Estudante de Aveiro desenvolve impressão 3D em cortiça: “Cada vez mais as pessoas acham piada a este tipo de tecnologia”

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Já foi criado material de cortiça amigo do ambiente para fazer impressões 3D. Desenvolvido na Universidade de Aveiro (UA), a partir de resíduos de cortiça resultantes do fabrico de rolhas, o novo material quer ser, não só uma alternativa ecológica para qualquer impressora 3D, como também dar aos objetos impressos o toque, o odor e a cor que só a cortiça lhes pode conferir.

Em alternativa aos filamentos sintéticos disponíveis no mercado, cujos ingredientes plásticos não são amigos do ambiente, este material desenvolvido pela estudante Tatiana Antunes para a tese de Mestrado em Engenharia de Materiais é uma solução totalmente nova.

O novo filamento e o primeiro objeto impresso
O novo filamento e o primeiro objeto impresso

O filamento compósito é biodegradável, apresenta tonalidades castanhas, tem um toque levemente rugoso e, durante o processo de impressão, emite um leve odor a cortiça. Este filamento pode ser usado para as mais diversas impressões, pois permite a impressão de objetos com uma excelente estética e qualidade, com uma cor característica associada.

Este projeto foi desenvolvido na Escola Superior Aveiro-Norte (ESAN) e no Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica, sob orientação dos professores Martinho Oliveira e Elisabete Costa. O trabalho teve ainda o acompanhamento da investigadora Sara Silva, da ESAN, e da Amorim Cork Composites.

A Tatiana Antunes aceitou dar uma entrevista ao Mais Tecnologia.

Daniela Azevedo – Quanto tempo demorou até desenvolver totalmente esta técnica?
Tatiana Antunes – A tecnologia foi desenvolvida no âmbito da minha tese de mestrado, diria que mais de meio ano. Depois veio a parte chata da escrita da mesma [risos].

DA – Que tipo de aplicação prática pode ter este feito?
TA – A técnica utilizada é semelhante à das impressoras 3D mais comuns (fio de plástico).

DA – Acredita que estará na tecnologia a solução para muitos dos problemas ambientais de que hoje sofremos?
TA – O filamento de cortiça pode ser utilizado nas mais diversas impressões. Cada vez mais as pessoas acham piada a este tipo de tecnologia: “a impressão 3D”, porque podem em casa criar pequenos objetos de decoração e explorar a sua criatividade. Nas empresas muitas vezes recorrem a esta tecnologia como forma de uma prototipagem rápida na tentativa de resolver o problema de uma forma imediata. Vivemos numa Era em que a sociedade se preocupa cada vez mais com o meio ambiente, porque não substituir o comum filamento plástico (feito de petróleo) por algo
que seja amigo do ambiente e se comporte da mesma forma, e permita a impressão de objetos com uma excelente estética e qualidade e com uma cor característica associada de uma matéria-prima tão típica em Portugal?

DA – Também se sente, de certa forma, artesã?
TA – Não, não me sinto uma artesã. Adorei fazer parte deste trabalho e ter a oportunidade de criar algo inovador, mas sei que ainda há muito caminho pela frente.

DA – Qual o seu percurso académico?
TA – O meu percurso académico foi todo realizado na Universidade de Aveiro. Entrei em 2013 em Engenharia de Materiais e apresentei a minha defesa de tese em dezembro de 2018.

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