Ensaio do Tesla Model 3: dos melhores elétricos qualidade/preço

O Model 3 é o desportivo elétrico mais barato da Tesla preparado para todo o tipo de cenários. Este modelo configura uma relação entre desempenho e preço. Sabemos que os veículos Tesla não são os mais baratos do mercado, no entanto, este em particular, oferece mais do aquilo que os seus concorrentes do mesmo segmento conseguem oferecer. Mas a que custo?

Este modelo representa o verdadeiro espírito da Tesla de Elon Musk em termos de qualidade desportiva. As três edições — a Standard Range Plus, a Long Range e a Performance — do Model 3 permitiram abranger vários mercados — desde o mais acessível ao com mais caracter performante. Segundo anunciado, a edição Performance é capaz da incrível proeza de completar dos 0 aos 100 km/h em 3,3 segundos, colocando-o como o segundo modelo mais rápido da fabricante norte-americana de veículos elétricos.

Tivemos oportunidade de estar ao volante do Model 3 Long Range, onde foi possível aferir pontos importantes acerca do modelo. Partindo do desempenho, roçando algumas medidas e ajudas à condução, observar traços de design relevantes e a confortabilidade deste veículo de estrada desportivo. Acompanhe-nos neste nosso ensaio a um veículo bem equipado com tudo aquilo que tem direito.

Desempenho do Model 3 Long Range

Alimentado puramente a eletricidade, o Model 3, é um tração integral que equipa dois motores, um na traseira (com força aproximada ao de uma motorização a gasóleo) e na dianteira, um mais rotativo (mas de menor força), ambos com a vantagem de contarem com um binário sempre disponível, algo que só uma motorização elétrica pode assegurar. O motor traseiro tem 203 kW de potência (com 335V de tensão máxima) e 330 Nm de torque, em conjunto com um motor dianteiro de 121 kW (335V de tensão) e 163 Nm de binário que permite que o automóvel arranque dos 0 aos 100 km/h nuns módicos 4,4 segundos.

Visto que falamos de um motor elétrico, excluí a necessidade de caixa de velocidades, no entanto, a Tesla recorre a uma explicitação (por equivalência) do que seria ter uma transmissão — o rácio é de 1:9 marchas, o que permite que alcance velocidades bastante elevadas. Esta incrível resposta do Model 3 fica a dever-se aos 1.844 kg de peso puxados por (potência total combinada) uns 440 cv (324 kW), o que lhe confere um comportamento dinâmico para todas as situações. Ao concentrar as baterias no chassi do automóvel permite um centro de gravidade baixo, colocando-o ao nível de alguns desportivos de pista.

Sendo um tração integral, a segurança na entrada e saída de curva em aceleração deixa de ser um risco de maior (pois o carro consegue distribuir o torque em função da necessidade), quando comparamos com uma versão de tração traseira. O Model 3 consegue chegar aos 233 km/h (limitado eletronicamente) a fim de conseguir poupar bateria. Este modelo é o veículo com mais autonomia, alcançando uns fantásticos 580 km que são assegurados por um conjunto de baterias de 82 kWh que serão quase suficientes para uma deslocação, por exemplo, do Faro até ao Porto.

O comportamento do modelo em autoestrada é exemplar, sobretudo, se recorrer ao piloto automático (o reconhecido “auto-pilot”) que permite diminuir o cansaço de deslocar em autoestrada. Os condutores mais experientes sabem que as autoestradas oferecem o melhor e o pior de se conduzir — se por um lado, aumenta o conforto, por outro, conforto em excesso leva a distração — que é resolvida de duas maneiras: aumento de velocidade ou pura distração. Fora de autoestrada, estamos perante um dos modelos mais seguros quer em cidade, quer fora dela.

Segurança e ajudas à condução

O Model 3 incluí dos mais avançados sistemas de apoio ao condutor que garantem a segurança ativa do seu veículo, quer em travagens de emergência, quer controlo da estabilidade do veículo, bem como, evitando acidentes. O “Autopilot” é um sistema de condução semiautónoma que permite ao condutor relaxar (mantendo um olho na ação) sem comprometer a segurança — ideal em autoestrada e em cidade —, pouco recomendado em estradas desgastadas e com fracas marcações no asfalto.

