Cibercrime dispara e denúncias ultrapassam as de 2019

A pandemia de covid-19 fez disparar as denúncias de cibercriminalidade em Portugal e os números dos primeiros cinco meses de 2020 já superaram todos os registos do ano passado, adiantam indicadores da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Os dados compilados até ao momento pelo gabinete de cibercrime da PGR evidenciam um “incremento extraordinário”, segundo o relatório divulgado, indicando que foram recebidas este ano um total de 268 denúncias (das quais 56 foram encaminhadas para inquérito), muito acima das 193 reportadas (e 67 encaminhadas para inquérito) em todo o ano de 2019 e superior a todos os anos desde 2016, quando se iniciou esta contabilização.

“Quanto à evolução de 2019 para 2020 (e apenas considerando as denúncias entradas até 31 de maio de 2020), a progressão é já de 139% denúncias a mais”, pode ler-se na nota divulgada pelo gabinete de cibercrime. O efeito na cibercriminalidade da propagação do coronavírus SARS-CoV-2 no país, que levou ao confinamento da população a partir de março, é ainda fortemente suportado pela evolução mensal detalhada no relatório.

Nos meses de janeiro e fevereiro repetiu-se o número de denúncias: 20. Todavia, março trouxe consigo a pandemia e um salto para as 46 denúncias, ou seja, uma subida de 230% face ao mês anterior. Já em abril, no qual foram inscritas 131 denúncias, o crescimento situou-se nos 285% em relação a março. Por fim, maio assinala já um ajustamento, com 51 denúncias, ou seja, menos 61% do que em abril, mas ainda assim o segundo mês com mais registos desde 2016.

No que toca ao tipo de cibercriminalidade, continuam a predominar as fraudes na utilização da aplicação de pagamentos MB WAY, a difusão de mensagens de e-mail e SMS contendo malware (vírus informáticos), as campanhas de phishing e a extorsão por email.

O gabinete esclarece ainda que, na estatística dos cibercrimes, além dos crimes informáticos clássicos, constam burlas em plataformas de vendas online, divulgação ilícita de fotografias, crimes contra a honra, difusão de pornografia infantil ou crimes contra o direito de autor.

“Uma boa parte destas práticas criminosas, que já existia anteriormente, ganhou um novo espaço nas redes de comunicação e informação. Porém, as estatísticas da Justiça, em geral, aglomeram os crimes segundo os tipos legais (por exemplo burlas, crimes contra a honra, crimes contra o direito de autor), não considerando autónoma ou separadamente aqueles que ocorrem online. Por isso, não é fácil aperceber, do ponto de vista estatístico, a real dimensão da cibercriminalidade”, refere o documento.

O CNCS adiantou também que o incidente mais frequente neste período foi o phishing, com 57 infrações desse tipo em março e 62 em abril, muito acima dos apenas 18 registados em fevereiro, de acordo com os dados facultados. Face ao mesmo período do ano passado, assinala-se um crescimento em todos os meses, com os 17 incidentes de phishing em fevereiro, 23 em março e 17 em abril de 2019.

No entanto, o organismo considerou que “as entidades estatais e as empresas souberam responder de forma adequada” a uma transição forçada e rápida para um cenário de teletrabalho alargado e uma maior dependência dos meios digitais em tempo de pandemia.

Portugal entrou no dia 3 de maio em situação de calamidade devido à pandemia, que sexta-feira foi prolongado até 14 de junho, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.

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