(Especial) Há acordo entre EUA e China: Huawei pode comprar produtos às empresas norte-americanas

Após as últimas semanas de grande tensão entre os dois países, e que culminou com a colocação da Huawei numa Lista Negra que impede as empresas norte-americanas de trabalhar com a empresa chinesa, parece que o problema começa a chegar ao fim e a ver a luz ao fundo do túnel.

Numa reunião à margem do G20, que se realizou em Osaka, No Japão, Donald Trump, o Presidente dos EUA, e o Presidente chinês, Xi Jinping, tiveram uma reunião e voltaram à mesma das negociações, sendo que Trump, no final dessa reunião, anunciou que as empresas norte-americanas podem vender produtos à Huawei.

Esta reunião à margem da cimeira do G20, que reune os principais líderes mundiais, foi marcada com o objetivo de acabar com a guerra comercial entre as China e os EUA, que desde a interrupção das negociações em maio, verificou diversas respostas de parte a parte, com aumentos de tarifas à importação, bem como o conhecido bloqueio à Huawei e que impedia as empresas norte-americanas de negociar com a fabricante chinesa.

Após esta reunião, o Presidente dos EUA afirmou que “Nós concordamos que as empresas norte-americanas podem vender produtos para a Huawei”, o que são boas notícias para a fabricante chinesa.

Afinal o que aconteceu?

Não há dúvidas que o bloqueio à Huawei aconteceu por questões políticas. Desde que Trump se tornou líder dos EUA, que tem afirmado que os EUA não podem continuar a ter as suas empresas a fabricarem quase tudo fora do país, e que a China é um dos principais importadores para o país. Por várias vezes, os EUA ameaçaram aumentar as taxas alfandegárias das importações da China, para que isso pressione as empresas norte-americanas.

Além disso, também iniciou uma negociação com a China nesse sentido, mas não houve qualquer acordo e as negociações foram mesmo interrompidas em maio. Para pressionar a China, os EUA anunciaram o aumento das taxas alfandegárias, sendo que do outro lado, como seria de esperar, houve uma resposta no mesmo sentido.

Durante esta guerra comercial, os EUA foram mais além e colocaram a Huawei na sua Lista Negra de Segurança Nacional, que impede as fabricantes de trabalharem com certas empresas devido a risco de espionagem, entre outros “perigos”. Logo na altura, não houve grandes dúvidas de que o objetivo de Trump era de pressionar a China, já que com esta decisão afectava uma das principais empresas chinesas. Isto era mesmo notório, já que Trump chegou a afirmar que a Huawei era um perigo para a segurança nacional, mas pouco tempo depois afirmava que um acordo com a China poderia resolver “o problema”.

Parece que finalmente o problema ficou resolvido adiado.

Então ficou mesmo resolvido?

Isso teremos de esperar para ver. Durante a conferência de imprensa dada por Trump aos jornalistas, após a reunião com o homólogo chinês e o retomar das negociações, Trump não respondeu à pergunta se a Huawei iria ser retirada da Lista Negra, indicando apenas que a partir de agora as empresas norte-americanas já podem continuar a negociar com a fabricante chinesa.

Ora, o Presidente dos EUA já demonstrou diversas vezes que diz e faz o que lhe apetece, por isso, e apesar desta afirmação e o reatar das negociações, sabemos que não poderemos confiar totalmente, nem poderemos esperar que esta seja uma decisão a longo prazo, a não ser que ambos os países cheguem a um acordo comercial.

A Huawei teve consequências negativas com isto tudo?

Oficialmente, a Huawei decidiu não comentou muito sobre a situação, no entanto, certamente que sim. O simples facto de a notícia do bloqueio ter vindo a público e rapidamente a Google ter sido colocada na balança, já que fornece o Android e afirmou que devido a esta decisão dos EUA era obrigada a deixar de fornecer apoio aos equipamentos da Huawei, mexeu no mercado.