O “cruise control” adaptativo permite que o veículo regule a velocidade para o cenário em que se encontra. Além disso, em cenários considerados como seguros (pelo veículo) pode até efetuar ultrapassagens (quase autonomamente), à distância de um simples “pisca” acionado que, quando acionado pelo condutor, permitirá ao veículo iniciar a ultrapassagem.

Não faltam vídeos captados de situações onde qualquer um dos automóveis semiautónomos da Tesla evitaram acidentes com recurso às câmeras e aos sensores de ultrassom que anteciparam travagens de emergência num distância de dois ou três veículos em linha. Vantajoso é a opção de estes modelos incluírem atualizações constantes aos sistemas eletrónicos de qualquer modelo da Tesla, apesar das limitações de hardware existentes.

Para além dos sistemas de segurança ativa, a Tesla é também reconhecida pela segurança passiva. Saiba que ao adquirir um Tesla, está a adquirir uma verdadeiro caixa de absorção de choque em caso de acidente (tanto em choque frontal como lateral), onde o Model 3 recebe menção honrosa (sendo classificado como o melhor na categoria). Isto consegue-se graças ao espaço disponível no “capô” (que não tem motor) e à bagageira. As portas estão reforçadas numa liga que incorpora tanto alumínio como aço (de forma a garantir a consistência da carroceria).

Gostaríamos apenas de relembrar que apesar de o expoente máximo de condução semiautónoma se apelidar de “Autopilot”, o veículo não é de condução autónoma, pois o veículo e a própria Tesla, obrigam o condutor a manter o veículo debaixo de olho a fim de garantir que não incorre em problemas de maior. O veículo recorre às faixas de rodagem para manter o seu percurso, não reconhece sinais luminosos, nem respeita o sinais verticais (apesar de os identificar), mas apesar de reconhecer todo o tipo veículos e pessoas, não identifica paredes ou pequenas elevações, pelo que terá de ter cuidado com esse tipo de problemas.

Design e dimensões do veículo

O Model 3 conta com 4,69 metros de comprimento, 2,09 metros de largura (incluindo espelhos) e 1,44 metros de altura, um dos veículos mais espaçosos e minimalistas do segmento dos sedan. Contando com cinco lugares (para adulto) e doiss espaços de bagageira, um na dianteira — pela ausência de um motor de combustão — e um na traseira (com vários compartimentos), ambos perfazendo um total de 425 litros de capacidade.

Influente, a marca Tesla delineou um aspeto físico minimalista, mas extremamente refinado permitindo que não passe despercebido até aos menos sintonizados ao ramo automóvel. É aquele tipo de carro que passa por nós e sentimos uma tentação para retornar o olhar em tom de chamamento. Isto podia ser só um devaneio meu, mas é uma realidade. É um sentimento ou “chamamento” semelhante aquele que nos inflige um Mercedes (superdesportivo), um Ferrari ou um Porsche — carros deste género — isto porque já nos habituámos a uma pegada preformante.

A assinatura exterior é acompanhada no interior, mas sem nunca abandonar aqueles toques mais luxuosos de quem procura este segmento. Contudo, não podemos deixar de destacar o painel de instrumentos (da Tesla) também conhecido (neste caso) como sistema de infoentretenimento, pois está tudo incluído numa consola central touchscreen de 15,4 polegadas que faz as delícias de qualquer amante de tecnologia, no entanto, peca pelo exagero, ao adotar uma radicalização da influência digital do abandono de alguns botões físicos fundamentais. Para além disso, conta ainda com um teto panorâmico escurecido que protege o condutor dos raios UV, mas mantem o estilo exterior do carro.

