Ensaio do Mazda CX-5 2.0 Skyactiv-G Homura: Review

O Mazda CX-5 está de volta ainda na segunda geração, desde que foi lançado em 2017, mas com toda uma atualização que se centra na tecnologia e no interior — pois o exterior mantém a receita desenvolvida para a segunda geração — com o objetivo de chegar mais longe no mercado, sobretudo depois de ter sofrido uma quebra das vendas globais em 2020.

Ao longo do tempo, a Mazda tem procurado resistir ao mercado, às fusões e aquisições através de pequenas parcerias, venda de ações e joint-ventures para fazer face às suas necessidades. Afinal de contas, falamos de uma empresa com mais de cem anos e que se não procurar adaptar-se acaba por sucumbir para grandes grupos como a Volkswagen AG, Stellantis e Renault-Nissan-Mitsubishi, por exemplo.

Este CX-5 parece querer seguir uma tendência que tem vindo a ser abandonada por grande parte dos fabricantes — um automóvel com motor de combustão interna naturalmente aspirado — que tem os dias contados e que pode ser preocupante para o futuro da marca? Contudo, será que ainda justifica adquirir um modelo não híbrido e sem propulsão turbo? Sim e não…! Descubra o porquê lendo o nosso ensaio do Mazda CX-5 Skyactiv-G.

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Desempenho do CX-5 Skyactiv-G

O CX-5 recorre a uma unidade de potência atmosférica a gasolina de 2.0l que tem a capacidade de debitar 165 cv, às 6.000 rpm, e um binário máximo atingido logo a partir das 4 mil rotações de 213 Nm associada a uma caixa manual de seis velocidades que traciona o veículo na dianteira. Ainda que não recorra a um motor turbo, este Mazda é capaz de fazer dos 0 – 100 km/h em pouco mais de 10,3s podendo alcançar uma velocidade máxima de 201 km/h.

Os japoneses da Mazda não gostam de deixar o desenvolvimento por mãos alheias e para isso, resolveram incluir um sistema “Start & Stop” ao qual chamaram “i-Stop” que desliga o motor para poupar combustível quando para e coloca os pistões do motor em posição ideal para assim que haja necessidade de arrancar, consigam-no fazer de uma forma ótima e que maximiza a eficiência do combustível — fundamental numa motorização de 2.0l a gasolina.

É clara a visão diferente da Mazda no desenvolvimento deste modelo. Ao invés de fazer como outras construtoras que aproveitam soluções desenvolvida para híbrido e simplesmente retirar a componente híbrida de modo a conseguir um preço mais baixo, esta opta por desenvolver uma unidade potente, mas com consumos mais controlados.

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Em regime WLTP, a Mazda anuncia que o 2.0l oferece prestações curiosas para um motor gasolina, alcançando os 8.2l em baixo regime (que difere pouco da realidade), mesmo em ciclo alto, o consumo pode chegar aos 6,5 litros (apesar dos 5,8l/100 km anunciados). Em regime de autoestrada, consegue-se 7,2 a 7,6l (em velocidades “mais elevadas”), no entanto, se conseguir manter a velocidade, se pressionar muito o acelerador, saiba que a Mazda tem um sistema automático que desativa o pistão 1 e 4 para garantir maior consumo.

Ao nível do comportamento dinâmico, a Mazda implementou o sistema G-Vectoring Control que permite conjugar as alterações feitas em 2020 em suspensão e barras de estabilização para vetorizar o poder do binário extraído do 2.0l a gasolina para as rodas, sobretudo em curva, adaptando a necessidade de torque do modelo para garantir curvas mais seguras e maior eficiência na distribuição de forças dos pneus em relação ao asfalto.

Segurança

Ao nível da segurança, o Mazda CX-5 Skyactiv-G Homura garante que o consumidor dispõe dos mais recentes avanços em matéria de assistência ao condutor. Faz parte do pacote de série, tecnologias como, o Smart City Brake Support traseiro (SCBS-R), o Driver Alert System (DAA), o Mazda Radar Cruise Control (MRCC), o Controlo dinâmico de estabilidade com sistema de monitorização da pressão dos pneus, o sistema Hill Launch Assist e Lane-keep assist system (LAS) e o Blind Spot Monitoring avançado com Rear Cross Traffic Alert.

