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Geração Z não quer filmes longos; Disney+ lança microfilmes verticais

A batalha pelo tempo de ecrã dá mais um salto. Em 2026, a Disney+ vai introduzir vídeos verticais na sua aplicação, aproximando-se do consumo rápido e contínuo que hoje domina TikTok e Instagram, lê-se no Marketing Dive.

Não se trata de abandonar o legado cinematográfico, mas de aceitar uma evidência: a rotina digital constrói-se em gestos curtos, impulsivos, repetidos ao longo do dia. Se a Netflix mede a sua força em horas de visualização, a Disney quer conquistar visitas diárias; aquele reflexo de abrir a app “só para ver as novidades”.

O plano passa por um feed personalizado a misturar entretenimento e atualidade, alimentado por um algoritmo que aprende com o comportamento do utilizador. O conteúdo será variado, com criações originais pensadas de raiz para o formato vertical; momentos-chave e bastidores de séries e filmes reformatados para o telemóvel; clips e curtas produzidos para redes sociais, agora integrados no ecossistema Disney+.

O objetivo é claro: transformar a plataforma num destino de visita obrigatória todos os dias, mesmo quando não há uma estreia de peso. Em vez de esperar que as pessoas “guardem tempo” para um episódio de 50 minutos, a Disney quer ser a app que abrimos nos intervalos, no sofá, na paragem de autocarro, antes de deitar.

Geração Z dispensa filmes longos: Disney+ aposta em microdramas verticais,

A mudança não nasce no vazio. Em 2025, a ESPN (também da Disney) testou o formato com “Verts”, clips verticais focados em destaques, análises rápidas e declarações, que funcionaram como um piloto à escala. O resultado deu confiança: segundo a Disney, a ESPN atingiu 33% da audiência de desporto em direto nos EUA em 2025, deixando o concorrente mais próximo nos 20%. Com estes números, a empresa percebeu que a cadência e a linguagem do vertical ajudam a manter a atenção entre transmissões longas — e, sobretudo, criam hábito.

Durante anos acreditou-se que vídeos curtos e verticais pertenciam ao telemóvel. A realidade trocou-nos as voltas: uma fatia significativa destes conteúdos já se consome em televisores. O fenómeno dos Shorts no YouTube provou que o formato não é “apenas” para scroll no metro; é também o novo zapping no sofá. Ao levar o vertical para a televisão, a Disney encontra a ponte ideal entre o clip de 30 segundos e o filme de duas horas, sem forçar a escolha.

Experiências pontuais noutras plataformas, como os testes da Netflix com animação em vertical, nunca ganharam tração global. Ninguém decifrou ainda a fórmula perfeita. A Disney quer ser a primeira a fazê-lo com escala e consistência editorial.

A tendência dos “microdramas” que explodiu na Ásia está a ganhar terreno no Ocidente. Há produtoras a comprimir telenovelas em episódios de um minuto, com estruturas narrativas pensadas para o “só mais um”. Apps como a ReelShort e a Crazy Maple Studio provaram que o modelo freemium (primeiros episódios gratuitos, desbloqueio pago dos seguintes) pode gerar receitas robustas com histórias curtas, viciante após viciante.

O vertical é também um novo terreno para anunciantes. A Disney apresentou uma métrica que cruza dados próprios com informação de terceiros, prometendo segmentação e prova de eficácia numa grelha de conteúdos de altíssima rotação. Além disso, revelou uma ferramenta de geração de vídeo com inteligência artificial que permite transformar materiais existentes em anúncios novos. Ideia-chave: reduzir custos e prazos de produção, mantendo identidade de marca e formato nativo. Neste contexto, o recente acordo da Disney com a OpenAI ganha luz: menos fricção para marcas, mais inventário para a plataforma.

Fonte: Marketing Dive

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