Entrevista a Snowden sobre a eleição de Donald Trump

As reações à eleição de Donald Trump para o cargo de presidente dos Estados Unidos da América tem gerado todo o tipo de reações. Além das manifestações que têm agitado Portland no estado do Oregon, surge a opinião de Edward Snowden que afirma que «não devemos temer Donald Trump, mas sim continuar a desconfiar das grandes empresas de segurança informática». Snowden é a voz mais ativa na luta pelos direitos à privacidade.
A entrevista realizada pelo motor de busca Start Page contou com a colaboração de personalidades várias como Phil Zimmermann, pai do software Pretty Good Privacy (PGP) de encriptação de e-mail. Zimmermann começou por mostrar a sua preocupação por Trump assumir uma máquina de informação pesada e precisa, ao que Snowden rapidamente respondeu que «não vejo isso como um problema de grandes dimensões. Na Rússia existe já a chamada lei Big Brother e na China o processo eleitoral fez surgir novas leis de vigilância que até ao momento não foram criticadas pela opinião internacional».
Prosseguindo na conversa, Snowden foi falando dos mecanismos que existem noutros países, e também da importância que os responsáveis por estes programas reclamam para os cidadãos em termos de segurança. A explicação não tardou em surgir «se afirmarmos que a vigilância em massa é correta e mesmo com o envolvimento de tribunais complacentes, Kim Jong-un da Coreia do Norte dirá que é um sistema fabuloso, porque ele também tem tribunais capazes de assinar qualquer coisa que lhes seja colocada na mesa».
Snowden continuou a escapar-se ao apontar o dedo diretamente a Donald Trump, preferindo sempre uma tática de comunicação que alertava para o panorama global dos problemas de privacidade. «Devemos ter alguma cautela no momento de depositar demasiada esperança ou receio nos candidatos eleitos. Nunca estamos mais distantes que uma simples eleição para ter um novo presidente, uma nova política ou até mesmo a forma como são utilizados os poderes governamentais».
Para o futuro o ex-agente da CIA Edward Snowden alertou que não «será necessário pensarmos como nos devemos defender do presidente Trump mas sim como preservar os direitos, sem olhar a jurisdições ou fronteiras».
As agências de comunicação online estiveram também na mira desta controversa personalidade do nosso século. Snowden atirou esta farpa sem mencionar alvos, mas são amplamente conhecidas as práticas de empresas como o Google e o Facebook de colocarem os seus interesses acima dos utilizadores e não preservarem a privacidade dos utilizadores entregando toda a informação aos governos que a solicitam.
Para encerrar a entrevista Snowden mostrou a sua ausência de preocupação com o novo presidente dos EUA atendendo que as boas relações existentes entre Trump e Puti poderão ajudar na negociação da sua extradiçao, já que para o líder russo Snowden é um defensor dos direitos humanos. O regresso de Snowden aos Estados Unidos poderá mesmo acontecer se for cumprida a condição de que lhe será garantido um julgamento justo.




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