Condutores acham que conduzem melhor que carros autónomos

Num artigo divulgado no The MIT Press Reader, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o especialista Jean-François Bonnefon, alerta que muitos condutores pensam que conduzem melhor que outros e também se colocam num patamar mais elevado quando o assunto é a condução autónoma.

A implementação total de carros autónomos só deverá acontecer quando ficar provado que são mais seguros do que os carros comandados por um condutor humano (na verdade estima-se que são 10% mais seguros).

Contudo, na visão do autor do estudo, sempre que ocorra um acidente com um carro autónomo, o pânico vai ser generalizado, muito por causa da forma como é feita a cobertura da comunicação social a estes assuntos.

Além do medo, entra nestas contas a confiança, talvez excessiva, de muitos condutores. Se uma pessoa acredita que conduz melhor do que outra, não vai confiar num carro autónomo que é “apenas” 10% mais seguro do que o condutor médio. A questão é que as pessoas não se incluem neste grupo de condutores médios; consideram-se superiores.

O presidente de um grupo de especialistas da Comissão Europeia, que aconselha sobre a ética da mobilidade sem intervenção humana, concluiu juntamente com a sua equipa que os carros autónomos poderão mesmo ser mais seguros do que um condutor “normal”, mas o problema é que a maioria dos condutores acha que não é “normal”; acha que é muito mais seguro a conduzir um carro do que este conduzir-se a si próprio. Ou seja, as pessoas não vão comprar algo que (acham) é mais inseguro do que elas porque, nesta decisão de compra, vai influir fortemente o fator psicológico.

Jean-François Bonnefon, que também é diretor do Centro Nacional de Pesquisa Científica em França, defende que deveria haver mais carros autónomos a circularem, porque “um carro que circula sozinho calcula melhor as probabilidades de acidente do que um Ser Humano”. Mas, em suma, são as pessoas que não os querem ver na estrada.

Fonte: MIT Press

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