Deve a Universidade do Porto receber uma conferência de ‘cientistas’ que negam o aquecimento global?
O objectivo desta conferência é “(Des)construir algumas ideias sobre alterações climáticas.” O nome da conferência é “Basic Science of Climate Change” e é organizada pelo Independent Committe on Geoethics. A conferência decorre entre sexta-feira e sábado, dias 7 e 8 de Agosto.
O objectivo declarado desta conferência é atacar o consenso ciêntifico de que as alterações climáticas se devem às acções do homem, em particular, através da emissão de poluentes que geram efeito de estufa.
A presidente do comité da organização defende que o aquecimento global é “alarmismo”
Maria Assunção Araújo é geógrafa e professora da Universidade do Porto. É também presidente do comité de organização desta conferência. Em declarações ao Observador, referiu que o objectivo da conferência é reunir “pessoas cientificamente muito válidas” de modo a debater a ideia generalizada que o aquecimento global é provocado pelo homem. Esta professora considera a posição de que é a humanidade a provocar o aquecimento do planeta “alarmista”.
Em ciência, existe de facto algo chamado “estar completamente errado”.
O alargado consenso da comunidade científica (97% dos estudos publicados sobre este tema) é o de que é o efeito de estufa, gerado pelo homem, que provoca o aumento das temperaturas a nível global. Assim sendo, os cientistas que estarão no Porto fazem parte dos 3% que discordam desta posição que é consensual na comunidade científica.
Liberdade de expressão vs Credibilidade da instituição
Esta conferência deveria ser sido cancelada pela instituição? Há pelo menos duas posições diferentes sobre este tema. Um lado afirma que existe liberdade de expressão, que a ciência se faz do confronto de ideias, e que mesmo as ideias mais bizarras não devem ser censuradas. Assim, mesmo uma posição sem credibilidade científica deve ter direito à voz não só numa sociedade livre, mas também numa comunidade científica plural.
Outro lado do argumento fala dos custos de credibilidade para a instituição. Não permitir que ideias descredibilizadas entrem na universidade é diferente de censurar uma posição. Quem nega o aquecimento global pode continuar a emitir a sua opinião através de outros meios. Porém, uma universidade deverá manter balizas claras sobre que tipo de oradores podem utilizar o seu espaço para emitir uma opinião.
Estes são os dois principais lados deste argumento. Apesar dessas diferenças de opinião, parece que a conferência se vai mesmo realizar.
Fonte: Observador





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