Co-fundador da DeepMind promove IA para ‘substituir humanos’

A Inteligência Artificial (IA) tem sido um dos temas tecnológicos mais debatidos nos últimos anos, especialmente no que diz respeito ao seu impacto no mercado de trabalho. Durante o Fórum Económico Mundial de Davos, Mustafa Suleyman, cofundador da DeepMind, laboratório de IA adquirido pelo Google há uma década, fez uma contribuição significativa para o debate.

Suleyman, um defensor da IA, afirmou que a IA é, fundamentalmente, “uma ferramenta para substituir a mão-de-obra”. Segundo ele, a IA desempenha duas funções principais com resultados radicalmente diferentes: melhora a eficiência das operações existentes, o que pode gerar economias significativas para as empresas, mas muitas vezes substituindo os humanos que realizavam esses trabalhos; e permite a criação de operações e processos completamente novos, o que pode gerar oportunidades de emprego.

Estas duas forças opostas, segundo Suleyman, terão um impacto imprevisível no mercado de trabalho nos próximos anos. Embora espere que a IA nos torne mais inteligentes e produtivos nas próximas décadas, a sua influência a longo prazo, especialmente num ambiente desregulado, ainda é “uma incógnita”.

Daron Acemoglu, professor do MIT e coautor do bestseller “Por que fracassam os países”, previu recentemente que a IA nos dececionará a todos em 2024, considerando-a principalmente “uma forma de automação medíocre” que eliminará empregos, ao mesmo tempo que não cumprirá as expectativas de gerar melhorias monumentais na produtividade.

Vários estudos académicos apoiam o receio de Suleyman. Um estudo de 2013 realizado por Carl Benedikt Frey e Michael Osborne estimou que 47% dos empregos americanos correm o risco de desaparecer devido à automação até meados da década de 2030. Outro estudo mais recente da McKinsey concluiu que quase 12 milhões de americanos precisarão mudar de emprego até 2030 à medida que a IA assuma as suas funções.

Um exemplo prático desta situação vem da indústria automóvel. A BMW anunciou recentemente uma ‘colaboração estratégica’ com a startup de robótica Figure para começar a introduzir robôs humanoides na sua fábrica em Spartanburg, Carolina do Sul. Estes robôs não são os típicos robôs industriais criados para processos específicos de montagem, mas são considerados “de uso geral” e estão desenhados para realizar uma ampla variedade de tarefas na fabricação.

A fábrica da BMW em Spartanburg não é uma fábrica qualquer: é a única que a BMW possui nos Estados Unidos e também é a de maior volume de produção da BMW em todo o mundo, produzindo quase 1.500 automóveis por dia. Uma eventual robotização total da mesma teria um grande impacto (direto, mas sobretudo simbólico) no mercado de trabalho.

O futuro é incerto, mas uma coisa é clara: precisamos de uma discussão séria e de políticas bem pensadas para garantir que a transição para uma economia mais automatizada seja justa e benéfica para todos.

Fonte: wired

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