Conforto de condução do Long Range

É difícil classificar o estilo de condução em matéria de conforto. Esta edição do Model 3 até foi das mais confortáveis que experimentamos, no entanto, julgo ser importante mencionar que existe alguma rigidez inerente ao estilo desportivo do modelo, mas mesmo apesar de falarmos do modelo “Long Range” — que oferece mais autonomia — e que deveria de ser confortável para viagens mais longas, deixa de o ser se não estiver a conduzi-lo, pois, os bancos traseiros não são tão confortáveis quanto parecem (visto que estão mais próximos do chão).

Os bancos dianteiros são ajustados eletronicamente em doze posições alternadas. Contudo, na generalidade, os cinco bancos (dianteiros e traseiros) contam com aquecimento do estofo — fazendo parte do sistema de climatização do veículo — para que nunca se sinta desconfortável dentro deste elétrico da Tesla. Contando com múltiplos perfis de condução, saiba que poderá ter sempre o carro como pretende quando chega a sua vez de conduzir — o que é simplesmente prazeroso!

Caso não se reveja nesta opção (de conforto físico), e se o infoentretenimento for suficiente para esquecer o cansaço físico, não faltam opções que o irão distrair numa longa viagem (se for passageiro, claro está), pois enquanto condutor, mantenha-se concentrado na estrada. Se sentir o cansaço (que não sono), poderá sempre pendurar-se um pouco no “Autopilot”, mas sem negligenciar a segurança na estrada. Atenção, as ajudas à condução são isso mesmo e não devem ser consideradas como cem por cento seguras, pelo que se estiver cansado (e com sono) deverá parar por forma a não colocar a sua vida e a dos outros em risco.

Mesmo apostando no minimalismo, a Tesla não deixa de prezar por satisfazer os seus clientes, aproveitando para incluir alguns detalhes muito divertidos e que certamente poderão preencher verdadeiros momentos abordo de um automóvel, complementando aquilo que deve ser uma verdadeira experiência de mobilidade sustentável aliado ao prazer de condução — isto é sem dúvida um carro para quem gosta de conduzir — aliado a muitas outras vantagens.

Veredito

O novo Model 3 de 2020 apresenta um preço a começar nos 57.990,00€ na sua versão Long Range (a que testámos), mas existe, por 50.900,00€ a edição de motor traseiro (“mais acessível”). Por fim, a edição “Performance” apresenta um custo de 63.990,00€ em Portugal. Esta é, sem dúvida, uma proposta muito tentadora, na medida em que permite aquilo que a maioria dos veículos elétricos do mesmo segmento não conseguem.

Pouco consumidor, o Model 3 apresentava consumos médios em torno de 20 kWh, o que convertendo em consumo energético de um combustível fóssil será algo como 2,0l (por cada cem quilómetros) num veículo a gasóleo (10 kWh ~ 1,0l) ou 2,2l num veículo a gasolina (8,9 kWh ~ 1,0l). Assim sendo, pelo preço, pode considerar adquirir “um brinquedo” destes vendo-o como um investimento de médio-longo prazo, onde irá rentabilizar o seu investimento.

O custo das baterias é um problema? Sim e não. Depende do trato que lhes for dado. Caso opte por carregar mais vezes o veículo em casa, a longevidade da bateria é maior, pois está sujeita a menos tensão no carregamento, o que permitirá ciclos de carregamento mais duradouros. Existem modelos de 2012 e 2013 que ainda têm capacidade de carregamento real de mais de 95% — o que significa que a performance ainda não é afetada (notavelmente). Antes os cuidados em automóveis de combustão interna eram os combustíveis certos e o óleo certo, agora é a forma como preserva a bateria — o bem mais frágil do seu veículo elétrico.

Extremamente seguro, o Tesla Model 3 é a alternativa mais barata ao melhor do segmento, o Model S, que cativa os amantes de veículos elétricos e da Tesla. Não se ficando nada atrás, este modelo oferece uma oportunidade e experiências únicas a carteiras um pouco mais contidas. Foi, sem dúvida, uma experiência fantástica esta que tivemos abordo do Model 3 Long Range.

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