Gadgets, necessidade ou vício?

GadgetsHoje em dia, devido à evolução e às novas descobertas do ser humano, vivemos numa sociedade bastante industrializada e também consumista. Se a formação dos trabalhadores e gestores é importante, ainda mais importantes são os conhecimentos tecnológicos e a utilização da tecnologia neste processo de industrialização.

No entanto, falar em tecnologia é falar num conceito bastante ambíguo, pois é possível encontrar um enorme número de termos relacionados com a tecnologia e que a definem de formas diferentes. Por outro lado, a palavra tecnologia associa-se também a muitas outras palavras que aparentemente não estariam relacionadas, como por exemplo a sociedade e estatutos sociais.

De qualquer forma, o conceito tecnológico sobre o qual nos iremos aqui debruçar é o conceito de gadget.

Primeiro que tudo é relevante tomar conhecimento do que é, de facto, um gadget. Através do uso de uma definição algo genérica, um gadget é no fundo um produto, uma invenção tecnológica, que foi produzido com o objectivo de ser um instrumento útil para os consumidores no seu dia-a-dia.

No entanto, dentro dos próprios gadgets há diferentes grupos que podemos definir, grupos esses que serão o grupo dos gadgets de facto úteis e essenciais, como é o caso dos telemóveis quando usados para comunicações, e o grupo dos gadgets usados para entretenimento e lazer, como no caso dos leitores de música MP3.

Estes produtos tecnológicos têm geralmente um enorme impacto na sociedade em geral, quer em termos sociais, quer em termos comerciais, sendo dos artigos mais procurados, mais vendidos e com preços mais elevados. É de notar, de qualquer forma, que os preços parecem não ser algo que afaste os clientes e os faça mudar de ideias quanto à compra destes dispositivos tecnológicos que são as últimas novidades do mercado.

Mas, será que os gadgets são de facto necessários? Não serão antes um vício?

Retomando o que foi dito acima, há gadgets que de facto são necessários, e outros que são usados maioritariamente para actividades de entretenimento e lazer.

Hoje em dia, mesmo alguns dos que são necessários acabaram por ser transformados em objectos de vício, como é o caso dos telemóveis. A preocupação inicial dos telemóveis foi a possibilidade de efectuar comunicações a partir de um dispositivo móvel. No entanto, hoje em dia é possível realizar inúmeras operações adicionais, que não passam senão de opções desnecessárias e inúteis, que servem apenas para marcar uma posição social. A população, principalmente a fatia de população mais jovem, passa hoje em dia horas a “domar” este dispositivo, aproveitando as suas funcionalidades de entretenimento que permitem aceder a jogos, vídeos e muito mais.

É verdade! Os gadgets foram transformados num vício, e isto deve-se principalmente à necessidade social que há de os possuir. Toda a gente quer o mais recente telemóvel que saiu no mercado, com as melhores características, com as melhores funções. Mas, com que objectivo? Muitas das vezes esta necessidade não está associada ao facto de o consumidor pretender mesmo determinado produto ou ter uma grande necessidade de o possuir, mas sim ao facto da sua posse ser um motivo de inclusão social e até mesmo de elevação na escala social e na forma como esse consumidor é visto pelos outros.

No entanto, o facto de um gadget se tornar ou não num vício está também dependente da utilização que o consumidor dá ao aparelho.

No fundo, estes dispositivos tecnológicos acabam por virar moda e são hoje em dia procurados por milhões de pessoas em todo o mundo, pessoas que procuram ter vícios iguais aos de toda a gente de forma a não se sentirem excluídos da sociedade.

Assim, os gadgets, que poderiam muito bem ser produtos úteis, foram transformados pela sociedade em vícios caros e luxuosos.

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