A CES 2026 redefiniu o que esperamos da tecnologia de consumo. Em vez de mais um desfile de especificações, Las Vegas mostrou tendências claras: menos cabos e mais liberdade, inteligência que se esconde no design e produtos que se moldam ao utilizador.
Entre televisores que parecem janelas para o mundo real e robôs que já não têm medo de escadas, estes foram os destaques que, na minha opinião, vão mexer com o mercado nos próximos 12 meses.
Televisores: quando a luz conta uma história
Se há área onde se sentiu um salto real foi na imagem. A TCL colocou a fasquia lá em cima com a X11L, uma TV Mini LED que atinge uns impressionantes 10.000 nits de brilho de pico. Isto não é só um número para marketing: significa que cenas de alto contraste, como reflexos do sol na água ou metal polido, mantêm detalhe sem “estourar” as altas luzes. O segredo não está apenas na potência; está no controlo.
Com 20.000 zonas de escurecimento local e cobertura total do espaço de cor BT.2020, a X11L ataca o velho problema do blooming com precisão cirúrgica. A cereja no topo é o processamento: um motor TSR com IA generativa a escalar conteúdos antigos para 4K com resultados surpreendentemente limpos.
Do outro lado do ringue, a LG trouxe de volta o conceito de “Wallpaper TV” com a OLED evo W6: 9 mm de espessura, montagem encostada à parede sem folgas e um Zero Connect Box que envia vídeo e áudio 4K sem fios até 10 metros. Para uma sala minimalista, isto é ouro. A LG também resolveu dois calcanhares de Aquiles do OLED: brilho e reflexos. A marca reclama 3,9x mais luminância face a OLEDs tradicionais e uma nova camada antirreflexo que recebeu a primeira certificação “Reflection Free Premium”. Em salas claras, é a diferença entre ver uma TV e ver a sala refletida.
Conclusão? A TCL joga com brutais níveis de luz e gestão agressiva de zonas; a LG foca-se na pureza dos negros, na integração arquitetónica e em reduzir os reflexos. Ambos os caminhos apontam ao mesmo destino: HDR convincente fora da sala escura.
Computadores que crescem consigo
A Lenovo sacudiu a categoria portátil com o Legion Pro Rollable. Parte de um 16 polegadas OLED e, com um botão, estende o ecrã para 21,5 ou até 24 polegadas, mudando a relação de aspeto de 16:10 para 24:9. Em jogos de corrida ou edição de vídeo, ter mais largura sem arrastar um monitor extra é uma verdadeira vantagem.
Por baixo, não é um conceito frágil: chassi de Legion Pro 7i, CPUs Intel Core Ultra e uma RTX 5090 Laptop. A gestão inteligente através do Lenovo AI Engine+ ajusta recursos consoante a tarefa. O desafio? Durabilidade do mecanismo e peso. Mas se a marca acertar na engenharia, inaugura-se uma nova subcategoria: portáteis expansíveis.
A casa inteligente aprende a subir escadas
Os robôs aspiradores sempre foram geniais… até chegarem ao primeiro degrau. O Roborock Saros Rover quer pôr um ponto final nessa limitação. Pernas articuladas e duplo motor dão-lhe tração para subir e limpar cada espelho de escada, algo que parecia ficção científica há poucos anos.
Com LiDAR 4.0 e “Physical AI”, reconhece a geometria dos degraus em tempo real e planeia a subida sem truques. Se convive com múltiplos pisos, este pode ser o primeiro robot a justificar a palavra “autónomo” no sentido literal.
Portas sem pilhas e biometria de outro nível
As fechaduras inteligentes são ótimas até um detalhe: baterias. A Lockin V7 Max aborda o assunto com AuraCharge, um carregamento óptico sem fios que “banha” a fechadura com energia a partir de um transmissor dedicado colocado até cerca de 4 metros de distância. Sem pilhas para trocar, sem cabos na porta.
Em segurança, vai além do habitual: reconhecimento de veias do dedo e da palma, e ainda rosto 3D, tudo assistido por duas câmaras HD e dois ecrãs de 5″. A compatibilidade Matter fecha o círculo, integrando com os principais ecossistemas. Ponto de atenção: é preciso instalar e alimentar o transmissor — mas, para quem se cansa de alertas de bateria fraca, é um compromisso sensato.
Telemóvel com teclas? Sim, e faz todo o sentido
Numa era de ecrãs infinitos, o Clicks Communicator aposta em foco e produtividade. Um smartphone de mensagens em primeiro lugar, com teclado físico QWERTY que também responde ao toque e um leitor de impressão digital na barra de espaço. O ecrã AMOLED de 4,03″ não convida ao doomscroll — e esse é o objetivo.
Com Android 16, 5G, eSIM e SIM físico, câmara traseira de 50 MP e uma clássica porta de áudio de 3,5 mm, junta o melhor dos dois mundos. O LED lateral tipo “Signal” permite cores de aviso por contacto, um mimo que muitos power users vão adorar. Para jornalistas, programadores ou quem vive de escrever em mobilidade, esta proposta é refrescante.
Energia para todos os gadgets, sem calhas de tomadas
Quem viaja sabe: carregadores a mais, espaço a menos. O Baseus Nomos NH21 (6‑em‑1) resolve com elegância. Dois cabos USB‑C retráteis, mais duas portas USB‑C, uma USB‑A e carregamento Qi2, tudo a debitar até 245 W no total. Cada USB‑C principal entrega 140 W — suficiente para carregar em fast‑charge dois portáteis exigentes em simultâneo.
A tecnologia GaN e uma estrutura térmica dividida mantêm as temperaturas sob controlo, e o visor digital mostra a potência em tempo real. É um daqueles acessórios que, depois de adoptar, passa a ser obrigatório na mochila.
Brincar que programa a imaginação
A Lego deu um passo interessante com o Smart Play System. Os icónicos tijolos 2×4 ganham sensores, acelerómetros, luzes, altifalantes e Bluetooth, reconhecendo peças inteligentes próximas e reagindo com sons e efeitos. No kit Star Wars, um X‑Wing “arranca” com áudio de motores, e a aproximação de um TIE Fighter aciona sons de batalha.
O melhor? As crianças podem orquestrar comportamentos numa app simples, fazendo uma ponte entre brincadeira tátil e lógica de programação. Chega às lojas a 1 de março e tem tudo para ser o novo sucesso STEAM.
O traço comum: menos fricção, mais adaptação
Do brilho quase solar da TCL à invisibilidade elegante da LG, do portátil que cresce ao aspirador que sobe escadas, a CES 2026 revelou uma agenda clara: a tecnologia está a desaparecer dos nossos problemas, não do nosso quotidiano.
Cabos somem (Zero Connect, AuraCharge), interfaces ficam mais humanas (teclado físico que faz falta), e a IA atua nos bastidores (upscaling generativo, mapeamento de escadas) para que a experiência final pareça “mágica”, não técnica. Se 2025 foi o ano em que falámos de IA, 2026 pode ser o ano em que deixamos de falar dela — porque simplesmente funciona.
Fonte: Gizmochina
