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O Smart City Brake Support ou SCBS consiste num sistema avançado de monitorização de velocidade que deteta em regime de cidade (entre 4 e os 30 km/h) uma travagem de outros veículos em frente, procurando imobilizar o veículo no caso do condutor não se aperceber que os carros da frente voltaram a pensar. Acontecem diversos acidentes deste tipo em cidade (ou até no trânsito), uma fila de carros avança, alguns condutores distraídos aceleram bastante e travam e um dos condutores não se apercebe que houve uma travagem brusca e dá-se um choque em cadeia. Este sistema mitiga o embate do seu carro, pois se os travões não forem acionados, imediatamente, o SCBS irá imobilizar o seu veículo rapidamente.

Outro sistema interessante é o Mazda Radar Cruise Control, ou MRCC, nada mais nada menos do que um Cruise Control Adaptativo que permite-lhe seguir a uma distância de segurança veículos em frente. Ou seja, imagine que está com o Cruise Control ativado e se depara com um veículo à frente, o seu veículo irá aproximar-se a uma distância de segurança baixando a velocidade, se necessário. Em caso de uma paragem brusca, o sistema irá proceder à emissão de um aviso para o condutor aplicar mais força na travagem. Assim que o veículo avançar, o sistema irá avisá-lo que é seguro retomar a marcha e iniciará a marcha novamente.

Sabemos que grande parte dos sistemas que constam deste novo Mazda CX-5 não são uma novidade no seio da indústria automóvel, no entanto, oferecem alguma segurança e garantem que o condutor está protegido em situações de vulnerabilidade. Todos os outros sistemas mencionados no início desta categoria são igualmente importantes, no entanto, são bastante conhecidos, pelo que julgamos importante mencionar estes dois, o SCBS e o MRCC.

Design e dimensões do veículo

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O CX-5 Skyactiv-G configura um comprimento de 4,55 metros, 1,84 metros de largura e, na versão de 19″ de jante, uma altura de 1,68 metros; se a jante for de 17″, a altura é de 1,675 metros. Este modelo dispõe de uma altura ao solo que pode variar entre os 19,2 cm e os 20 cm — o que significa ser um dos modelos com maior distância ao solo em um SUV.

Este Mazda não peca pelo design, aliás, este é um dos pontos fortes deste modelo, sobretudo, nesta edição Homura. Face ao modelos anteriores, as alterações foram poucas. Na dianteira, a assinatura luminosa lembra uns olhos rasgados que seguem ligados por uma grelha de proporções generosas e uma borda metalizada. Passando da dianteira para a traseira, seguem-se as linhas do capô que seguem pelas portas do veículo sendo interrompidas por linhas que seguem dos faróis para vir terminar no porta-malas.

Destacamos o pormenor da proteção das cavas das rodas, prosseguindo pelas portas e traseira do veículo uniformizando e atribuindo um carácter mais luxuoso deste Mazda CX-5 ainda que em plástico. O veículo que tivemos a oportunidade de ensaiar foi a edição em Branco que contrasta com as jantes escuras e as proteções mencionadas (nas portas e cavas).

Quanto ao exterior não existe muito mais a acrescentar, no entanto, gostaríamos ainda de mencionar que este modelo conta com um depósito de 56l e um espaço para a bagageira de 477l, no entanto, consegue expandi-lo até aos 1344l se rebater os bancos traseiros. Isto num modelo que conta uma tara de 1425 kg de tara com capacidade de transporte até um total bruto de 2020 kg.

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No interior, o destaca vai para os materiais e qualidade de construção que não desiludem e parecem ter sido uma preocupação da Mazda no desenvolvimento deste CX-5 de segunda geração. Os materiais suaves ao toque nas portas, no tabliê, os bancos — numa mistura entre pele e aquilo que parece ser alcântara — conseguem tornar o ambiente e design do automóvel bastante acolhedores. Na bagagem, o piso é feito de um composto em borracha fácil de limpar e lavar.

