Chatbot do governo dos EUA revela falhas inesperadas
O novo chatbot oficial dos Estados Unidos foi criado para simplificar serviços públicos, mas rapidamente ganhou atenção por respostas contraditórias e comportamentos muito invulgares.
Neste artigo encontras:
Chama-se America.gov e pretende funcionar como uma porta de entrada para milhares de páginas governamentais. No entanto, bastaram algumas perguntas fora do habitual para expor limitações que levantam dúvidas sobre a fiabilidade da ferramenta.

O que é o chatbot America.gov?
Apresentado pela administração de Donald Trump, o chatbot do governo dos EUA foi desenvolvido para responder a dúvidas sobre serviços públicos. Entre os exemplos estão pedidos de passaporte, registo de veículos, inscrição eleitoral, acompanhamento de reembolsos fiscais e acesso ao Medicare ou à Segurança Social.
A plataforma utiliza tecnologias de inteligência artificial da Google e da xAI para pesquisar informação em sites oficiais e apresentar respostas com ligações para formulários e páginas relevantes.
Por enquanto, o serviço não trata diretamente dos processos nem pede dados pessoais aos utilizadores. A promessa é que, numa fase futura, possa ajudar a preencher formulários, submeter pedidos e procurar empregos no governo norte-americano.
Respostas sobre eleições e alterações no Pentágono
As primeiras utilizações públicas revelaram um problema mais sensível: o sistema dava respostas que entravam em conflito com declarações de Donald Trump e da sua administração.
Quando questionado sobre as eleições presidenciais de 2020, o America.gov indicava que Joe Biden foi o vencedor. Também afirmava que as alterações climáticas são reais, contrariando declarações anteriores do presidente.
O chatbot referia ainda o Pentágono como sede do Departamento da Defesa, apesar de a administração ter promovido a designação de Departamento da Guerra. Depois da divulgação de capturas de ecrã nas redes sociais, algumas perguntas deixaram de receber resposta.
Em determinados casos, o sistema passou a dizer que não responde a questões de comentário político ou notícias gerais. A descrição do Pentágono também foi entretanto alterada.
Uma palavra transforma a interface
Entre os comportamentos mais estranhos está a reação à palavra inglesa “hotdog”. Ao introduzi-la sem espaço, a caixa de texto transforma-se numa imagem com a forma de um cachorro-quente.
O detalhe mais curioso é que o próprio chatbot nega ter apresentado a imagem, apesar de ela continuar visível no ecrã. O episódio tornou-se rapidamente um exemplo das respostas incoerentes da plataforma.
O pedido para jogar Minecraft
Outro teste viral surgiu quando os utilizadores escreveram “play Minecraft” ou “play the block game”. Em vez de falar sobre o videojogo, o sistema gerou um longo monólogo sobre “constituintes”, legislação e assinaturas físicas.
Depois de produzir o texto, o chatbot negava repetidamente ter usado várias das palavras e frases que estavam visíveis na resposta. O comportamento sugere uma falha no sistema de geração ou nos filtros aplicados à conversa.
Informação útil, mas com limites
Apesar dos episódios insólitos, o America.gov também conseguiu responder a perguntas práticas sobre saúde, passaportes e outros serviços. As respostas analisadas eram baseadas em sites oficiais e eram semelhantes às fornecidas pelo ChatGPT e pelo Google Gemini para as mesmas questões.
Na sua forma atual, a plataforma funciona sobretudo como um motor de pesquisa conversacional para informação governamental. A principal diferença está no facto de estar integrada numa página oficial, algo que pode aumentar a confiança dos utilizadores.
Privacidade será o maior desafio
A expansão das funcionalidades poderá tornar o serviço mais útil, mas também mais arriscado. Pedidos de passaporte, benefícios sociais ou documentos oficiais exigem informação pessoal e financeira sensível.
Os erros conhecidos dos chatbots de inteligência artificial mostram que respostas plausíveis nem sempre são corretas. No caso de um serviço governamental, uma indicação errada pode levar um cidadão a preencher um formulário incorreto ou a perder um prazo importante.
Por isso, o America.gov deverá ser visto como um ponto de partida para encontrar informação, e não como substituto da confirmação da informação nos portais oficiais. Para já, a tecnologia promete simplificar o acesso aos serviços públicos, mas os seus primeiros dias também mostram que ainda precisa de supervisão.
Fonte: CNET




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