 

Temos de admitir: quem é que hoje em dia quer um smartphone que não seja Android? Ou compra um iPhone, ou já não é opção. A Microsoft, tentou e não conseguiu, por isso, o simples facto de rapidamente serem conhecidas notícias de que os equipamentos da Huawei deixariam de ter atualizações Android, certamente que levou a muitos consumidores a deixarem de comprar equipamentos Android. E isso teve consequências económicas gigantescas para a Huawei, apesar de nenhuma informação oficial confirmar isso.

No entanto, já tivémos algumas informações divulgadas por grandes executivos da Huawei que apontam nessa direção. Começando com uma afirmação simples do CEO da Huawei, que admitiu que após este “problema” ter vindo a público, teve de adiar um dos seus grandes objetivos para a Huawei, atingir o número um do mercado de smartphones até ao final de 2019.

Ora, esta afirmação vem confirmar que a Huawei sofreu com as vendas. Mas não foi o único. Ren Zhengfei, durante um painel de discussão na sede da Huawei em Shenzhen, também afirmou que “Nos próximos dois anos, eu acho que vamos reduzir a nossa capacidade, a nossa receita será inferior em cerca de US $ 30 mil milhões, em comparação com a previsão, por isso a nossa receita de vendas este ano e no próximo ano será cerca de 100 mil milhões de dólares”.

Alguns analistas têm ido um pouco mais longe e com o lançamento dos novos iPhones no final do ano, até poderá perder o terceiro lugar no mercado dos smartphones. No entanto, com o novo desenvolvimento é possível que mantenha a sua segunda posição neste ano, de acordo com Kiranjeet Kaur, analista da empresa de pesquisa IDC. “Caso contrário, será uma situação difícil para a Huawei”.

E o que podemos retirar de bom de tudo isto?

Não podemos encarar tudo com negativismo e acho mesmo que as empresas chineses vão ver toda esta situação como uma oportunidade. Felizmente está tudo resolvido (por agora), mas quem é que pode prever o futuro? Desta forma, acredito que as fabricantes chineses comecem a pensar no futuro de outra forma.

Toda esta situação demonstrou à China e às empresas chinesas que estão demasiado dependentes dos EUA em áreas que, provavelmente, não precisam de estar, como é o caso dos sistemas operativos. E, por isso, a Huawei acelerou o lançamento do seu próprio sistema operativo. Mas será que agora vai parar, já que há acordo para continuar a utilizar o Android?

Não acredito! Acredito que no mercado global, obviamente vão continuar a utilizar o Android, mas no mercado interno, que já não utiliza os serviços da Google, irão optar por levar para o mercado o seu novo sistema operativo. Até porque já foram fabricados mais de um milhão de equipamentos para testar, por isso não faz sentido parar o investimento feito até agora.

Ora este é um passo que a China vai começar a fazer. Nas várias áreas onde está totalmente independente dos EUA, tem de o deixar de ser e isso deverá começar agora. Aliás, ainda no sistema operativo, a Oppo, a Xiaomi e a Vivo trabalharam de perto com a Huawei, mas certamente que isso acontecerá noutras áreas.

A própria Huawei, desenvolve o seu próprio processador, o Kirin, por isso, e com a ajuda de outras fabricantes chinesas, é normal que a China tenha de olhar mais para o seu mercado e inicie novas áreas para que se torne menos dependente dos EUA.

Este problema foi bom para quem?

Por isso, esta situação não foi nada benéfica para ninguém, mas certamente que não para os EUA. Pois acaba de alertar a China de que não pode depender dos EUA e se sabemos uma coisa que a China é boa é a desenvolver as suas próprias coisas.

Apesar de inicialmente, a China era conhecida por copiar tudo, agora todos sabemos que já não é bem assim e que agora podemos ver coisas muito boas a serem construídas de raiz na China. E o exemplo disso mesmo é a Huawei.

Fonte: WSJ (pago)

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