Ao contrário do modelo anterior, o novo CX-5 Skyactiv-G passou a contar com toda uma panóplia de sistemas integrados na app MyMazda que permite controlar diversas funcionalidades do modelo à distância de algumas opções no aplicativo, entre trancar as portas, localização do veículo, entre outros. Tirando isto, não houve grandes alterações ao quadrante e consola central do veículo que se mantiveram idênticas aquilo que foram os veículos anteriores.

Conforto de condução

Este Mazda CX-5 Skyactiv-G Homura conta com 20 cm de altura ao solo e suspensões McPherson e Multi-Link que no geral se comportam corretamente, no entanto, em algumas situações o comportamento pode ser um pouco diferente, dado o peso e altura do veículo. Claro, quanto maior o tamanho da jante, menor o conforto, maior a capacidade performante.

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Claro está que, graças ao sistema G-Vectoring, o comportamento em curva é melhorado seja com jante maior ou menor. Além disso, por forma a garantir a segurança dos ocupantes em caso de derrapagem lateral, saiba que o sistema de controlo de estabilidade da Mazda incorpora um sistema que analisa em tempo real o comportamento e pressão dos pneus para agir em conformidade, garantindo o conforto e segurança dos ocupantes.

Para que seja reduzida a fatiga de estar demasiado tempo sentado numa viagem, os bancos do CX-5 Skyactiv-G optou por incluir bancos em pele com bons apoios lombares que diga-se… são bastante confortáveis e talvez esse conforto seja uma das maiores potencialidades deste modelo. Além disso, não nos apercebemos de quaisquer ruídos parasitas, o que demonstra o compromisso da construtora para com a qualidade deste veículo.

Além disso, como mencionado, não falta espaço no porta-malas, pelo que, acomodar as suas necessidades para viagens mais prolongadas não deve ser um problema. Com mais de 430 litros de capacidade, não deverá necessitar de recorrer ao rebaixar dos bancos para transportar tudo aquilo que precisa.

Por fim, a integração e facilidade de acesso a todas as funcionalidades e tecnologias que coabitam com o condutor no Mazda CX-5 Skyactiv-G estão em locais de fácil acesso, além da presença no aplicativo MyMazda para que nunca se sinta desconfortável na hora de perceber e realizar aquilo que pretende com o seu veículo familiar.

Veredito

Este Mazda CX-5 2.0l Skyactiv-G Homura tem um preço que se inicia nos 38.443,00€ e que conta com as jantes de 19″ e com o interior em “Letherette” — aquela conjugação estilo pele e alcântara — que não sendo a melhor versão do modelo CX-5, é uma das melhores que testamos em termos de interior. Esta motorização de 165 cv a gasolina faz parte deste conjunto, no entanto, saiba que se optar por outras, os preços sobem até aos 51 mil e poucos euros.

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Por este valor, a proposta é bastante atrativa, no entanto, o único defeito mais evidente passa pela inclusão desta caixa de seis velocidades — que mesmo sendo bastante precisa e com um feeling extraordinário — parece não querer conjugar com o modelo, provavelmente numa tentativa de economizar o combustível, oferecendo 4ªs e 5ªs muito letárgicas para ultrapassagens mais rápidas. A potência está lá, no entanto, cabe-nos a nós descobrir como maximizá-la para a ultrapassagem – talvez com mais treino.

Adquirir um modelo exclusivamente a gasolina, ainda para mais atmosférico, nos tempos que correm pode ser arriscado, no entanto, este CX-5 Skyactiv-G é atrativo para deslocações médias ou longas no dia-a-dia. E, afinal de contas, até 2035 faltam 14 anos e não é toda a gente que mantém um carro por muito mais tempo. Bom, talvez alguns condutores mais cuidadosos e atentos aos seus veículos. Se pretende um carro para manter a longo prazo, tenha em atenção as restrições a nível europeu e este pode não ser o carro que pretende, se muda de carro a cada 10 anos, este modelo pode ser uma solução fiável.

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