresa disse ao escritório da congressista Jackie Speier, uma das signatárias da carta, que a investigação concluiu que o aplicativo não viola nenhum termos dos seus serviços, enquanto por parte da Apple, a investigação ainda continua.

Afinal o que é a aplicação Absher, do Governo da Arábia Saudita

A aplicação gratuita Absher foi criada pelo governo da Arábia Saudita e constitui abusos aos direitos das mulheres. O software é para ser utilizado pelos homens que pretendem monitorizar à distância os elementos femininos do agregado familiar. Ativistas dos direitos humanos reportaram a situação à Google e à Apple com o fim da Absher ser retirada da loja online local, sendo que está disponível para aparelhos IOS desde 2015 e para Android desde 2016.

O invento saudita permite ver através de um portal online diferentes serviços governamentais: como a utilização do Visa, violações de trânsito, seguros de saúde, entre outros. A crítica é da opinião que este software só perpetua as regras repressivas estipuladas diariamente à população feminina da Arábia Saudita, como viajar sem permissão dos guardiões legais masculinos.

O diretor do Centro de Informação Nacional da Arábia Saudita, Dr. Tariq Al-Sheddi, defendeu, em 2016, que a criação da Absher potencia o nível dos serviços e aproveita tudo o que os dispositivos inteligentes podem fornecer, uma vez que são a plataforma do futuro para a implementação dos serviços eletrónicos. Neste mesmo ano, o número de utilizadores registados ultrapassou os 6 milhões, refere a empresa noticiosa CNN.

A Arábia Saudita é um dos países com mais segregação de géneros do mundo. O país está em 138º lugar em 144 estados, a informação foi apurada num estudo realizado pelo Fórum Mundial da Economia, “2017 Global Gender Gap”,  que aborda o posicionamento das mulheres na economia, na politica, na saúde e na educação. Qualquer tipo de acção a favor da igualdade social tem sido reprimida, levando à prisão e alegadamente à tortura de ativistas dos direitos das mulheres e clérigos muçulmanos, informa a Reuters.

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