Descoberta a cura para obesidade e diabetes tipo 2 em testes a ratos

13 de Julho de 2018
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Os investigadores perceberam que a administração de terapia genética em indivíduos saudáveis causa, igualmente, um envelhecimento mais saudável e protege-os do excesso de peso e da resistência à insulina relacionados com a idade, avança o El país.

A terapia genética tem tido uma enorme procura; desde a técnica CRISPR (Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats) — ferramenta de alteração de genomas/sequências de ADN com potencial sucesso aquando da sua aplicação, à chegada ao mercado dos primeiros tratamentos para curar leucemias, ou através da técnica CAR-T com a manipulação em laboratório de pacientes de linfócitos T.

Aplicação da terapia genética para reverter diabetes

Durante os últimos anos, a engenharia genética chegou à pesquisa biomédica com uma longa caminhada para corrigir genes defeituosos e falhas de órgãos que causam doenças. Ao testar a eficácia da terapia com genes em ratos, um grupo de investigadores da Universidade Autónoma de Barcelona (UAB) conseguiu reverter a diabetes tipo II e a obesidade desses animais.

Como se processa o tratamento?

Com a introdução, numa única injeção, de um vetor viral adeno-associado (AAV) portador do gene FGF21, Fator de Crescimento de Fibroblastos 21, que permite a manipulação genética do fígado, tecido adiposo ou músculo-esquelético, o animal produz continuamente a proteína FGF21. Trata-se de uma hormona produzida naturalmente por vários órgãos e que atua em muitos tecidos para regular o funcionamento correto no nível de energia, induzindo assim a sua produção por terapia genética, e levando a que o animal reduza o seu peso assim como a resistência à insulina.

Ao longo da história, houve outro método que foi testado. Investigadores exploraram o uso do FGF21 para tratar diabetes. “Há estudos em animais em que a proteína nativa foi introduzida, mas teve um cíclo de vida muito curto e necessitaria de ser injetada todos os dias”, ressaltam os cientistas. Também a indústria farmacêutica projetou métodos análogos do FGF21, “mas eles são proteínas sintéticas e por vezes o corpo nem as reconhece”, diz a professora Fátima Bosch, responsável pela investigação. Dado que a diabetes é já considerada uma epidemia global (425 milhões de pessoas têm a doença no mundo) e o seu tratamento depende, em grande parte, da adesão do paciente à terapia, os pesquisadores da UAB escolheram tentar produzir a proteína naturalmente, mas manipulando geneticamente os tecidos onde são segregados para produzir essa hormona.

Métodos de aplicação do tratamento

No que diz respeito à obesidade, a terapia aplicada através do projeto de investigação foi testada com sucesso em dois modelos da doença, induzidos tanto geneticamente como por dieta. Os investigadores perceberam que a administração da terapia genética em indivíduos saudáveis causa, igualmente, um envelhecimento mais saudável e protege-os do excesso de peso e resistência à insulina relacionados com a idade.

A equipa de investigação testou essa terapia em modelos de camundongos (rato doméstico) com diabetes tipo II e obesidade — ambos geneticamente induzidos e através de uma dieta rica em lipídios. Após uma única injeção do fator terapêutico no fígado, os resultados vieram rapidamente. “Os animais normalizaram os índices de insulina, assim como a sua resistência à insulina foi reduzida, tendo ficado mais sensíveis. Nos animais que já eram geneticamente obesos, com o tratamento em duas doses diferentes, inverteu-se o aumento de peso. Os níveis de glicose no sangue normalizaram”, explica Bosch.

Perspetivas de futuro

A partir de todo o processo, os resultados foram reproduzidos pela manipulação genética de vários tecidos para produzir a proteína FGF21, seja no fígado, o tecido adiposo ou no músculo. “Isso dá uma flexibilidade muito grande à terapia, já que permite selecionar o tecido mais apropriado e, caso haja alguma complicação que previna a manipulação de qualquer um dos tecidos, pode ser aplicada a qualquer um dos outros”, disse a professora responsável pelo estudo.

Fátima Bosch acredita que a descoberta abre portas para novos tratamentos para este tipo de doenças. “Esta é a primeira vez que a obesidade e a resistência à insulina são, a longo prazo, neutralizadas pela administração de uma única sessão de terapia genética em animais”, diz a responsável. O próximo passo é tentar essa terapia com animais maiores e, em seguida, se funcionar, iniciar ensaios clínicos com pacientes.

Fonte El país

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